Os Batistas

Os batistas têm por fundador o inglês John Smyth. Ele foi,
primeiramente, pastor anglicano. Movido pelo espírito reacionário que agitava
não poucos cristãos de sua pátria, queria uma reforma ainda mais radical do que
a anglicana; em particular, não se conformava com a organização hierárquica
(episcopal) e a liturgia dos anglicanos, que ele julgava supérfluas.

Os batistas vêm a ser uma das denominações protestantes hoje
em dia mais ativas. Examinemos a sua origem e o seu credo.

 

Origem

 

Os batistas, em geral, não têm idéias muito claras sobre as
origens da sua denominação. Certo é que não se prende nem a São João Batista e
nem a discípulos deste grande santo, como dizem alguns. Não há, em absoluto,
documentos e nem indícios de continuidade entre São João Batista e os batistas
de hoje. Ao contrário, claros testemunhos da história apontam os inícios do
movimento batista no século XVI d.C.

Com efeito, sabei nos que, no século XVI, a partir de 1517,
Martinho Lutero empreendeu a Reforma Protestante, contestando a Igreja-Mãe ou o
catolicismo; era muito caloroso em
suas interpelações e se sentia apoiado pelos príncipes e nobres alemães da
época, que alimentavam uma ponta de nacionalismo germânico. Todavia, um grupo
de cristãos, chefiado por Thomas Munzer; Balthasar Hubmaier, Geoge Baulrock,
Ludwing Hoetzer, julgava que Lutero não ia suficientemente longe nos seus
propósitos reformadores. Na Alemanha e na Suíça começaram, então, a apregoar
uma Igreja, em grau máximo, espiritual, sem hierarquia visível e constituída,
exclusivamente, pela adesão consciente dos homens à Palavra de Deus. O sinal
característico  dessa nova Igreja seria o
batismo, a ser ministrado aos adultos, não às crianças, de sorte que os membros
do grupo batizavam de novo os fiéis que lhes aderiam; daí o                                                 nome
de “anabatistas” ou “rebatizadores” que lhes foi dado. O movimento anabatista
sofreu forte repressão por parte de Lutero, Zvínglio e dos príncipes alemães.
Desencadeou revoltas fanáticas, das quais a mais famosa é a dos camponeses,
cujo chefe, Thomas Munzer, foi decapi­tado em 1525. Não poucos anabatistas,
fugindo à perseguição, começaram a propagar suas idéias na Itália, na Holanda,
na Inglaterra e na Escandinávia, onde subsistem até hoje em pequenos grupos.

Mais importantes são as ramificações que procederam do
tronco anabatista, como são os menonitas (de Memo Simons, + 1559), os irmãos
hutterianos (de Tiago Hutter), a Igreja dos Irmãos nos Estados Unidos da
América do Norte, a Igreja dos Irmãos Evangélicos Unidos e a Igreja Batista – de
todas, a mais numerosa.

Os batistas
têm por fundador o inglês John Smyth (+ 1617). Foi, primei­ramente, pastor
anglicano. Movido pelo espírito reacionário que agitava não poucos cristãos de
sua pátria, queria uma reforma ainda mais radical do que a anglicana; em
particular, não se conformava com a organização hierárquica (episcopal) e a
liturgia dos anglicanos, que ele julgava supérfluas. Por isso formou, em
Gainsborough, uma pequena comunidade dissidente do anglicanismo, no ano de
1604; foi, porém, obrigado a se exilar com os seus companheiros, indo ter a
Amsterdam (Holanda), onde o calvinismo predominava.

No exílio,
viveu em casa de um padeiro menonita, que o persuadiu de que era inválido o
batismo conferido às crianças (tese anabatista). Smyth então administrou a si
mesmo um segundo batismo, de cujo valor, porém, começou a duvidar. Em
conseqüência, seus companheiros, por ele convencidos da tese anabatista, o
expulsaram da comunidade; Smyth não conseguiu ser admitido nem mesmo entre os
menonitas, aos quais pedira acolhimento.

