Paz depende da valorização da liberdade religiosa

Arcebispo
de São Paulo comenta mensagem do Papa para Dia da Paz

SÃO PAULO,
terça-feira, 11 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – “São inaceitáveis o cerceamento da religião ou
a sua instrumentalização pelo Estado, o que depõe contra a laicidade verdadeira”,
afirma o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer.

“A Igreja
aceita e defende que o Estado seja ‘laico’, não como instância repressora da
religião ou das convicções religiosas da sociedade, mas como garante da
liberdade religiosa, não impondo, nem impedindo a prática religiosa aos
cidadãos.”

Ao comentar
– em artigo na edição desta semana do jornal O São Paulo – a mensagem de
Bento XVI para o Dia Mundial da Paz de 2011, o arcebispo afirma ainda que a
pretensão de excluir os sinais e símbolos religiosos dos espaços públicos “é
intolerância e desprezo pela contribuição positiva da religião para a cultura e
o convívio social”.

“Lamentável
seria se os crentes em Deus tivessem que deixar de lado sua fé, ou renegar a
Deus, para serem reconhecidos como cidadãos de pleno direito”, escreve.

Segundo Dom
Odilo, o Papa na sua mensagem, “ensina que a liberdade religiosa consiste na
possibilidade de expressar, sem restrições ou impedimentos, a própria forma de
crer, ou de não crer e, de acordo com as próprias convicções, de interagir
socialmente”.

“Evidentemente,
respeitados os direitos alheios e a legítima ordem pública. Significa isso que
as pessoas de religião devem ter o direito de se organizar em função da
afirmação e difusão de suas convicções e de contribuir para o convívio social e
o bem comum com suas práticas.”

Como
recorda o arcebispo, a liberdade religiosa “é um direito humano fundamental e
uma conquista da civilização política e jurídica, fazendo parte da Declaração
Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948)”.

“O diálogo
sadio das organizações religiosas com as instituições civis é fundamental para
desenvolver um clima de confiança e a colaboração positiva para o
desenvolvimento integral e harmonioso da pessoa e da sociedade. A busca da
verdade e a colaboração para o bem comum devem marcar esse diálogo.”

“E as
religiões têm a tarefa de ajudar a sociedade a manter a referência aos valores
fundamentais e mais elevados do convívio social, como a dignidade da pessoa e
seus direitos inalienáveis, os valores morais, a esperança e o amor, bem como a
promoção da justiça, da solidariedade social e da paz”, afirma o arcebispo. 

Segundo Dom
Odilo, “aprende-se desde cedo, ou não se aprende, o respeito pela religião dos
outros e pela liberdade religiosa, através da educação na família, na escola e
no convívio social”.

“O exemplo
dos adultos é fundamental na formação das novas gerações para a tolerância
religiosa positiva, o convívio sereno e a colaboração solidária com pessoas de
fé diferente.”

O cardeal
afirma que “o respeito e o apreço pelo outro é condição para que se possa
pretender respeito a si mesmo. Isso, por certo, não avaliza o indiferentismo,
nem o sincretismo religioso; conhecer bem a própria fé e religião é condição
para um diálogo verdadeiro e também a valorização do que é dos outros”.

Para o
arcebispo, os meios de comunicação e os formadores de opinião “têm nisso um
papel educativo determinante, podendo desencadear intolerância, preconceitos e
uma cultura de discriminação religiosa, ou ajudar a criar um clima de respeito
e tolerância”. A paz depende da valorização da liberdade religiosa”, afirma.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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