Proibições e castidade

Para expressar uma porção de conceitos, o mais das vezes pouco claros, a psicologia emprestou um vocábulo polinésio. Trata-se da palavra tabu. Esta imediatamente nos leva a uma ideia potencialmente negativa. Seriam proibições (quase sempre idiotas para o homem moderno), a respeito de assuntos, dos quais nem se deve falar. Mexer nesta área seria expor-se a perigos sobrenaturais. Derivam do respeito que se deve ter para com objetos sagrados. Seriam interdições mágicas, que não devem ser discutidas, por serem santas. Tal ideia se avizinha de uma neurose. Mais de uma vez na vida já escutei gente, sentenciando que a maioria das proibições  religiosas, de ordem sexual, seriam meros tabus. Portanto, leis irracionais. Neste caso, como ficam os estímulos da Bíblia a uma vida casta? “Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, honroso e puro” (Fil  4,8)

Quando em assuntos sexuais se procura mostrar a beleza da sexualidade, como uma forte energia motivadora, um bem desejado por Deus dentro da vida matrimonial, não se pode mais falar em tabu. Este existe onde não há motivação, onde tudo é misterioso e sem razão de ser. O  verdadeiro discípulo de Cristo sabe por que deve se abster de desregramentos sexuais. Isso é uma espécie de disciplina, visando bens maiores. O que buscamos é relativizar o legítimo prazer sexual, por sabermos que existem bens maiores, como o amor a Deus e ao próximo. “Só os puros verão a Deus” (Mt 5, 8). Certa ocasião, numa roda de conversa, falei a meus interlocutores, que eu admirava muito o gesto heroico da mártir catarinense Beata Albertina Berkenbrock. Ela preferiu derramar seu sangue, a satisfazer os instintos sexuais de um homem brutal. Ela preferiu morrer, por causa de suas convicções religiosas. E também para defender a honra da mulher. Então um distinto senhor sentenciou: “Essa moça não serve de modelo para a juventude de hoje”. Trata-se de alguém que capitulou perante o mundo moderno. Ele acha que a mulher, em vez de dar a sua vida por convicções de fé, deveria se entregar pacificamente. Essa bem-aventurada – que do céu ela me ouça- seguramente não agiu por força de tabu, mas por convicções de fé.

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Dom Aloísio Roque Oppermann scj
Arcebispo de Uberaba – MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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