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  • O Repouso no Espírito Santo (Parte 2)

    Categoria: Artigos



    espirito-santo-imagem“Toda aquela gente ali deitada…”

    A visão externa

    O repouso no Espírito parece ser uma das maneiras através da qual Deus nos leva a uma posição, ou estabelece uma dinâmica, que nos permite receber cura. Pe. John Hampsch descreve alguns métodos de cura por meio dos quais o repouso no Espírito pode ocorrer:

    “A cura pode ser comunicada exclusivamente através da imposição de mãos; pela aspersão de água benta, estendendo-se as mãos sobre o grupo; pela bênção dos doentes, com ou sem a bênção do Santíssimo Sacramento. A cura é ministrada de diversos modos.

    Pode-se simplesmente pedir que o grupo todo imponha as mãos sobre os ombros e a cabeça da pessoa por quem se deseja orar, ou pode-se receber a oração como membro do grupo, permanecendo-se em círculo, de mãos dadas.

    O repouso no Espírito pode acontecer em qualquer desses contextos. Geralmente, ocorre com a imposição de mãos e/ou com unção.”

    O ambiente

    “Eu estava sozinha, fazendo meu repouso diário, durante um retiro. Por 15 ou 30 minutos experimentei uma presença tão forte do Senhor (eletricidade, vibrações, paz), que senti que precisava ficar imóvel. Pensei que, provavelmente, não seria mesmo capaz de me mexer” (bibliotecária).

    “Repouso frequentemente no Espírito em pequenas reuniões de grupo em casas de família. O Senhor realiza profundas curas nessas ocasiões…” (esposa e mãe).

    “A maior parte de minhas experiências de repouso no Espírito tem sido em grandes reuniões de 200 a 1.000 pessoas; contudo, quando estou repousando no chão, fico sozinha com Jesus. Ele fala comigo e me permite sentir o Seu amor como se eu fosse a única pessoa na sala” (empresária).

    A posição

    “Eu estava de pé com um grupo, orando para que uma pessoa recebesse o batismo, quando ouvi o líder dizer: ‘Segure, ele está caindo’.

    Pensei que estivesse falando de outra pessoa, até que me vi no chão…” (engenheiro civil).

    “Repousei no Espírito muitas vezes mesmo estando sentada…” (irmã beneditina).

    “Uma amiga orou por mim quando eu estava deitada, e repousei no Espírito profundamente durante 30 minutos” (professora).

    O instrumento

    “Pe. DeGrandis perguntou se eu queria ser batizado no Espírito Santo. Quando disse ‘sim’, ele me tocou suavemente e caí no chão” (gerente de processamento de dados) .

    “Há ocasiões em que parece quase impossível permanecer de pé, ainda que ninguém o esteja tocando ou fazendo imposição de mãos.” (dona de casa).

    Sensação durante a queda

    “Senti-me sem peso, como um astronauta…” (balconista).” …como uma folha ao vento, voando para o chão…” (mãe).

    “Senti como se alguma coisa pesada estivesse caindo sobre mim…” (Gerente de processamento de dados).

    Mudança das sensações físicas durante o repouso no chão

    Nos testemunhos que recebi, parece haver, frequentemente, uma ‘anestesia’ suave e parcial dos sentidos, que possibilita uma mudança do foco de atenção do exterior para o interior. Quando esta mudança acontece, o mundo espiritual parece emergir de modo poderoso.

    Expressão física

    Tranquila, agitada, sorridente, chorosa.

    Tempo de permanência no chão

    O tempo pode variar de minuto a horas, dependendo, provavelmente, da profundidade e extensão da cura interior que está sendo realizada.

    “Em minha experiência, o repouso foi algumas vezes breve e em outras, mais prolongado. Senti o Espírito vir suave e rapidamente, com intensidades diferentes” (secretária).

    “Vi toda aquela gente ali deitada, e me perguntei o que será que Deus estaria fazendo…” (professora) .

    “Ele cuida, ampara, embala…”

    A visão interna

    Em Ministério de cura para leigos, afirmo que o Senhor nos fala frequentemente em níveis profundos enquanto repousamos no Espírito:

    “Muita gente tem tido a experiência de obter uma visão retrospectiva de toda a sua vida… e, segundo creio, quando isso acontece num clima de oração é porque a cura interior está ocorrendo…”

    Os 200 entrevistados de nossa pesquisa comunicaram grande variedade de modos com que o Senhor tocou seus corações.

    A agitação geralmente sugere que profundas feridas emocionais foram tocadas ou que as influências negativas foram substituídas pela presença de Jesus.

