Organização católica da França perde caso contra obra de arte blasfema

Jeanne Smits, correspondente em Paris

27 de abril de 2011 (Notícias Pró-Família) – Uma organização católica de defesa de direitos na França recebeu ordem na semana passada de pagar um total de 8.000 euros (mais de 11.600 dólares) em prejuízos e despesas legais aos organizadores de uma exibição de arte contemporânea em Avinhão (sul da França). A organização havia pedido a um tribunal local que ordenasse a remoção de imagens da peça de “arte” anticristã “Mijem no Cristo”, do site da exibição e da propaganda pública através de pôsteres na cidade.

A fotografia polêmica de um crucifixo imerso num jarro cheio da urina do artista virou manchete internacional recentemente depois que foi vandalizada no Domingo de Ramos. De acordo com as reportagens, o vandalismo foi feito por quatro rapazes.

A Aliança contra o Racismo e pelo Respeito da Identidade Francesa e Cristã (ARRIFC) é uma organização “antirracista” oficialmente reconhecida que ganhou o direito legal de representar os interesses cristãos nos tribunais franceses. A ARRIFC decidiu lidar com a “Coleção Lambert” em Avinhão depois que milhares de católicos expressaram sua indignação com a exibição polêmica de “Mijem no Cristo” feita durante a Semana Santa por Andres Serrano, um artista contemporâneo de Nova Iorque.

Centenas de manifestantes se uniram a uma marcha e rezas públicas organizadas pela organização cristã de pressão política Civitas no começo deste mês em Avinhão. Civitas obteve mais de 80.000 assinaturas para sua petição de internet contra a “obra de arte”.

Entretanto, os juízes do tribunal civil de Avinhão disseram que o processo da ARRIFC constituía uma “ação legal maliciosa”, e conferiu à Associação Coleção Lambert o direito de cobrar os prejuízos. Os juízes abriram mão de acrescentar uma “multa civil”: a ARRIFC havia “erroneamente” julgado os méritos de “Mijem no Cristo”, disseram eles, mas esse erro não constituiu uma “culpa”.

Monsenhor Jean-Pierre Cattenoz, bispo de Avinhão, havia anteriormente pedido que a obra “odiosa” fosse removida. “Se alguém cospe ou faz xixi em mim, ele está zombando de mim. Se alguém faz xixi no crucifixo, ele está zombando dele. Será que o artista tem permissão de fazer qualquer coisa que quiser? Será que a arte é compatível com os instintos mais baixos do homem? Não acredito nisso”, disse ele.

O cardeal Philippe Barbarin, primaz da França, também pediu a remoção do “Mijem no Cristo” numa declaração enviada à agência noticiosa AFP, chamando a obra de “um insulto que nos ofende profundamente, principalmente nesta Semana Santa, pois afeta Aquele que ‘nos amou até o fim'”. 

Contudo, numa virada bizarra, a assessoria jurídica da Coleção Lambert pôde apresentar um livro escrito em 2001 por Albert Rouet, ex-bispo de Poitiers, e com o prefácio de Gilbert Louis, outro bispo francês, intitulado “A Igreja e a Arte da Vanguarda”. O livro continha muitas fotos de peças pornográficas e provocadoras, e fazia comentários favoráveis ao “Mijem no Cristo”.

Bernad Antony, presidente da ARRIFC, indicou que a Aliança recorrerá da decisão de Avinhão. “Mais do que nunca, a ARRIFC continuará a lutar pela defesa da fé dos cristãos e pelo respeito à dignidade humana”.

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês:
http://www.lifesitenews.com/news/french-catholic-group-loses-case-against-blasphemous-art-work

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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