Por que não discernimos claramente as coisas?

pregação discernimento espiritualO método para conhecer as coisas como são.

A razão pela qual não discernimos as coisas de forma clara é que nos detemos nas aparências exteriores, às quais logo associamos sentimentos de amor ou de ódio que bloqueiam nosso entendimento, impedindo-nos de vê-las como realmente são.

Para não caíres nesse engano, conserva sempre a vontade purificada e livre de qualquer afeto desordenado. Considera com discernimento e maturidade qualquer coisa que se apresente à rejeição (se for algo contrário às inclinações naturais), ou que o amor produza apego indevidos (caso se trata de algo agradável).

Assim, livre das paixões, o intelecto pode conhecer com clareza a verdade, perceber o mal oculto sob uma falsa aparência de prazer e o bem encoberto por uma aparência de mal.

Mas, se a vontade se inclina primeiro a amar ou a odiar as coisas, o intelecto não pode conhecê-las bem, porque as paixões se interpõem e o ofuscam, fazendo-o estimá-las de forma errada, e representá-las dessa forma à vontade, que então se move ainda mais ardentemente a amar ou a odiar as coisas, sem qualquer consideração das leis da razão e da ordem.combate_espiritual

Por causa das paixões o intelecto fica cada vez mais obscurecido, e essa obscuridade alimenta o engano da vontade em seus amores e ódios, de tal forma que, se não for observada a regra que vou te dar, essas duas faculdades humanas tão nobres, a inteligência e a vontade, irão tropeçar e cair miseravelmente em trevas cada vez mais profundas e em erros cada vez maiores.

Portanto, minha filha, guarda-te cuidadosamente de todo afeto exagerado por qualquer coisa que não tenha sido primeiro examinada e reconhecida pelo que realmente é, à luz da Graça, pela oração, e conforme o parecer do diretor espiritual.

Isso dever ser observado de forma especial na prática de algumas obras exteriores, que são boas e santas, mas que, por isso mesmo, acarretam para nós um risco maior de engano ou de indiscrição. Pois pode acontecer que, por alguma circunstância de tempo, de lugar ou de medida, a prática dessas obras santas e louváveis resulte em grande dano, como se sabe de muitos casos.

Retirado do livro “O Combate Espiritual”, de Lorenzo Scupoli

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.