    “Sabes quando me deito…”

    Algumas áreas controversas

    Alguns líderes da Renovação têm a preocupação de que o repouso no Espírito não seja ativado pelo Espírito Santo, mas que, pelo contrário, seja um fenômeno misto.

    O autor de um artigo na revista New Covenant comenta:

    “…Outros têm algumas reservas sobre este fenômeno. Veem a experiência como algo muito semelhante aos estados de hipnose e de autossugestão que não estão, necessariamente, relacionados com o Espírito Santo. Eles questionam seriamente a base escriturística do fenômeno e têm graves reservas sobre a sabedoria pastoral de encorajá-lo”.

    O Cardeal Suenens, em a controversial  phenomenon, resting in the Spirit, conclui que a tendência a cair pode estar relacionada mais à dinâmica psicológica do que à moção do Espírito Santo, e por este motivo, publicou uma advertência.

    Inclino-me a acreditar que a maior da parte dos repousos são uma experiência de Jesus.

    Pe. Richard Bain, de San Francisco, afirma:

    “Pode ser verdade que a maior parte do repouso no Espírito seja causado pela dinâmica psicológica. Talvez muitas pessoas simplesmente queiram cair. Não acredito que isto deva causar preocupação, pois uma vez no chão, poderão se tornar abertas ao toque de Deus. Para mim, a questão não é por que caem, mas o que acontece quando estão deitadas.

    A Igreja não é Deus, os sacramentos não são Deus. O rosário não é Deus. Mas cada um deles estabelece a dinâmica que nos ajuda a encontrar Deus. Acredito que o repouso no Espírito também possa nos ajudar a encontrar Deus. Todas as pessoas com quem tenho conversado encontraram nele uma experiência muito positiva.

    Minha primeira experiência do repouso, com Pe. Dennis Kelleher, de Nova lorque, abriu as portas para o meu ministério de cura.”

    Há, provavelmente, um misto entre a dinâmica psicológica e a espiritual no repouso no Espírito, devido à interrelação de corpo, mente e espírito.

    Pe. George Maloney, no artigo How to understand and evaluate the ‘charismatics’ newest experience: Slaying in the Spirit, afirma: “O fenômeno da ‘morte no Espírito’ não deve ser julgado por um critério de e/ou: se é ‘natural’ ou ‘sobrenatural’, induzido somente pela natureza psíquica do homem, ou uma demonstração cabal do poder do Espírito Santo entre os homens…”.

    Outro aspecto comum de controvérsia está relacionado com o repouso “espontâneo” versus o repouso “induzido, cooperativo ou ministrado”. O repouso “espontâneo” não é, na verdade, problema para muita gente. A área de conflito está naquilo que é aceitável em termos de encorajamento para que as pessoas se abram à experiência do repouso, isto é, o repouso “induzido, cooperativo ou ministrado”.

    O conflito emerge quando a dinâmica psicológica está envolvida no processo do repouso. Acredito que ajudar as pessoas a chegarem a uma condição de entrega a Deus é uma ação positiva e construtiva. Deste modo, a questão a ser levantada é: “Para quem elas estão entregando seus corações? Qual é a intenção delas? Pedro tomou a iniciativa pessoal de andar sobre as águas (Mt 14,29) e, então, o Senhor o conduziu.

    O Senhor diz: ” Ah! todos vós que tendes sede, vinde…” (Is 55,1).

    Ele diz: “Vinde… e Eu vos darei descanso” (Mt 11,28). Esta “vinda” inicial é um ato natural em resposta ao Seu chamado. Ele está sempre nos chamando à entrega, e então, quando o fazemos, Ele nos conduz para o domínio espiritual. No dom de línguas, abrimos a boca para que Ele nos dê a palavra espiritual. Ele também nos diz que devemos suscitar os dons. No estágio inicial, esta ação é natural.

    Fazemos uma escolha interna para passar de uma ação no campo natural para uma ação no campo espiritual. Quando nos decidimos pela entrega confiante, estamos dizendo: “Conduze-me, Senhor, à Tua Morada”. Ele honra a nossa escolha. Ao longo desses anos, tenho me sentido à vontade quando oro com as pessoas e incentivo-as a se abrirem e se entregarem ao Espírito Santo.

    Há alguns princípios nesta área que, acredito, poderão ser úteis:

    1. Muitos católicos têm medo da experiência religiosa exterior, classificando-a imediatamente de “emocionalismo”. Alguns observadores têm dito que precisamos de emoção na fé para dar equilíbrio à dimensão intelectual. Santo Agostinho diz: “A fé em busca do entendimento”. Precisamos abrir nossos corações ao amor e ao poder de Deus.

