Os pais

Na sociedade materializada de hoje, na qual
os meios de comunicação social contribuem, tantas vezes, para levar os filhos a
menoscabarem os pais, estes, inclusive, até objeto de remoque, é sempre
oportuno recordar os deveres para com os progenitores sobretudo no segundo
domingo de agosto de cada ano.

Na sociedade fundada sobre
os vínculos naturais do sangue, oriunda do amor de dois seres racionais, os
quais sob as bênçãos de Deus se uniram para propagação do gênero humano, há
quatro aspectos fundamentais no que tange a relação dos filhos para com seus
pais.

Em primeiro lugar o amor,
fruto da piedade filial. Como os pais são os representantes legítimos de Deus
junto dos filhos a dileção destes para com eles deve ser idêntica à que se
devota ao Ser Supremo.

Adite-se que os pais são o
princípio do desenvolvimento físico, intelectual e moral daqueles que eles
geraram.

Trata-se de um amor filial
afetivo, efetivo, desinteressado e sobrenatural que deve se manifestar em
palavras e em obras. Nada
dignifica tanto um filho como o modo pelo qual ele patenteia sua dileção a seus
pais!

Ao amor se une o respeito
dada a dignidade de que os pais se acham revestidos. Se um pai ou uma mãe não
procede bem é a hora do filho rezar, ter compreensão e tirar uma ótima lição de
vida: que procure tal filho estudar, trabalhar e edificar um lar onde haja paz
e harmonia.

Nunca um filho deve debochar
de seus pais. Lembrem-se sempre do que aconteceu com Noé. Diz a Bíblia que
“bebendo vinho, embriagou-se e ficou nu dentro de sua tenda” (Gên
9,20) Cam, pai de Canaã desrespeitou Noé, enquanto seus irmãos Sem e Jafé,
respeitosamente, cobriram o pai. Quando Noé acordou de sua embriaguez,
amaldiçoou Canaã e lançou as bênçãos sobre Sem e Jafé. As palavras eficazes de
Noé se realizaram, sendo que a raça de Canaã foi submetida a Sem, pai de Abraão
e dos israelitas, cujos descendentes prosperaram às custas de Sem. Os filhos de
Jafé prosperaram e povoaram a Ásia Menor e as ilhas do Mediterrâneo.

É a bênção dos pais que
edifica a casa dos filhos. Diz o Livro do Eclesiástico que “a bênção do
pai consolida a casa dos filhos, mas a maldição da mãe desenraíza os
alicerces” (Ecl 3,9). Ai, porém, daqueles que são amaldiçoados justamente
por seus pais!

Dentre os deveres dos filhos
avulta também a obediência. É o que preceitua o livro dos Provérbios: “Dá
ouvido à autoridade de teu pai e não esqueças os conselhos de tua mãe; assim
terás graça sobre a tua cabeça e um colar para o teu pescoço” (Pv 1,8). O
Apóstolo Paulo foi claro: “Filhos, obedecei em Deus a vossos pais como é
justo” (Ef 6,1). A tudo isto se acrescente a gratidão que projeta pela
vida afora os sentimentos de amor, respeito.

Por outro lado há também os
deveres dos pais para com seus filhos, sempre vistos como um dom de Deus. Daí o
cuidado com sua saúde e desenvolvimento físico; o devotamento à sua educação
intelectual, moral e espiritual. Cabe aos pais encaminhar os filhos para uma
autonomia completa no exercício de uma profissão e na constituição de uma nova
família. Todo este acompanhamento cumpre seja feito com perspicácia para não
provocar as reações contrárias, mesmo porque será o exemplo de uma vida
profundamente cristã que fixará rumos certos na existência dos educandos.

Tantos filhos desavisados,
porém, não têm um mínimo de respeito para com seus pais, sobretudo se já em
avançada idade! Receberam tudo deles e depois pagam ingratamente com seus
gestos grotescos tanto sacrifício e abnegação.

Tudo que os pais dizem aos
filhos é para o bem dos mesmos e tais palavras deveriam sempre ser analisadas.
O problema é que há uma tendência natural para cada um cair na defensiva e
procurar uma desculpa para os atos mais aberrantes. Além disto, o cuidado com
os pais idosos é uma obrigação elementar dos filhos. Nada é tão urgente e
necessário do que reapertar os laços familiares e dar estabilidade aos lares.
Neles é que se plasmam os caracteres e se formam aqueles que, verdadeiros
epígonos do Filho de Deus, serão os grandes e verdadeiros beneméritos da
sociedade.

Os que se enriquecem com as
desgraças alheias, como os traficantes e os promotores de cassinos, de motéis e
outros centros de vícios os mais hediondos, são os que tramam diabolicamente
contra a família. É no lar verdadeiramente cristão que está a salvação da
humanidade, mesmo porque filhos bem formados prosseguirão o belo trabalho de
seus pais, passando de geração em geração aqueles valores que engrandecem o ser
humano e edificam a sociedade.

Hoje, mais do que nunca, o
autêntico pai de família é a salvação da sociedade. É preciso que os pais nunca
traumatizem os filhos ou os deixem frustrados, jamais permitindo que a paz se
ausente do lar. Neste, pequena igreja, reine sempre a compreensão, a harmonia
que oferecem um clima salutar para o progresso de todos.

O pai de família é o
baluarte do cultivo dos valores evangélicos. Seu modelo supremo é o próprio
Deus, Pai desvelado que por todos vela e a todos cumula de bens
extraordinários. O pai de família é deste Ser Supremo a imagem visível.
Maravilhosa sua missão nesta terra!

Mariana, 12/8/2002Côn. José Geraldo
Vidigal de CarvalhoFonte: CatolicaNet

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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