Prefeitura de Madrid veta “marcha ateia” na Quinta-feira Santa

MADRI, 12 Abr. 11 / 03:44 pm (ACI/Europa Press) O vice prefeito de Madrid, Manuel Cobo, anunciou que a Prefeitura não autorizará a marcha atéia convocada para a Quinta-feira Santa enquanto os organizadores pretendam fazê-la “esse dia, a essa hora e nesse espaço” por constituir “uma zombaria, uma mofa, de uma confissão religiosa”, e assegurou que se a manifestação fosse contra outra religião o Governo municipal também diria que não.

“Não autorizaremos esse dia, a essa hora, nesse espaço uma zombaria, uma mofa, de uma confissão religiosa. Se fosse a mesma zombaria de outra religião também diríamos que não, porque acreditam que a tolerância desta cidade permite que as pessoas tenham suas convicções, sua fé religiosa, e que sejam respeitadas. E aqui do que se trata é de não respeitar a uma parte muito importante da cidadania madrilenha”, afirmou Cobo em declarações aos meios.

Para ele, esta convocatória deformada não deveria ser autorizada tampouco pela Delegação do Governo, que é a instituição “que tem capacidade para dar autorização” a este tipo de eventos em virtude do “direito recolhido na Constituição”, conforme recordou.

Por isso, o Governo local enviou a esta instituição um relatório desaconselhando que seja dada permissão às associações que convocam a marcha, justificando esta recomendação em que o lugar onde querem realizá-la -o centro da capital- “recolherá esse dia a milhares de pessoas que vão a procissões e templos”, além dos turistas que habitualmente passam por ali.

Além disso, também alegam que a celebração da chamada “marcha atéia” na Quinta-feira Santa, “uma data importante para muitos”, poderia “dar lugar a problemas de ordem pública”, outro argumento segundo o juízo do Consistório para que a petição fosse rejeitada.

Em seguida, Cobo insistiu em que no caso de que a Delegação siga pensando “erroneamente” que não se trata de uma manifestação, mas de “um ato lúdico, um evento, uma festa” -em cujo caso seria a Prefeitura que deveria dar a autorização-, o Executivo local dirá “rotundamente não” pelas mesmas razões expostas em seu relatório.

“Nós não autorizamos o uso da rua, do espaço público de todos, para esse fim espúrio que expõem os organizadores”, insistiu o vice prefeito, que não quis entrar no tema de valorizar as razões que tenham podido levar a Delegação de Governo a passar à prefeitura a responsabilidade de decidir sobre este assunto.

Perguntado por qual seria sua posição se a marcha fosse celebrada outro dia, Cobo assinalou que “se isto fosse proposto no dia da Véspera do ano novo, em uma zona que não incomodasse, etc. logicamente não haveria as mesmas razões, e se entenderia que seguiria sendo uma manifestação e que a Delegação poderia autorizar, e o relatório da Prefeitura seria distinto”.

“Mas na Quinta-feira Santa, no centro da cidade, onde são tantas as procissões que são celebradas, parece-nos de sentido comum (não autorizá-lo). Ninguém, nem sequer as pessoas agnósticas ou atéias que respeitam outros, podem propor que se pudesse apoiar um fato como o que está sendo apresentado”, insistiu.

Além disso, Manuel Cobo concluiu assegurando que se poderiam ser dados “muitíssimos exemplos de atuações que se realizam em Madrid e que seriam proibidas (se) um grupo tão minoritário como este pudesse pedir para ridicularizar, burlar-se… de algo que é respeitável no resto das pessoas”.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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