Em 1612, um grupo de seus discípulos voltou à Inglaterra, e
lá fundou a primeira Igreja Batista (não mais Anabatista), também chamada
“dos Batistas Gerais”, porque, contrariamente à doutrina calvinista,
ensinava que Cristo, pela cruz, salvou todos os fiéis. Outros grupos Se
formaram pouco depois, ditos “dos Batistas Regulares ou
Particulares”. Com efeito, em 1641 outra pequena comunidade de dissidentes
do anglicanismo, em Londres, conven­ceu-se da tese anabatista; mandou, então,
um de seus membros, Ricardo Biunt, a Rijunsburg, na Holanda, a fim de pedir o
batismo de adulto à seita do dompelaer (ramo
menonita) e levar à Inglaterra o “verdadeiro batismo”. Blount se
desincumbiu de sua missão e, voltando em 1641, rebatizou por imersão (única
forma de batismo reconhecida por esses grupos) 55 membros da comunidade de
Londres; aceitou do calvinismo holandês a doutrina de que Cristo salva somente
os predestinados – donde o nome de “Batistas Particulares” que lhes
coube.

Hoje em dia se contam mais de 20 ramos batistas, que em 1905
se uniram de maneira um tanto vaga na “Liga Mundial Batista”; são,
entre outros, os batistas calvinistas, os batistas congregacionalistas, os
batistas pri­mitivos, os batistas do livre pensamento, os batistas dos seis princípios
(por­que aceitam como único fundamento da fé e da vida cristã os seis pontos
mencionados em Hb 6,1s: arrependimento, fé, batismo, imposição das mãos,
ressurreição dos mortos, juízo eterno), os batistas tunkers, os batistas
campbellitas, os batizantes a si mesmos, os batistas abertos, os batistas fecha­dos,
os batistas do sétimo dia (observantes do sábado e não do domingo), etc.

Cada comunidade batista é independente de qualquer
autoridade visí­vel, seja eclesiástica, seja civil, é regida diretamente por
Jesus Cristo e pelo Espirito Santo”, que agem na assembléia – não há,
portanto, hie­rarquia nem jurisdição eclesiástica. O pastor é, de certo modo, o
governante absoluto da comuni­dade, esta, porém, pode rejeitá-­lo e substituir
por outro. Todo po­der é delegado pela assembléia dos cientes, que elege os que
por ela respondem, tanto pastores como diáconos.

        

 

 

 

Doutrina:

 

Em sua teologia, os batistas seguem teses calvinistas. Assim
por exemplo ensinam que Deus predestina 
homens, diretamen­te, não só para a glória, mas também para a condenação
eterna. Afirmam também que a justifica­ção ou a graça é obtida median­te a fé
apenas, de tal modo que não admitem obras meritórias. A graça não apaga o
pecado exis­tente na alma do Crente, mas tão-somente o encobre. Os ritos do
batismo e da Santa Ceia não são meios comunicadores da graça (que vem somente
pela fé), mas servem apenas para fortalecer aqueles que os praticam com fé.

Como no protestantismo em geral, a Bíblia é tida como única
fonte de  doutrina, sem que haja atenção
à tradição oral  ou à transmissão da
doutrina de Cristo e dos apóstolos, que se fez de boca em boca e de geração em
geração, sem ser consignada no Livro Sagrado. Esta posição básica dos pro­testantes
dá origem às numerosas denominações, no início de cada uma das quais há um
“profeta” iluminado que interpreta a Bíblia a seu modo.

            Na
verdade, afastam-se da tradição bíblica e cristã aqueles que só querem batizar
crianças. Lemos, sim, que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e
se fizeram batizar “com toda a sua casa”; assim o centurião romano
Cornélio (At 10, 1s, 24,44,47s), a negociante Lídia de Filipos (At 16,14s), o
carcereiro de Filipos (At 16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8) e a família de
Estéfanas (1Cor 1,46). A expressão “casa” (oikos, em grego) designava o chefe de família com todos os seus
domésticos, inclusive, as crianças.

Quanto á imersão, ela não é
obrigatória, pois não é o volume de água que importa, mas sim a efusão da água
como símbolo e canal de pureza interior. No dia de Pentecostes, em Jerusalém,
as três mil pessoas que se converteram certamente não foram batizadas por
imersão, pois lá não havia rio e os reservatórios de água não comportavam tal
quantidade de pessoas (cf. At 2,41).

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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