Por que a Igreja católica é chamada Romana?

Foto-SEGREDO-Vaticano-em-RomaSer romana não faz parte da identidade da Igreja. O nosso Credo diz que ela é “Santa, Una, Católica e Apostólica”. Vários papas viveram fora de Roma. No século 14 sete papas franceses ficaram em Avignon na França por setenta anos; foi o chamado “Cativeiro dos Papas na França”, num gigantesco palácio ali construído. Várias vezes os papas tiveram de fugir de Roma e se refugiaram em Ravena, Pizza, Bolonha, Orvieto e outras cidades italianas que pertenciam ao Estado Pontifício. Então, por que a palavra “Romana”?

Há boas razões para isso. Primeiro, penso eu, que Cristo quis deixar um grande sinal, de que a Sua Igreja é invencível. O Império Romano, como sabemos, foi o maior Império que a humanidade já conheceu. Nunca houve outro que dominasse todo o mundo; tomou toda a volta do Mar Mediterrâneo, que hoje é circundado por muitos países. Os romanos o chamavam de “mare nostrum”. Os navios precisavam ter o alvará do porto romano de Óstia, próximo de Roma, para navegar no Mediterrâneo. Roma dominou tudo, desde Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha Ocidental, Itália, Grécia, Macedônia, Turquia, Síria, Líbano, Palestina, Egito, Cartago e todo o Norte da África. Quem não era cidadão romano era chamado de “bárbaro”.

No entanto, esse maior Império que o mundo conheceu, não conseguiu destruir o Cristianismo, e, acabou se tornando cristão. São Pedro chegou a Roma por volta do ano 50 e São Paulo por volta de 60. Ali implantaram a fé católica e ali foram martirizados por Nero. Os cristãos derramaram sangue abundante sob os imperadores Nero, Trajano, Domiciano, Décio, Vespasiano, Aureliano, e, principalmente Diocleciano, até o ano 311, quando o imperador Constantino o Grande, se converteu ao cristianismo, e pelo Decreto de Milão,  proibiu a perseguição aos cristãos.

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Por que dizemos que a Igreja é una, santa, católica e apostólica?

Um outro imperador, Juliano, o Apóstata (361-363), ainda tentou restabelecer o paganismo em Roma, mas já era tarde. E na batalha contra os persas morreu com uma flecha no peito, exclamando: “Tu venceste ó Galileu!” Finalmente, em 385, Teodósio o Grande, pelo Decreto de Tessalônica, oficializou o cristianismo como a religião do Império.

Cristo e os cristãos venceram o grande Império, cuja capital era Roma. Não seria este um grande motivo para a Igreja ter a sua sede em Roma? Sim. E no mesmo jardim onde Nero martirizava os cristãos, incendiando-os com piche para iluminar suas orgias com animais, Cristo colocou a sua Sede, a Santa Sé, o Vaticano; exatamente sobre o túmulo de São Pedro. Não é este um grande sinal para o mundo de que a Igreja é invencível? Nem mesmo o mais poderoso Império de que a história teve noticia, conseguiu eliminar o cristianismo.

“A espada romana se curvou diante da cruz de Cristo” (Daniel Rops). A soberba águia romana fechou suas asas diante de Cristo. Por isso, a Igreja há dois mil anos tem a sua Sede ali onde o maior Império do mundo se dobrou diante da Igreja de Jesus Cristo. Por isso ela é chamada de Romana. E assim será até o Senhor voltar na sua glória.

Prof. Felipe Aquino

*Autoriza-se a sua publicação desde que a fonte seja citada

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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