    2. A maior parte das pessoas não consegue soltar o corpo para trás porque se sente desprotegida do ponto de vista humano. Quando nos perguntam sobre o repouso e peço-lhes que caiam para trás sem proteção, nenhuma delas é capaz de fazê-lo. No entanto, sob o poder do Espírito Santo, elas conseguem fazer o que, normalmente, seria impossível.

    3. Muitas pessoas que ficam sob o poder do Espírito são pessoas cultas, cujo último desejo seria deitar-se no chão. No entanto, mesmo pessoas muito elegantes e distintas parecem perder esta preocupação quando repousam no Espírito.

    4. Busco o processo de discernimento comunitário. Somos orientados em (1Jo 4,1) para “examinar os espíritos”. A comunidade, os ministros de oração e as pessoas que recebem oração geralmente têm uma percepção muito boa da presença ou ausência do Senhor durante a oração. Frequentemente, a comunidade sentirá a presença do Espírito Santo durante o processo de repouso.

    5. Muitos sacerdotes que se dedicam totalmente ao ministério de cura estão de acordo com os bons frutos produzidos pelo repouso no Espírito. Os bispos que estiveram presentes durante essas orações e que também repousaram dão apoio a esse fenômeno do ministério de cura.

    6. Nosso Deus é um Deus de surpresas. Precisamos estar abertos às maneiras através das quais o Espírito parece estar conduzindo o Seu Corpo. Quanto mais espessa a escuridão, mais brilhante a luz. Com a agressão ousada do demônio à nossa cultura, precisamos estar mais entregues à liderança do Senhor. Ele nos diz: “Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

    7. Devemos acreditar na honestidade e integridade básicas das pessoas até prova em contrário. Alguns diriam que nem todos os que caem estão repousando no Espírito. Isto, talvez, seja verdade, mas eu presumiria que a grande maioria está sob o poder do Espírito. Por isso, fico à vontade quando uso essa terminologia.

    8. A maior parte dos fenômenos está sujeita a uso e abuso. Já conheci pessoas que jejuaram tanto que chegaram a prejudicar a saúde. Algumas vezes, encontramos pais que vão à missa diariamente esquecendo-se das necessidades da família. Contudo, preferimos focalizar o uso e não o abuso.

    9. A ordem e o decoro devem ser sempre preservados. Acredito que do ponto de vista pastoral, devemos averiguar e impedir qualquer abuso, tal como permitir o repouso no Espírito durante a Comunhão, no meio da missa dominical, ou em um lugar público. Sem dúvida, isto constitui abuso e deve ser corrigido pastoralmente.

    Nenhum Mal temerei, pois Estás junto a mim

    ”Jerusalém… as montanhas a envolvem, e o Senhor envolve o seu povo, desde agora e para sempre”.

    Nem todo mundo é bastante livre interiormente para se entregar à experiência do repouso no Espírito.

    Francis MacNutt faz uma reflexão sobre esta falta de liberdade:

    “Há uma sorte de pessoas que bloqueiam esta experiência principalmente aquelas que na vida tiveram de aprender a controlar em demasia suas emoções. Há pessoas que têm verdadeiro pavor de se deixar levar. Não é tanto um problema espiritual; é antes emocional; têm medo de tudo o que não conseguem controlar pela razão. Algumas pessoas perderam a capacidade de responder à vida com espontaneidade”.

    Frequentemente os intelectuais terão mais dificuldade em repousar no Espírito. Mas este não foi o caso com o meu antigo professor de Sagrada Escritura no seminário. Ele é licenciado em Sagrada Escritura pelo Instituto Bíblico de Jerusalém e doutorado em Psicologia.

    A primeira vez em que recebeu uma oração, instantaneamente caiu sob o poder do Espírito, com uma grande abertura. Ele é muito culto e, contudo, tem uma grande receptividade. Mas, isto não é comum.

    Em geral, acredito que o tipo de pessoa que repousa com maior prontidão é aquele que é livre, aberto, corajoso e dócil.

    Em geral, são pessoas com uma certa dose de simplicidade. Os tipos mais intelectuais, reservados e conservadores tendem a demonstrar maior resistência ao repouso no Espírito. Portanto, parece haver necessidade de abertura psicológica, bem como de abertura espiritual.


    Prof. Felipe Aquino

    assessoria@cleofas.com.br

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.