Pousamos em um cometa!

sistemasolarOs últimos dias foram bastante agitados na comunidade aeroespacial, é que finalmente conseguimos que um robô pousasse em um cometa! O robô chama-se Philae e foi levado até o cometa 67p pela sonda Rosetta. A missão tem como principal objetivo estudar a composição do cometa para entendermos melhor como o nosso Sistema Solar nasceu e porque é da maneira que vemos hoje. Segundo nossas teorias mais atuais de formação planetária, quando um novo sistema planetário surge, há muito material disperso no espaço, que vai se aglomerando e formando planetas. Uma parte desse material não forma planetas, mas fica livre, sendo o que hoje chamamos de asteroides e cometas. Portanto, estudar os cometas é estudar o nosso Sistema Solar quando ele estava se formando!

Foram dez anos de viagem, pois a sonda não fez um percurso em linha reta. Para fazer uma viagem espacial, é necessário realizar várias manobras orbitais e ganhar velocidade, além de ter uma sincronicidade perfeita, afinal, o cometa está muito longe, move-se muito rápido e não é lá muito grande. Ele mede aproximadamente 4,2 km de comprimento e está a mais de 500 milhões de quilômetros daqui. As comunicações entre a sonda e a base de controle, na Alemanha, levam quase meia hora, pois apesar das ondas de rádio viajarem à velocidade da luz, a distância a percorrer é imensa.

É um grande feito para a humanidade, várias barreiras precisaram ser superadas para obtermos sucesso nessa missão. Em especial, lançar a sonda e fazer toda a viagem até o cometa. Depois, por causa do longo intervalo de tempo na comunicação, todo o pouso precisou ser feito de modo automático, sem intervenção humana. Os engenheiros trabalharam por vários anos desenvolvimento o sistema que faria o robô “grudar” no cometa. É que o cometa é pequeno e por isso não tem muita gravidade para atrair o robô. A gravidade depende da massa do objeto e a do cometa é bem pequena quando comparada com a massa da Terra ou da Lua, por exemplo.

Outro grande desafio foi projetar sistemas capazes de suportar condições adversas no cometa e, mais difícil ainda, vários equipamentos científicos delicados que foram enviados junto para estudar as propriedades do 67p.

Tudo isso, evidentemente, custou muito dinheiro. O custo estimado nos 20 anos de duração do projeto é de 1,3 bilhões de euros, cerca 4,2 bilhões de reais. Não faltou quem defendesse que todo esse gasto com uma missão unicamente científica é um absurdo. Por que não investir esse dinheiro em combate à pobreza ou outras causas mais nobres?

Bem, há muitas razões para gastar-se com ciência pura, que em muitos casos não trará retornos financeiros ou sociais imediatos. Mas é preciso lembrar que os investimentos em ciência não roubam dinheiro dos projetos sociais. A Europa gasta muito dinheiro em questões sociais, dentro e fora do continente. Na verdade, o investimento em ciência é bem menor do que os gastos sociais.

Além disso, a ciência tem, para o homem moderno, o papel de satisfazer em parte aquele anseio por algo maior do que ele mesmo. É bem próprio do homem querer algo maior que si, buscar o infinito. Essa busca manifesta-se de vários modos, o mais natural e comum é a religião. O homem sente dentro de si que foi feito para algo maior do que este mundo natural, ele traz gravada no coração a necessidade de encontrar-se com o Criador.

Para os cientistas, a ciência tem esse mesmo caráter de busca por algo maior. Procuramos desvendar os segredos da natureza e assim nos tornarmos maiores, mais senhores de nós mesmos. Mas para aqueles cientistas que tem fé, essa busca também é uma busca por Deus, pois os segredos na natureza não deixam de ser manifestações de Deus.

É isso que diz o Catecismo da Igreja Católica quando se lê no parágrafo 341 que “A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações existentes entre si. O homem descobre-as progressivamente como leis da natureza. Elas suscitam a admiração dos sábios. A beleza da criação reflete a beleza infinita do Criador, a qual deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência e da vontade humanas.”

Pousar em um cometa, entender como o Sistema Solar se formou, analisar e descrever todos os fenômenos naturais que levaram ao surgimento do homem, são tarefas muito importantes realizadas pelos cientistas. Todos esses conhecimentos nos aproximam cada vez mais de Deus e tornam a vida do homem melhor.

Alexandre Zabot – 20.XI.2014

www.alexandrezabot.blogspot.com.br

Físico e doutor em Astrofísica – Professor da UFSC

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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