Por que se ausentam das celebrações?

É fato conhecido que a frequência aos atos litúrgicos dominicais se apresenta de maneira muito diferenciada de um lugar para outro. Há aquelas regiões onde as igrejas estão sempre cheias, aos domingos. Por isso tem mais facilidade para manter os trabalhos pastorais; ter boa catequese; erigir belas igrejas; despertar muitas vocações sacerdotais. “Uma só coisa peço ao Senhor: habitar em sua casa por toda a minha vida” (Sl 27, 4). Já em outras regiões, há muitas atividades civis no Dia do Senhor, mas nas igrejas só aparecem uns gatos pingados. Nestas há muitas dificuldades em cumprir qualquer plano de pastoral; os templos são desleixados; não há catequese; e no seu horizonte não desponta nenhuma vocação sacerdotal, nem líder religioso. Sempre fui curioso para descobrir por que algumas pessoas – apesar de serem convictamente católicas – raramente freqüentam a igreja. “Vou propor-vos um enigma” ( Jz 14, 12).

As 4 razões poderiam ser estas, acrescidas de melhores explicações, por parte de quem enxerga mais longe.

1 – As ausências à igreja poderiam provir de motivos circunstanciais, como estado de saúde precária, grave cansaço, distância, perigos de vida…

2 – Os serviçais da Liturgia são dirigidos por pessoas muito difíceis de lidar; o Padre é muito temperamental; não existe esforço por parte de ninguém, para melhorar o canto; não há criatividade; só se percebe mesmice sem entusiasmo.

3 – Percebe-se uma solerte influência inibidora de religiões, que não buscam a oração comum. Sua tradição está distante de vida comunitária. Os espiritualistas promovem atos de caridade – o que é louvável – mas não estimulam a seus membros a se reunir e prestar culto a Deus. Eles não ensinam isso aos católicos, mas essa mentalidade passa, por osmose, onde sua presença é muito forte.

4 – O último motivo chega até a ser polêmico, mas muito real. Algumas pessoas não tem vida ilibada: podem ser mentirosos, injustos, devassos, infiéis no casamento, promotores de discórdia ou falhos na sua fé. Tudo isso numa graduação diversificada. Tais pessoas não se sentem à vontade entre cristãos que querem praticar justamente o contrário. Ficar longe de tal comunidade é a tendência mais normal. “Os injustos não permanecem de pé junto da assembléia dos justos” (Sl 1, 5). Você concorda? Ou podem existir mais razões?

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Dom Aloísio Roque Oppermann scj
Arcebispo Metrop. de Uberaba – MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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