Os incríveis números do aborto no Brasil

Que os números relacionados
ao aborto no Brasil costumam ser “inflacionados” pelos defensores da
sua descriminalização, é algo sabido. Mesmo assim, causou-me surpresa o artigo
publicado dia 17/02 no site do Estadão, do qual trago aqui alguns trechos.

“ONU critica legislação
brasileira e cobra país por mortes em abortos de risco- Entidade destacou o
fato de 200 mil mulheres morrerem em cirurgias clandestinas anualmente. O
governo de Dilma Rousseff foi colocado nesta sexta-feira, 17, contra a parede
pelos peritos da ONU, que acusam o Executivo de falta de ação sobre a morte de
200 mil mulheres por ano por conta de abortos inseguros e pedem que o País
supere suas diferenças políticas e de opinião para salvar essas vítimas.”

Um pouco adiante, diz o
mesmo artigo:

“A ministra admitiu que
o aborto estava entre as cinco principais causas de mortes de mulheres no
Brasil”

Pergunto-me onde os peritos
da ONU e a própria ministra obtiveram seus dados. E, se a ministra sabe que o
aborto está “entre as cinco principais causas”, se deu-se ao trabalho
de verificar os números. Vamos a eles, todos obtidos nas páginas do próprio
governo, concretamente o DataSUS.

O último ano a ter os seus
números totalmente consolidados é o de 2.010. Nesse ano, os óbitos de mulheres
em idade fértil – por todas as causas – somam 66.323. Destes, os devidos a
gravidez, parto ou aborto foram 1.162. Restringindo-nos apenas a aborto, temos
83 mortes. Isso mesmo, oitenta e três. Portanto, bastaria à nossa Ministra
dizer a verdade, ou seja, que o número apresentado pela
“especialista” da ONU é totalmente absurdo. Ou teria ela recebido
este número do Brasil? É algo que ainda precisa ser verificado.

Podem argumentar que o
aborto é clandestino, havendo, portanto uma subnotificação. Mas onde estão
enterradas essas mulheres? Foram sepultadas sem um atestado de óbito!? Não, em
relação às mortes maternas o número de óbitos está bem registrado. Aliás, se o
aborto está entre as cinco principais causas, supondo números equivalentes,
teríamos um milhão de mulheres em idade fértil morrendo anualmente no Brasil. O
país estaria em extinção.

Mas temos que considerar
que, provavelmente, morrem mesmo centenas de milhares de mulheres (e outro
tanto de homens) por aborto a cada ano. Morrem antes mesmo de nascer,
abortadas. E deixam em suas mães as marcas físicas e psicológicas de ter
realizado um aborto – seja ele clandestino ou não. Este é o verdadeiro
“problema de saúde pública” a ser enfrentado.

Atualizando: o Ministro da
Saúde percebeu a farsa dos números. Esperemos que ele se mantenha no propósito
de atacar as reais causas da mortalidade materna.

 

Por Lenise Garcia

Fonte:http://brasilsemaborto.wordpress.com/2012/02/19/os-incriveis-numeros-do-aborto-no-brasil/

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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