Papa ensina sete armas espirituais na luta contra o mal

Quarta-feira,
29 de dezembro de 2010

AP e Reuters – Bento XVI saúda os fiéis reunidos na Sala Paulo VI,
no Vaticano, para a tradicional CatequeseO Santo Padre dedicou a Catequese desta
quarta-feira, 29 – última de 2010 – à figura de Santa Catarina de Bolonha,
seguindo o ciclo de reflexões sobre grandes mulheres da Idade Média.

O Papa
citou o tratado autobiográfico e didático escrito pela santa italiana – As sete
armas espirituais -, que oferece ensinamentos “de grande sabedoria e
profundo discernimento” sobre as tentações do diabo:

1. ter
cuidado e preocupação de trabalhar sempre para o bem;

2. crer
que, sozinhos, nunca poderemos fazer nada de verdadeiramente bom;

3. confiar
em Deus e, por seu amor, não temer nunca a batalha contra o mal, seja no mundo,
seja em nós mesmos;

4. meditar
com frequência nos eventos e palavras da vida de Jesus, sobretudo sua Paixão e
Morte;

5.
recordar-se que devemos morrer;

6. ter fixa
na mente a memória dos bens do Paraíso;

7. ter
familiaridade com a Sagrada Escritura, levando-a sempre no coração para que
oriente todos os pensamentos e todas as ações.

“Um
belo programa de vida espiritual, também hoje, para cada um de nós!”,
exclamou o Pontífice.

 Catequese
de Bento XVI sobre Santa Catarina de Bolonha

“Queridos
amigos, Santa Catarina de Bolonha, com as suas palavras e vida, é um forte
convite a deixarmo-nos sempre guiar por Deus, a cumprir cotidianamente a sua vontade,
também se muitas vezes ela não corresponde aos nossos projetos, a confiar na
sua Providência, que nunca nos deixa sozinhos”, explicou.

Apesar de
todas as tentações e combates espirituais pelos quais passou, Catarina sempre
anda de mãos dadas com o Senhor, nunca o abandona.

“E
caminhando com a mão na mão do Senhor, anda sobre a via justa e encontra o
caminho da luz. Assim, diz também a nós: coragem, também na noite da fé, também
em meio a tantas dúvidas que possam existir, não deixa a mão do Senhor, caminha
com a tua mão na Sua mão, crê na bondade de Deus; assim, andarás sobre a
estrada justa!”, disse o Bispo de Roma.

Bento XVI
também destacou a grande humildade de Catarina, que não desejou ser qualquer
coisa, não desejou aparecer. “Desejou servir, fazer a vontade de Deus,
estar ao serviço dos outros. E exatamente por isso Catarina era credível na
autoridade, porque se podia ver que, para ela, a autoridade era exatamente
servir aos outros”, ressaltou.

Mulher de
vasta cultura, mas humilde. Dedicada à oração, mas sempre pronta a servir.
Generosa no sacrifício, mas cheia de alegria para acolher com Cristo a cruz.
Assim o Pontífice definiu Santa Catarina.

Ela nasce
em Bolonha, na Itália, em 8 de setembro de 1413. As notícias sobre sua infância
são escassas. Aos 10 anos, muda-se com a família para a cidade Ferrara, onde se
torna dama de honra de Margherita, filha do Marquês do local. Começa a ter
acesso a um vasto patrimônio artístico e cultural, que irá valorizar muito
quando iniciar sua vida monástica.

Segundo o
Papa, uma das características que a distingue de modo absolutamente claro é ter
o espírito constantemente voltado para as coisas do Céu. Em 1427, com 14 anos,
deixa a corte para unir-se a um grupo de jovens de famílias nobres que viviam
em comum, consagrando-se a Deus.

Nesta nova
fase da vida, tem notáveis progressos espirituais, mas também são grandes e
terríveis as provações, sofrimentos interiores e tentações do demônio. Vive a
noite do espírito, especialmente pela tentação da incredulidade com relação à
Eucaristia, da qual é consolada pelo Senhor, após tanto sofrer, através de uma
visão. A partir daí, toma consciência da presença real eucarística.

Em 1431,
tem uma visão do juízo final. A terrível cena dos condenados a leva a
intensificar orações e penitência pela salvação dos pecadores.

Catarina
escreve sobre esse combate com o desejo de “alertar sobre as tentações do
demônio, que se esconde frequentemente atrás de aparências enganadoras, para
depois insinuar dúvidas de fé, incertezas vocacionais, sensualidade”,
disse Bento XVI.

No
convento, apesar dos costumes da Corte, desenvolve os serviços mais humildes
com amor e obediência. “Ela vê, de fato, na desobediência aquele orgulho
espiritual que destrói toda outra virtude”, ressalta o Papa.

Em 1456, seu
mosteiro é chamado a criar uma nova fundação em Bolonha. Apesar de
preferir terminar seus dias em Ferrara, o Senhor lhe aparece em visão para que
aceite o encargo de Abadessa na nova missão. Parte com 18 outras irmãs.

No início
de 1463, uma enfermidade se agrava e ela reúne-se com as irmãs em Capítulo pela
última vez, para anunciar a sua morte e recomendar a observância da regra. Em 9
de março de 1463, falece. É canonizada pelo Papa Clemente XI em 22 de maio de 1712. A cidade de Bolonha,
na capela do mosteiro de Corpus Domini, preserva o seu corpo incorrupto.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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