Os Mórmons

Os pseudocristãos

Chamam-se “pseudocristãs” aquelas denominações protestantes que, embora guardem elementos cio cristianismo, já não correspondem à genuína mensagem do Evangelho. Sobrepõem a este uma nova revelação (o Livro de Mórmon, por exemplo)ou um novo modo de ler, que já não conserva as linhas essenciais do cristianismo: Deus uno e trino, Jesus Deus e homem, Salvador do mundo por sua morte expiatória. Duas modalidades desse pseudocristianismo vão, a seguir, apresentadas: a dos mórmons e a das testemunhas de Jeová

Os Mórmons

“Eu, Nefi, tendo nascido de boa família, fui, portanto, instruído sobre alguma coisa de todo o conhecimento de meu pai; e tendo padecido muito no correr de minha vida, fui, não obstante, altamente favorecido pelo Senhor; sim, havendo adquirido um grande conhecimento da bondade e dos mistérios de Deus, faço, portanto, um registro de meus atos durante a minha vida” (O Livro de Mórmon, cap. 1).

Assim começa o principal livro dos mórmons ou “santos dos últimos dias”, derivação religiosa protestante que passamos a estudar.

O fundador Joseph Smith (1805-1844)

Nascido nos Estados Unidos, Joseph desde cedo se mostrou propenso a inventar histórias maravilhosas. Não era muito amigo da leitura e mal conhecia a Bíblia, embora fosse de família metodista. Refere ele que, em 1820, teve a visão de dois anjos que lhe deram a ordem de não se filiar a crença religiosa alguma, pois haveria de restaurar “a Igreja cristã primitiva”.

Uma segunda visão se deu em 21/9/1822, quando Joseph foi “visitado” por uma figura fulgurante, que dizia ser o anjo Moroni; este lhe anunciou que ele (Joseph) haveria de descobrir placas de ouro ocultas, nas quais se achava escrita a história maravilhosa do povo de Deus na América. Finalmente, em 22/9/1827, o mesmo anjo o levou a encontrar as famosas placas, após haver cavado o cume da colina de Cumorah.

O texto da mensagem era atribuído pelo anjo a um rei chamado Mórmon (daí o nome “mórmon” que a Joseph Smith e seus seguidores foi dado posteriormente). O documento estava redigido em idioma que Smith chamava “língua egípcia reformada”, e que ele desconhecia. Para o entender, Moroni forneceu ao vidente duas pedras maravilhosas (Urim e Tumim), que comunicavam a necessária compreensão do texto.

Dizia o jovem que quem ousasse lançar um olhar para as placas de ouro, morreria imediatamente. Por isso Smith, nos tempos subsequentes, colocavam-se por trás de uma cortina e lá ditava a tradução da mensagem das placas a um secretário, um modesto camponês chamado Martin Harris. Em junho de 1829 estava terminada a tradução inglesa do Livro de Mórmon, a qual foi impressa e publicada cm 1830. Sem demora, o anjo arrebatou as placas, de sorte que jamais foram vistas pelo público. Apenas (eis urna declaração colocada no início de cada exemplar do referido livro) três discípulos de Smith as puderam contemplar numa visão posterior, e atestaram esta visão com juramento.

Juntamente com a mensagem de Mórmon, Joseph dizia ter recebido a missão de fundar uma Igreja, que seria a restauração da antiga Igreja de Cristo e dos apóstolos. Com alguns poucos companheiros, portanto, fundou a nova comunidade em 6/4/1830 no Estado de Nova Iorque (EUA). Esta agredia os que a ela não se filiassem, como se fossem pagãos; por isso, os discípulos de Smith foram expulsos de localidade em localidade, até se fixarem no Estado de Illinois, onde fundaram a cidade de Nauvoo (Nova Sião).

O governo do Estado concedeu aos mórmons autorização para viverem em certa independência, com poder legislativo, judiciário e executivo próprios, além do direito de manter um exército para sua defesa, sob o comando de Joseph Smith. Este fundou também um grandioso templo e uma universidade, chegando a se candidatar à Presidência da República dos Esta (1 os Unidos em 1843. Joseph disseminou pregadores para divulgar o seu programa, no qual estava incluído o resgate dos escravos.

Contudo, a situação evoluiu desfavoravelmente… Smith resolveu proclamar em público uma doutrina que lhe fora “revelada” particularmente e que já era posta em prática na sua comunidade: a doutrina do “matrimônio celeste” ou da poligamia. Isso provocou a animosidade das populações vizinhas de Nauvoo, populações estas que haviam recebido com simpatia “os santos dos últimos dias”.

