Ponto de partida da ação evangelizadora: Jesus Cristo

Cardeal Scherer fala sobre as diretrizes aprovadas pela CNBB

SÃO PAULO, sexta-feira, 20 de maio de 2011 (ZENIT.org) – O cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, afirma que “o ponto de partida imprescindível e constante da vida e da missão da Igreja é o próprio Jesus Cristo”.

“A Igreja perde sua referência, se ela não tem Jesus Cristo e seu Evangelho sempre diante dos olhos”, afirma o arcebispo, em artigo na edição desta semana no jornal O São Paulo, em que fala sobre a recente aprovação pela CNBB das novas diretrizes da evangelização no Brasil.

“As Diretrizes trazem isso como ponto de partida para toda a ação evangelizadora: sem o encontro pessoal e contagiante com Jesus Cristo, não há discípulos nem missionários; e o trabalho da Igreja teria apenas a força e significado de qualquer ONG ou iniciativa humana. A Igreja não pode esquecer que é, antes de tudo, obra de Deus, que conta, certamente, com nossa constante participação e colaboração.”

Após essa consideração inicial – explica o arcebispo – o documento das novas diretrizes evangelizadoras ocupa-se “com as ‘marcas’ da sociedade, da cultura e da própria Igreja em nosso tempo. Várias urgências decorrem, para a evangelização, desses cenários diversificados”.

“A Igreja precisa colocar-se em estado permanente de missão; não bastam mais os métodos tradicionais, voltados, sobretudo, para a ‘conservação’ daquilo que já tinha sido feito; de uma pastoral de conservação, é preciso passar a uma pastoral missionária.”

“E assim, a Igreja redescobre aquilo que é sua natureza e característica essencial: um povo enviado em missão para o meio do mundo! Somos um povo missionário; e nossas organizações eclesiais precisam traduzir isso sempre mais claramente através de uma nova prática missionária.”

Segundo Dom Odilo, a Igreja no Brasil “não quer apenas jogar sementes ao vento”. Ela “quer formar discípulos que tenham uma forte experiência de fé, a partir de um profundo encontro com Deus por meio de Jesus Cristo, no dom do Espírito Santo”.

Por isso – explica -, a CNBB “indica como prioridade a introdução ampla de um processo de iniciação à vida cristã, por meio do qual os batizados possam tornar-se verdadeiramente discípulos de Jesus”.

“Isso é tanto mais necessário em nossos dias, quando a fé já não é mais transmitida simplesmente pelo ambiente e pelos agentes tradicionais de comunicação da fé; a família e a escola, por exemplo, já não conseguem fazê-lo de maneira satisfatória.”

“As comunidades cristãs, bem constituídas, precisam tornar-se sempre mais os sujeitos de uma iniciação mais completa à vida cristã, para que os batizados católicos estejam firmes na fé, enraizados em Cristo, ‘prontos a dar as razões de sua esperança a quem lhas pedir’.”

O cardeal enfatiza que um elemento fundamental para a iniciação à vida cristã e a formação de discípulos é a Palavra de Deus.

“Os cristãos católicos não podem ignorar a Sagrada Escritura e só conseguirão progredir no ‘conhecimento de Jesus Cristo’, se tiverem constantes e ricos contatos com Deus através de sua Palavra, na Escritura e na vida da Igreja.”

“Segundo a recomendação do papa Bento 16, a ‘animação bíblica’ não deve ser objeto de mais uma ‘pastoral’, mas é preciso fazer a animação bíblica de toda a pastoral.”

O arcebispo de São Paulo destaca ainda que as Diretrizes “indicam as direções para que a Igreja no Brasil seja testemunha da caridade e da esperança e, a exemplo de Jesus, se coloque a serviço da vida plena para todos”.

“A atividade pastoral consiste em fazer como fez o Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir e para que as ovelhas tenham vida e vida plena.”

“As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil precisam, agora, ser assimiladas pelos nossos planos e projetos de pastoral”, assinala o cardeal.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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