Os Dogmas da Igreja – Parte 5

A Igreja recebeu de Cristo o Poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo
Define o Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1565):

“…foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o poder de perdoar e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos depois do Batismo.” (Com. 3; Dz. 894).

Sagradas Escrituras:
Mt 16,19: “Eu te darei as chaves do reino de os céus.” – O possuidor das chaves do Reino dos céus tem a plena potestade para admitir ou excluir qualquer pessoa deste Reino.

Jo 20,21: “… a quem perdoares os pecados, lhes serão perdoados, a quem não perdoares, lhes serão retidos…”.

Assim como Jesus tinha perdoado os pecados durante sua vida terrena (cf. Mt 9,2; Mc 2,5; Lc 5,20), assim também agora participa a seus Apóstolos esse poder de perdoar. As palavras de Jesus Cristo se referem ao perdão real dos pecados pelo Sacramento da Penitência (Dz. 913).

O poder de perdoar não foi concedido aos Apóstolos como carisma pessoal, mas sim à Igreja como instituição permanente para passá-lo aos sucessores dos Apóstolos.

A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a Salvação
Diz o Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555):

“Se alguém disser que a Confissão Sacramental não foi instituída ou não é necessária para a salvação, por direito divino, ou disser que o modo de confessar secretamente apenas com o sacerdote, como a Igreja Católica sempre observou desde o princípio e segue observando, é alheio à instituição e mandato de Cristo e é uma intervenção humana, seja excomungado.” (Dz. 916).

Os reformadores, negaram que a Confissão particular dos pecados fosse de instituição Divina e necessária para a salvação.

Sagradas Escrituras:
Não se expressa diretamente a instituição Divina da Confissão particular mas se deduz: o poder para reter ou perdoar não se pode exercer devidamente se aquele que possui tal poder não conhece a culpa da disposição do penitente. Para ele é necessário que o penitente se acuse.
O Papa Leão Magno, contra os abusos da confissão pública declarou: “basta indicar a culpa da consciência apenas aos sacerdotes mediante confissão secreta.” (Dz. 145).

A Eucaristia é Verdadeiro Sacramento Instituído por Cristo
 O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), expressa:

“Se alguém disser que os Sacramentos da nova Lei não foram instituídos todos por Jesus Cristo, e que são sete: Batismo, Eucaristia… e que algum destes não é verdadeiro e propriamente Sacramento, seja excomungado.”

Sagradas Escrituras:
O feito de que Cristo instituiu a Eucaristia se vê em suas palavras: “Fazei isto em memória de Mim…” (Lc 22,19). Nelas se cumprem todas as notas essenciais da definição do Sacramento:
A matéria: o pão e vinho.
A forma: as palavras da consagração.
A graça interna: indicada e produzida pelo signo é a união com Cristo e a vida eterna:
“Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele” (Jo 6,56).
“Aquele que come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a vida eterna.” (Jo 6,54).

Cristo está presente no Sacramento do Altar pela transubstanciação do pão em seu Corpo e toda Substância do vinho em Seu Sangue
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555), declara:

“Se alguém disser que no sacrossanto Sacramento da Eucaristia permanece as substâncias do pão e do vinho, juntamente com o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, e negar aquela maravilhosa e singular conversão de toda a substância do pão e do vinho em Corpo e Sangue, permanecendo apenas as espécies de pão e vinho, conversão essa que a Igreja muito corretamente chama ‘Transubstanciação’, seja excomungado.” (Dz. 884-877).

“Transubstanciação” é uma conversão no sentido passivo; é o trânsito de uma coisa a outra. Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois sucedem em seus lugares o Corpo e o Sangue de Cristo. A Transubstanciação é uma conversão milagrosa e singular diferente das conversões naturais, porque não apenas a matéria como também a forma do pão e do vinho são convertidas; apenas os acidentes permanecem sem mudar: continuamos vendo o pão e o vinho, mas substancialmente já não o são, porque neles está realmente o Corpo, o Sangue, Alma e Divindade de Cristo.

Sagradas Escrituras:
Mc 14,22: “Tomai, este é Meu Corpo…”.
Lc 22,19: “Tomou o pão, e dando graças o deu a seus discípulos dizendo: Este é Meu Corpo…”.

A Unção dos Enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555), declara:

“Se alguém disser que a Extrema Unção não é verdadeira e propriamente um Sacramento instituído por Cristo, nosso Senhor, e promulgado pelo bem-aventurado São Tiago Apóstolo, mas apenas um rito aceito pelos padres ou uma invenção humana, seja excomungado.” (Dz. 926).

Pio X condenou a sentença modernista que pretende que o Apóstolo São Tiago tenha, em sua carta, apenas recomendado uma prática piedosa (Dz. 2048).

Sagradas Escrituras.
Mc 6,13: “Expulsavam muitos demônios e ungiam com azeite a muitos enfermos e os curavam”.
Tg 5,14: “Existe algum enfermo entre nós? Façamos a unção do mesmo em nome do Senhor…”

Esta última passagem expressa as notas essenciais do Sacramento:
Sinal exterior da graça: óleo.
Matéria e forma: oração dos presbíteros.
Efeito interior da graça expresso no perdão dos pecados.
A instituição por Cristo: “no nome do Senhor”, “por encargo e autoridade do Senhor.” cf. Tg 5,10.

A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo
O Concílio de Trento 1545-1563, sob Pio IV (1559-1565), afirma:

“Se alguém disser que no Novo Testamento não existe um sacerdócio visível e externo, ou que não se dá poder algum de consagrar e oferecer o verdadeiro Corpo e Sangue do Senhor e de perdoar os pecados, mas sim, apenas o dever e mero ministério de pregar o Evangelho…seja excomungado.” (Dz. 961).

Como se vê, existe na Igreja um sacerdócio visível e externo: “Se alguém disser que na Igreja católica não existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de Bispos, Presbíteros e Ministros, seja excomungado.” (Dz. 966). E é uma hierarquia instituída por ordenação divina.

Sagradas Escrituras:
At 6,6: “Os quais (7 varões) foram apresentados aos Apóstolos, os quais, orando, lhes impuseram as mãos” – Instituição dos diáconos.

At 14,22: “Os constituíram presbíteros pela imposição das mãos”.

O Matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Pio IV (1559-1565), declara:

“Se alguém disser que o matrimônio não é verdadeiro e propriamente um dos sete Sacramentos da Lei do Eangelho, e instituído por Cristo Senhor, mas sim inventado pelos homens da Igreja, e que não confere a graça, seja excomungado” (Dz. 971).

Sagradas Escrituras:
Mt 19,6: “Assim, pois, já não são dois, mas apenas uma só carne”.

Gn 2,23: “Pelo qual, abandonará o homem a seu pai e a sua mãe, e se juntará a sua mulher, e serão dois em uma só carne”.

Mc 10,9: “O que Deus uniu o homem não o separe”.

Ef 5,32: “Este Sacramento é grande mais em Cristo e na Igreja”.

O Matrimônio, como instituição natural, é de origem divina. Deus criou os seres humanos varão e fêmea (cf. Gn. 1,27) e depositou na mesma natureza humana o instinto de procriação. Deus abençoou o primeiro casal e lhes ordenou que se multiplicassem: “crescei e multiplicai, e povoai a terra” (Gn 1,28).
Cristo restaurou o matrimônio instituído e bendito por Deus, fazendo que recobrasse seu primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a dignidade de Sacramento.


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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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