Pátria e Padroeira

Muitos países de formação cristã-católica têm padroeiros e padroeiras que alimentam a fé e sustentam a devoção de sua população. Dentre os santos e santas, Maria tem uma reconhecida precedência, na teologia, na liturgia e na veneração popular. Com efeito, na Igreja Católica, na veneração aos santos, ocupa um lugar especial o culto a Maria porque está relacionado com o mistério da Encarnação, por ser a Mãe de Jesus Cristo, daí ser chamado de hiperdulia (veneração especial); aos demais santos e santas é chamado dulia (veneração); diferentemente desses é o culto de latria (adoração) que somente é prestado a Deus.

O Brasil é um dos países que têm o catolicismo em sua origem. Com efeito, desde seu início, a população brasileira recebeu uma formação católica, a ponto de conservar os valores religiosos em sua história, entre os quais o culto a santos/as que se tornaram padroeiros/as de cidades, municípios e estados. O culto a Nossa Senhora Aparecida remonta ao século XVIII, “quando pescadores encontraram no rio Paraíba, situado no sudeste do estado de São Paulo, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.” Como a imagem apareceu na rede dos pescadores, passou a ser venerada como “Nossa Senhora da Conceição Aparecida.”

Com o passar do tempo, a devoção a Nossa Senhora Aparecida cresceu entre os católicos, a ponto de ser declarada “padroeira principal do Brasil”, pelo Papa Pio XI, no dia 16 de julho de 1930 e sua “proclamação oficial se deu no Rio de Janeiro, então Capital Federal, no dia 31 de maio de 1931.” Dessa maneira, o Brasil foi consagrado a Nossa Senhora Aparecida: “Senhora Aparecida, o Brasil é vosso! Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente. Paz ao nosso povo! Salvação para a nossa Pátria! Senhora Aparecida, o Brasil vos ama. O Brasil, em vós confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama, Salve Rainha!” “Em 1967, ao completar-se 250 anos da devoção, o Papa Paulo VI ofereceu ao Santuário o Título de “Rosa de Ouro”, reconhecendo a importância da santa devoção. Em 04 de julho de 1980, o Papa João Paulo II, em sua histórica visita ao Brasil, consagrou a Basílica de Nossa Senhora Aparecida em solene missa celebrada, revigorando a devoção à Santa Maria, Mãe de Deus.” Na sociedade, a concessão de um Título de Cidadania ou de uma Medalha de Honra ao Mérito representa sempre um enaltecimento para quem foi distinguido com essa honraria porque isso acrescenta algo em sua vida, como reconhecimento público e “curriculum vitae”. Os títulos concedidos a Maria, na verdade, nada acrescentam a ela, porém, falam mais como expressão da fé e da tradição católica.

Na celebração litúrgica de Nossa Senhora Aparecida, a Igreja reza a Deus por todos os brasileiros, não apenas pelos católicos brasileiros e assim o faz “para que o culto a Nossa Senhora Aparecida seja incentivo à fidelidade do povo brasileiro à sua vocação, que passa pela vivência da paz e da justiça. Celebrar a padroeira do Brasil é lembrar que todos os brasileiros têm a missão de transformar sua pátria em um lugar de justiça e paz.” Milhões de brasileiros procuram o Santuário de Aparecida com a confiança filial em Nossa Senhora: em 2010, foram “mais de 10 milhões de peregrinos.” A grande maioria vai com plena convicção; outros, como o cantor, porque “Me disseram porém, Que eu viesse aqui, Pra pedir, de romaria e prece, Paz nos desalentos, Como eu não sei rezar, Só queria mostrar, Meu olhar, meu olhar, meu olhar. Sou caipira pirapora, Nossa Senhora de Aparecida, Ilumina a mina, escura e funda. O trem da minha vida.”

***
por Dom Genival Saraiva
Bispo de Palmares – PE

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.