O que é namorar? (Parte 1)

tumblr_loca10X2ZF1qf5zuho1_500_largeO namoro é dinâmico como a própria vida das pessoas.

Hoje a liberdade é enorme quando se fala desse assunto, o que, aliás, torna-se ocasião para muitos desvirtuamentos  em termos de namoro.

Coisas que para a geração anterior era impensável, hoje tornou-se comum entre os jovens; por exemplo, viajar juntos sem os pais; dormirem na mesma casa, etc.

Se por um lado esta liberação pode até facilitar a maturidade dos jovens namorados, não há como negar que é uma oportunidade  imensa para que o relacionamento deles ultrapasse os limites de namorados e precipite a vida sexual.

Lamentavelmente tornou-se comum entre os casais de namorados a vida sexual, inadequada nesta fase.

O namoro, como já mostramos, é o tempo de conhecer o outro, escolher o parceiro com quem a vida será vivida até a morte, e é o tempo de crescimento a dois.

Tudo isto será vivido através de um diálogo rico dos dois, pelo qual cada um vai se revelando ao outro, trocando as suas experiências e as suas riquezas interiores, e assim, começa a construção recíproca de cada um, o que continuará após o casamento.

O namoro é acima de tudo o encontro de duas pessoas, capazes de pensar, refletir, cantar, sonhar, sorrir e chorar.

O mar é belo e imenso, mas não sabe disso; a terra é bela e rica, mas não sabe disso; o pássaro é belo e não sabe disso.

Você é bela, inteligente, livre, dotada de vontade e de consciência; e você sabe disso.

Você não é um objeto; é uma pessoa, Um ser espiritual e psíquico.

O namoro implica no reconhecimento da “pessoa” do outro, a sua aceitação e a comunicação com ela.

É diferente conhecer uma pessoa e conhecer um objeto.

O objeto é frio, a pessoa é um “mistério” ; não pode ser entendida só pela inteligência, pois a sua realidade interior é muito mais rica do que a ideia que fazemos dela pelas  aparências.

Você só poderá conhecer a pessoa pelo coração e pela revelação que  ela faz de si mesma a você.

No objeto vale a quantidade, o peso, o tamanho; a forma, o gosto; na pessoa vale a qualidade.

O objeto é um problema a ser resolvido, a pessoa é mistério a ser revelado e compreendido.

Saiba que você está diante de uma pessoa que é única (indivíduo), insubstituível, original, distinta de todos os outros…

Alguém já disse que cada pessoa é “uma palavra de Deus que não se repete”.

Não fomos feitos numa fôrma.

No namoro você terá que respeitar essa “individualidade” do outro, para não sufocá-lo.

Muitas crises surgem porque ambos não se respeitam como pessoas e únicos. É por isso que as comparações e os padrões rígidos podem ser prejudiciais.

Você não pode querer que a sua namorada seja igual àquela moça que você conhece e admira; o seu namorado não tem que ser igual ao seu pai… Cada  um é um.

A liberdade é uma condição essencial da pessoa. Sem liberdade não há pessoa.
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É no encontro com o outro que a pessoa se realiza; e aqui está a beleza do namoro vivido corretamente. Ele leva você a abrir-se ao outro. A partir daí você deixa de ser criança e começa a tornar-se adulto; porque já não olha só para si mesmo.

O namoro é esse tempo bonito de intercomunicação entre duas almas.

Mas toda revelação implica num comprometimento de ambos e num engajamento  de vidas.

“Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas”, disse o Pequeno Príncipe.

Você se torna responsável por aquele que se revela a você do mais íntimo do seu ser.

Cuidado, portanto, para não “coisificar” a sua namorada.

Às vezes essa coisificação do outro se torna até meio inconsciente hoje. Ela acontece, por exemplo, quando o noivo proíbe a noiva de usar batom,  ou a proíbe de cortar os cabelos.

O marido “coisifica” a esposa quando a obriga a ter uma relação sexual com ele, quando não a permite participar  das “suas” decisões financeiras; quando proíbe  que ela possa ter alguma atividade na Igreja, etc.

O namorado “coisifica” a namorada quando faz chantagens emocionais com ela para conseguir o que quer.

A namorada “coisifica” o namorado quando o sufoca fazendo-o ficar o tempo todo do seu lado, sem que o rapaz possa fazer outros programas com os amigos.

O pai coisifica o filho quando o submete a si como se fosse um escravo…

Não faça do outro um objeto, e não deixe que o relacionamento de vocês se torne numa “dominação do outro”, mas um “encontro” entre ambos.

