Prostituição: a nova forma de escravidão

Nesta atividade lucrativa o amor é vendido como mercadoria

Aquele que pensa que no mundo moderno não há escravidão, está complemente enganado, ela existe e gera lucros enormes. Presente tanto nas grandes metrópoles como em minúsculos lugarejos, a prostituição é a forma de escravidão moderna, sendo uma das atividades que mais crescem no mundo, envolve diversas pessoas e setores da sociedade, inclusive inúmeras crianças. No Brasil mais de 1.500.000 (um milhão e meio) de pessoas se prostituem; em todo o mundo este número é ainda maior: chega a 40 milhões, o que é equivalente a toda a população do Estado de São Paulo, segundo um estudo da Fundação Scelles, entidade francesa que combate a exploração sexual.

As cifras envolvendo a prostituição são assustadoras, considerando-se também que mais de 2 milhões de crianças são exploradas sexualmente. Números estes que fazem a indústria do sexo obter lucros milionários a partir da exploração de seres humanos.

O Magistério da Igreja ensina que, na prostituição, o “amor” degrada-se em mercadoria e o ser humano converte-se em objeto de prazer. Por isso ela afronta a dignidade humana, destrói o mais íntimo de todos os que dela participam. É, portanto um pecado contra o amor.

As razões que levam alguém à prostituição são numerosas e complexas, tais como: econômicas, sociais e culturais. Em todos os casos essa prática se dá por meio de atos de violência, constituindo-se numa ofensa à dignidade e uma grave violação dos direitos humanos fundamentais.
O Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, órgão pertencente à Santa Sé, no “I Encontro Internacional de Pastoral para a libertação das mulheres de rua”, realizado em Roma no ano de 2005, estudou e debateu todas as realidades que envolvem este flagelo e indicou dois personagens  – vítimas e clientes, que devem ser observados à luz da misericórdia do Senhor.

As vítimas, em muitos casos, gritam por ajuda, pois vender o próprio corpo não seria algo que elas escolheriam fazer voluntariamente. Razão pela qual se sentem dilaceradas e praticamente mortas no plano psicológico e espiritual. O estudo afirmou que essas pessoas carregam feridas profundas que precisam ser curadas, por isso estão à procura de amor, segurança, afeto, autoafirmação, um futuro melhor para si e para a sua família.
Os clientes, segundo o Pontifício Conselho, possuem igualmente problemas bem radicados por terem se tornado escravos dessa prática, pois procuram este tipo de relacionamento mais com o espírito de dominação do que com o desejo de satisfação sexual, tendo em vista que esse ato lhes permite viver uma experiência de total domínio e controle sobre a vítima durante um determinado período de tempo.

Esse encontro [I Encontro Internacional de Pastoral para a libertação das mulheres de rua], promovido pelo Vaticano, ofereceu algumas diretrizes de esperança para todos aqueles que estão inseridos nesse universo. Dessa forma, toda a sociedade -, principalmente, os cristãos -, é chamada a ser solidária com os (as) prostitutos (as) a fim de que estes [as] restaurem a sua dignidade como seres humanos, oferecendo-lhes uma grande variedade de serviços sociais; mas, sobretudo, a promover o encontro com Jesus Cristo, o Bom Samaritano e Salvador, como fator fundamental de libertação e redenção.

Da mesma forma, os clientes também devem ser ajudados a  resolver os seus problemas mais profundos e a encontrar o autodomínio, pois comprar sexo de uma prostituta não resolve problemas oriundos da solidão, da frustração ou da falta de relações autênticas.

Todos os homens devem romper com a prostituição, pois, certamente, os desejos mais íntimos, quer das vítimas quer dos clientes, não serão saciados por meio dessa atividade, uma vez que o homem somente se realiza no verdadeiro amor do Pai, que, em Seu desígnio de pura bondade, o criou para fazê-lo participar de Sua vida bem-aventurada. Por isso o chama e o ajuda a procurá-Lo e a conhecê-Lo com todas as suas forças, para se tornar, no Espírito Santo, herdeiro de Sua vida eterna.

Assim, neste cenário aparentemente sombrio, onde alguém agoniza silenciosamente pedindo socorro, surge a luz da esperança do verdadeiro amor, como instrumento capaz de restaurar os homens que recorrem a essa prática. Somente o amor do Pai é capaz de fazê-los romper com as cadeias da escravidão da prostituição, oferecendo-lhes verdadeira liberdade de filhos de Deus.

Por Ricardo Gaiotti – Comunidade Canção Nova

twitter.com/ricardogaiotti

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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