Onde está o corpo de Jesus?

Maria Madalena chegou bem cedo ao sepulcro de Jesus, no primeiro dia
da semana, para prestar as homenagens fúnebres ao corpo de Jesus,
coisas que não deu para fazer bem na sexta feira, quando Jesus
morreu na cruz. Havia pressa, o sol já estava se pondo e o sábado
iniciava. E aquele sábado era especialmente solene. Era a Páscoa
judaica.


Com surpresa, Maria descobre que o túmulo está aberto e vazio; os
panos que cobriram o corpo de Jesus estavam lá dentro, uns pelo chão
e outros, dobrados num lugar à parte. Ela se desespera: Quem levou o
corpo de Jesus! Onde o puseram? Correu e foi avisar Pedro e João. Os
dois correram ao túmulo e viram que era assim mesmo: o corpo de
Jesus não estava mais lá. Onde será que foi parar? Quem o teria
levado?


Eis a primeira constatação a respeito da ressurreição de Jesus: o
túmulo vazio, o lençol mortuário abandonado. E Jesus mesmo, onde
estava? Para alguns, tudo o que se fala sobre a ressurreição de
Jesus não passa disso e acaba na dúvida: sumiram com o corpo de
Jesus? Talvez ele mesmo nem tinha morrido, acordou durante a noite,
saiu do túmulo, de fininho, sumiu sem deixar pista? Alguém até disse
que sabia onde Jesus foi parar: em algum oásis bonito no deserto
distante; lá, finalmente casado com Maria Madalena, teria vivido em
paz e morrido de velho, sem mais ser incomodado, nem incomodar
ninguém… Historinhas, como essa, já inventaram nos primeiros
tempos do Cristianismo aqueles que negavam a ressurreição de Jesus.
Hoje há quem as ache bonitas e as reconta, como se fossem a última
verdade sobre Jesus!


Onde foi parar o corpo de Jesus, se não estava mais no túmulo? Vamos
ouvir Maria Madalena, João e Pedro, os outros apóstolos, Tomé, por
exemplo; sem esquecer de ouvir Paulo. Eles até esqueceram o túmulo
vazio, os panos mortuários… É que Jesus, em pessoa, foi ao
encontro deles! Estava vivo e lhes falava de novo, nem podiam
acreditar! Duvidaram, resistiram, negaram-se a crer no que viam
diante de si e ouviam com seus ouvidos. Mas era Jesus, o mesmo que
eles tinham conhecido antes e acompanhado durante anos, cujas
pregações e prodígios testemunharam! O mesmo que eles viram ser
condenado à morte de cruz, poucos dias antes! Por quê agora lhes
custava tanto crer, que era ele? Vieram-lhes à mente suas próprias
traições do Mestre? Suas fugas e covardias diante da prisão e
condenação de Jesus à morte?


Mesmo não querendo crer, não puderam negar: era mesmo Jesus, que
estava diante deles. Viram e creram E Jesus lhes falou, abriu-lhes o
entendimento, deu-lhes a paz, não lhes cobrou nenhuma de suas
infidelidades. E eles se alegraram muito “por ver o Senhor”. E
contaram para quem faltou aos encontros: “vimos o Senhor. Simão
também viu!”. E concluíram que até as histórias contadas por Maria
Madalena e suas companheiras eram verdadeiras (testemunho de mulher
não contava!); foram as primeiras que encontraram o Senhor
ressuscitado!


Hoje andam dizendo por aí que o Santo Sudário, de Turim, seria
considerado, “pelos crentes, a relíquia mais valiosa e legítima da
Cristandade”; e também, que o Sudário teria sido o trunfo inicial
mais poderoso para afirmar a fé na ressurreição de Jesus; e que a
posse e referência ao Sudário teria tido um papel decisivo na grande
difusão inicial do Cristianismo; mesmo ao longo dos séculos, ele
teria sido uma espécie de garantia para afirmar a ressurreição de
Jesus… Isso não é verdade! A história não confirma essas
suposições, em cima das quais constroem-se argumentos e raciocínios
que, geralmente, acabam concluindo que a fé dos cristãos na
ressurreição de Jesus é pura fantasia, que deve ser descartada por
pessoas inteligentes e sérias, com formação científica moderna!


E se fosse demonstrado definitivamente que o Santo Sudário é uma
falsificação? Acabaria nossa fé na ressurreição? A resposta é: não!
Nossa fé em Cristo ressuscitado não está baseada no Santo Sudário,
por mais preciosa relíquia que possa ser. Nossa fé em Cristo
ressuscitado está baseada nos encontros – vários encontros – do
próprio Jesus ressuscitado com seus discípulos, como nos atestam os
testemunhos do Novo Testamento. Esta fé foi contestada desde o
início, negada, sofrida, em todas as épocas da história; não apenas
agora. Mas a Igreja nunca abandonou o testemunho daqueles que viram
Jesus!


A ressurreição de Jesus, porém, não é um fato isolado na pregação
dos apóstolos. O anúncio do Senhor ressuscitado, unido à recordação
de toda a vida, pregação, prodígios, do jeito de Jesus, da sua
paixão, morte e sepultura, constituem o objeto do “testemunho
apostólico”. É sobre esse testemunho apostólico que está baseada a
fé da Igreja. A esse conteúdo também está referida a nossa fé, que
renovamos mais uma vez na noite da Páscoa. Como fazemos em cada
Domingo, Dia do Senhor ressuscitado, continuando a proclamar: Ele
está vivo, no meio de nós!


Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo (SP)

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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