Pílula do Dia Seguinte

 Por: Dom Gil Antônio Moreira – Bispo de Jundiaí – 22/04/2008

 
 O assunto é de muita polêmica. Ela é abortiva ou não? Não tenho dúvida que seja, de acordo com a bioética que afirma ter o ser humano seu início na fecundação. Se é abortiva, é anticonstitucional distribuí-la, uma vez que, no Brasil, os únicos casos de aborto legal não prevêem esta modalidade.

Respeitáveis médicos e cientistas, no mundo, no Brasil e em nossa cidade, têm demonstrado, com clareza, os efeitos abortivos do medicamento. Podem ser citados Dr. Jéròme Lejeune, da área mundial, Dra. Lílian Piñeiro Eça, no País, Dr.Eurico Malagodi e Dr.Albino Fávaro Neto, em Jundiaí, entre outros.

Além de seu efeito abortivo, os cientistas afirmam o caráter extremamente agressivo ao organismo feminino, podendo até mesmo causar  óbito.

Em Jundiaí, uma abalizada argumentação do médico, Vereador Dr. Cláudio Miranda, possibilitou à Câmara Municipal aprovar praticamente por unanimidade, com apenas uma abstenção e nenhum voto contrário, a proibição da distribuição do referido medicamento no Município. O conceituado Médico, usando de seus conhecimentos profissionais, demonstrou de forma irrefutável o quanto prejudicial a tal pílula é para o organismo feminino, ‘uma verdadeira bomba hormonal’. O Senhor Prefeito, sabiamente, sancionou a lei.

Causa-me muita estranheza que pessoas inconformadas com a decisão têm afirmado que as autoridades municipais agiram por pressão do bispo diocesano. Infelizmente, o termo tem sido repetido até mesmo por parte da mídia local, mas, a meu ver, sem a devida informação a respeito da veracidade dos fatos. Por isso, julgo ser meu dever informar aos caros jornalistas e aos prezados leitores sobre a verdade na  questão. No exercício da liberdade democrática de emitir minha opinião sobre aspectos importantes da vida pública, não fiz e não faço pressão sobre ninguém, pois sei respeitar a liberdade dos meus semelhantes e tenho a maior atenção ao trabalho sério de nossos governantes, independente de seus partidos. Sabemos que eles não precisam ser pressionados para tomarem suas decisões, uma vez que são dotados de maturidade humana e bastante livres para agirem conforme a sua própria consciência. O fato de manifestar minha simpatia ao projeto de Dr. Cláudio Miranda não pode, honestamente, ser classificado de pressão. Ao Senhor Prefeito não foi nem mesmo necessário dar minha opinião a este respeito. Apenas ouvi dele, em um encontro informal, que  não iria vetar a lei, por dever de consciência.

Não posso crer também que os motivos para a votação unânime tenham tido influência religiosa, pois na Câmara de Jundiaí há vereadores de vários credos, tendo todos votado favoravelmente, com apenas uma abstenção, sendo evangélico inclusive Dr.Cláudio, o autor do projeto de lei.

Nem se pode afirmar que seja um simples resultado da Campanha da Fraternidade, porque o projeto de Dr.Cláudio é do ano passado, portanto anterior à CF.

Também não vejo nenhum interesse eleitoreiro na aprovação da lei, pois o Vereador proponente pertence à oposição política ao Prefeito e este, isento de paixões partidaristas, quis livremente sancioná-la.

Um fato recentíssimo vem corroborar a sábia decisão da Câmara de Jundiaí, que foi a condenação da pílula-do-dia-seguinte, não numa cidade, mas em todo um país, que é o Chile, seguindo o exemplo de outras nações. É necessário também recordar que não foi Jundiaí a primeira cidade brasileira a proibir o uso da tal pílula, havendo ao menos quatro outras que a precederam.

 A eventual desaprovação da referida pílula em outras Câmaras Municipais se tornaria uma realidade, não fosse a pressão de forças do Governo Federal que, incompreensivelmente se negam a aceitar o seu caráter abortivo, contrariando assim a ciência, e não querem enxergar os danos que ela causa às mulheres.

Oxalá o Brasil, constituído de um povo feliz com a vida, francamente contrário a leis abortistas, tenha a coragem de dar uma grande lição ao mundo de respeito à dignidade da vida e do valor incondicional da pessoa humana!

Fonte: http://sol.sapo.pt/blogs/PAZ/default.aspx

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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