Por um Natal cristão

Há poucos dias atrás, notadamente no dia trinta e um de outubro, o relógio populacional do mundo anunciou que a terra atingiu a marca histórica de 7 bilhões de habitantes. Não sei como esta notícia foi recebida e entendida pela maioria do nosso povo. O fato é que este anúncio se fez notícia, girou o mundo e foi manchete e cobertura de jornais, revistas e das redes sociais.

A grandeza deste número, sobretudo o algarismo zero, repetido várias vezes, pode impressionar e exercer uma atração, positiva ou negativa, muito forte nas pessoas. O tamanho da população implicaria em habitação, alimentação, saúde, educação, segurança, migração…  em “mais uma boca” – como diz uma canção – e a terra não suportaria mais tanta gente.

No entanto, isto não nos deve deixar encantados e nem simplesmente admirados. Estudo mais recente e mais acurado mostra, ao contrário, que a contagem da população está é em decréscimo e desacelerado (cf. CNBB: Nota Análise de Conjuntura – novembro de 2011), e que a população brasileira está um por cento menor do que era previsto.

Outra notícia, no entanto, deve deixar-nos alegre e feliz. Pesquisa recente revela que 1 bilhão e 160 milhões são católicos, e que a Igreja católica recebe 34 mil católicos por dia. O triste destes dados é saber que a 2 bilhões de pessoas, a mensagem do evangelho de Jesus Cristo ainda não chegou.

O natal é uma oportunidade para revermos estes números, decodificá-los e vivenciá-los. Natal é um tempo propício para se refletir sobre a fecundidade de Deus. Todo santo dia Ele presenteia o mundo com mais um filho ou filha, sem se importar com quem teima em pensar que a casa está cheia e que, por isto, não cabe mais ninguém. A estes dirá Jesus: “na casa do meu Pai há muitas moradas”.

A Igreja anunciará brevemente, no dia 25 de dezembro, o nascimento de mais uma Criança. Será então que haverá lugar no mundo para ela, pois, no tempo de Jesus não havia lugar na hospedaria para Ele (Lc 2,7).

Natal é a vida que nasce, é o Verbo que se fez carne, é um Menino que nos é dado. Neste natal, mais uma criança nascerá e precisará crescer em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens (Lc 2,40). Natal é tempo de amar, rever, viver e refazer a nossa opção de vida, pela vida e em seu favor. Jesus nasce em cada ato de amor e de caridade. Todo ato de amor faz gerar Cristo no mundo.

E, para finalizar, a pergunta então que deve ser feita é a seguinte: o que fazer para celebrar um natal cristão?  Um natal para ser cristão deve se tornar missão: missão de Deus, missão de Jesus; missão de Maria, missão da Igreja; minha missão, sua missão, nossa missão: abrir as mãos e o coração, beber o cálice desta missão, amar e servir o irmão! Tenho sede desta missão. Sem esta missão não há natal cristão. Festa, comida, bebida, presente, Papai Noel, cartão, comércio…, enfim, nada disto faz o natal cristão.  O que faz o natal cristão é a missão. É preciso falar do natal para que ele fale ao nosso coração. No natal é preciso tocar em Jesus para ser tocado por Ele. Um natal cristão se vive como se vive a missão: com os pés que partem, os joelhos que rezam e as mãos que partilham.

Portanto, abra seu coração, em oração, para acolher o Senhor da missão e assim celebrar um natal cristão. Um santo e abençoado natal cristão para todos e todas.

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Dom Pedro Brito Guimarães

Arcebispo de Palmas (TO)

Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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