Os jornais da região incitaram, então, os cidadãos à guerra contra os crentes; estes responderam arregimentando as suas tropas. Isso bastou para que o governador do Estado acusasse Smith de alta traição. O vidente quis então fugir; não o fez, porém, visto que seus companheiros o consideravam como covarde. Resolveu se entregar aos juízes civis, que o colocaram no cárcere. Contudo, a multidão não se conteve invadiu a prisão em 27/6/1844 e pôs fim violento à vida de Joseph e seu irmão Hyrum Smith. O fundador tinha, na ocasião, 39 anos de idade, e veio a ser considerado como mártir e símbolo sagrado por seus discípulos que, apesar de enfrentarem novas dificuldades, foram expandindo suas idéias até hoje.

A mensagem dos mórmons

Os mórmons contam do seguinte modo a sua história: após a confusão das línguas em Babel (cf. Gn 11), a tribo de Jered emigrou da Ásia para a América. Contudo, já que se constituía de homens maus, Deus permitiu que fosse punida por muitas guerras e calamidades públicas, de modo que estava para se extinguir em 600 a.C. Nessa época, porém, vivia na Palestina um profeta chamado Lehi, da tribo israelita de Monassés, que foi avisado por Deus de que em breve (586 a.C.) Jerusalém cairia sob os golpes de Nabucodonosor; por isso, Lehi veio com outros israelitas para a América, onde encontrou os últimos descendentes de Jared.

Uma vez morto Lehi, houve divergências entre os seus dois filhos, Nefi e Lamã que, em conseqüência, separaram-se um do outro. A tribo de Nefi se conservou fiel a   Javé, ao passo que os descendentes de Lamã prevaricaram; como castigo, Deus deixou que a cor de sua pele se tornasse vermelha – são hoje em dia os índios ou aborígenes da América. Quando Cristo esteve sobre a terra, visitou os nefitas na América após a sua ressurreição. Dois ou três séculos depois de Cristo, também os nefitas (de pele branca) pecaram gravemente e foram exterminados pelos lamanitas ou índios.

Contudo, o último rei e patriarca nefita, Mórmon, antes de morrer escreveu a história de seu povo sobre placas de ouro, que ele entregou a seu filho Moroni; este escondeu tão precioso depósito no alto da colina de Comorah, onde finalmente Joseph Smith no século passado, sob a guia do anjo Moroni, viria a descobri-lo. Dai se origina o Livro de Mórmom, que é, conforme os seus adeptos, “a Terceira Revelação” (enumerada após o Antigo e o Novo Testamento); à luz de tal livro é que a Bíblia deve ser relida, como dizem!

Na base de tais revelações, os mórmons professam a seguinte doutrina: existe um Deus, que é “Pai, Filho e Espírito Santo”; o Pai, porém, tem carne e osso; quanto ao Filho e ao Espírito, são apenas emanações do Pai.

O homem é eterno: viveu no Reino de Deus antes de aparecer sobre a terra. Neste mundo as pessoas não têm lembrança dessa sua existência passada, a fim de poderem aceitar ou recusar livremente o Evangelho. Caso não cheguem a conhecer o Evangelho na vida presente, poderão conhecê-lo após a morte, e se salvarão em um batismo póstumo.

O batismo póstumo é uma das práticas mais estranhas do mormonismo. É administrado por presumida procuração aos descendentes dos defuntos. A descendência é meticulosamente examinada em tabelas genealógicas, que os mórmons consultam (se necessário) em arquivos espalhados pelo mundo inteiro. Assim, os descendentes podem obter a graça de Deus para seus antepassados que não conheceram a Revelação divina.

Também se pratica o matrimônio pelos mortos. Uma mulher que faleça sem se ter casado nesta vida, pode ser, pelos seus familiares sobreviventes, ligada a um homem no além. Em caso contrário, seria prejudicada em sua bem-aventurança póstuma. Diz, com efeito, a Revelação n° 132: “Aqueles que não passam por esse sacramento (do matrimônio), só podem aspirar à dignidade de anjos, ao passo que os eleitos podem esperar se elevar até à dignidade de deuses”. Os mórmons já não exercem a poligamia, dada a repulsa que este costume suscitou na sociedade norte-americana.

Poderíamos relatar muitas outras crenças e práticas estranhas dos mórmons, que bem evidenciam o quanto essa corrente religiosa é fantasista e pouco merecedora de crédito!

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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