Orientação ou confusão sexual?

O fato não obteve a divulgação que merecia, como acontece cada vez que uma notícia contraria os interesses de empresas ou instituições que controlam o poder econômico. Em abril de 2010, depois de anos de pesquisas clínicas e observações rigorosas, o Instituto “American College of Pediatricians”, dos Estados Unidos, divulgou uma série de estudos que determinam, de maneira inequívoca, que o desejo dos adolescentes de assumirem o sexo oposto constitui um estágio de desenvolvimento normal e temporário.

Em sua advertência às escolas e aos adultos responsáveis, a entidade pede que não se aproveite da indefinição que caracteriza a adolescência para estimular a confusão sexual: «A maior parte das crianças e dos adolescentes com Desordem de Identidade de Gênero perde essas tendências durante a puberdade – se este comportamento não for reforçado. Quando alguém estimula uma criança ou adolescente a se comportar ou ser tratado como se fosse de outro sexo, a confusão é reforçada e a criança fica condicionada a uma conduta dolorosa e sofrida sem necessidade».

Por sua vez, o Presidente do Instituto, Dr. Tom Benton, explica que «a adolescência é um período de agitação e efemeridade. Os adolescentes estão confusos sobre muitas coisas, começando pela orientação sexual e pela identidade de gênero, demonstrando-se particularmente vulneráveis às influencias do ambiente que os cerca».

Se tudo isso for verdade, pode-se imaginar a calamidade que é o assim denominado “kit-gay”, encomendado pelo Ministério da Educação para ser distribuído em todas as escolas públicas do país. Preparados e incentivados por entidades GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), os vídeos e a cartilha são uma aberração destinada a minar os fundamentos da ética e da moral. Por detrás de uma fachada anti-homofóbica, o kit tenta incutir nas crianças e adolescentes a noção de que ser gay, lésbica e bissexual não é apenas perfeitamente normal, mas até mesmo “chique”. Pela oposição levantada por dezenas de instituições, o kit não chegou a ser distribuído, mas revela a força que as organizações gays adquiriram nestes últimos anos no Brasil e no mundo.

O pluralismo cultural e o relativismo ético solapam os alicerces da sociedade ao incentivar os adolescentes e os jovens a seguirem a orientação sexual que quiserem, sem se importar com normas e tradições legadas pela própria constituição espiritual, psíquica e biológica do ser humano. Mas, de acordo com esse princípio, nada impede que, num futuro próximo, até mesmo a pedofilia e a zoofilia sejam acolhidas como uma simples opção individual. Cada um é livre de fazer o que quiser, contanto que encontre aceitação e concordância da parte do parceiro…

A Igreja – “perita em humanidade”, como foi definida pelo Papa Paulo VI – não pode concordar com nada que avilte a dignidade humana. Mas, não se contenta em proibir e condenar, como atesta o “Catecismo da Igreja Católica”, publicado em 1997: «Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição».

Frei Antônio Moser em seu volume “Casado ou solteiro, você pode ser feliz”, publicado em 2006, vai um pouco mais além e lembra que «a busca da identidade e o empenho na organização pessoal de acordo com esta identidade constituem um desafio ético primordial. Não é a tendência nem a orientação sexual que determinam a condição ética de uma pessoa, e sim o seu empenho em conhecer a própria identidade e organizar-se espiritual e afetivamente da melhor maneira possível. Isso vale tanto para as pessoas hétero quanto para os homossexuais. Ser hétero ou homo é adjetivo: ser pessoa humana, com vocação divina, é substantivo».

Assim – parafraseando o título de seu livro – todos podem ser felizes… se colocarem a sexualidade a serviço do amor, de acordo com o projeto de Deus.

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Dom Redovino Rizzardo

Bispo de Dourados (MS)

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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