Nem Deus tira a nossa liberdade; Ele a respeita, pois sem isto seríamos marionetes, robôs, e não pessoas.

Ainda que o homem se ponha contra Ele – como acontece tanto! – ainda assim Ele o ama, e nunca trata-o como um objeto.

Coisificamos o outro quando o usamos; isto é triste.

O namoro é o tempo da  “descoberta”, do outro.

E isso se faz pelo diálogo, que é o alimento do amor.

Há muitos desencontros porque falta o diálogo.

Namorar é dialogar!

O diálogo é mais do que uma conversa; é um encontro de almas em busca do conhecimento e do crescimento mútuo.

Sem um bom diálogo não há um namoro feliz e bonito.

É pelo diálogo que o casal – seja de namorados ou cônjuges – aprende a se conhecer, ajudam-se  mutuamente a corrigir as suas falhas, vencem as dificuldades, cultivam o amor, se aperfeiçoam e se unem cada vez mais.

Os namorados que sabem dialogar sabem escolher bem a pessoa adequada, fazendo uma escolha com lucidez e conhecimento maduro.

Sem diálogo o casal não cresce, e o namoro não evolui, porque cada um fica trancado e isolado com os seus próprios problemas.

Sem ele o casal pode cair na “crise do silêncio”, ou apenas trocar palavras vazias, ou ainda, o que é pior, discutir e brigar.

Por falta do diálogo, muitas vezes, cada um leva a “sua” vida e ignora o outro; ora, isto não é vida a dois, nem preparação para o casamento.

São muitas as dificuldades para o diálogo, mas há também muitos pontos que o favorecem.

Vamos examiná-los.

Muitos não conseguem dialogar porque não estavam habituados a isto antes do namoro. Pode ser que tenha vindo de uma família que não tinha esse hábito. Neste caso, será preciso ter a intenção de dialogar, romper o mutismo e abrir-se.

Também o orgulho, o medo de reconhecer os próprios erros, o não querer “dar o braço a torcer”, a vaidade de querer sempre ter razão, bloqueiam o diálogo.

A falta de tempo, o trabalho em demasia, a televisão, o jornal, a revista, a internet, podem prejudicar o diálogo; se não forem dosados…

Há também os condicionamentos de infância; às vezes a autoridade excessiva dos pais, a falta de liberdade para expressar as próprias idéias e opiniões; a super proteção que sufocou o espírito de iniciativa; a falta de participação nas soluções dos problemas familiares; tudo isto dificulta o diálogo.
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Portanto, será preciso esforço, vontade de vencer-se e acertar.

Para haver diálogo você precisa aprender a ouvir o outro; ter paciência para entender o que ele quer dizer, e, só depois, concordar ou discordar.

Seja paciente, não corte a palavra do outro antes dele completá-la.

Lembre-se, diálogo não é discussão.

É preferível “perder” uma discussão do que dominar o outro.

Dialogar é acolher o outro com o coração disponível. É aprender a “olhar” o outro, conhecer sua vida profissional, familiar, seus gostos, suas aspirações, dificuldades, lutas… com respeito e atenção.

Deixe que o outro tenha “entrada franca” no coração. Não ponha “cães de guarda” nas portas do seu palácio interior pois o outro pode ficar com medo de entrar.

Quem são esses cães?

O seu orgulho refinado, sutil, mas que esnoba e subjuga o outro…

O seu egoísmo que chama tudo sempre para você.

A  inveja do sucesso do outro, que o impede de crescer.

A sua ironia que faz pouco caso do que ele está dizendo…

A sua estupidez e grosseria que magoam o outro…

São esses – e muitos outros – os “cães de guarda” que pomos à porta do coração.

Às vezes ela ou ele vai embora dizendo:

“Não tive coragem de entrar… tive medo que ele risse de mim… que não me compreendesse… tive medo de ser ridícula.”

Não deixe que ele fique te esperando tanto até desanimar. Para que você possa acolher o outro é preciso despojar-se de si mesmo, estar disponível. É preciso que você aceite criar este vazio no seu interior para que o outro possa ocupá-lo.

É preciso fazer silêncio em você, para poder ouvir e entender a voz do outro. Só assim você será atencioso com ela; e então o diálogo acontecerá. Saiba sorrir para o outro; não custa nada e ilumina tanto!…

Saiba fazer silêncio….

As palavras são os veículos da alma que se exprime, desabafa e se acalma.

Aprenda a escutar o seu namorado atenciosamente; preste-lhe esta homenagem.

Saiba falar mais daquilo que lhe interessa, do que aquilo que interessa a você. Não fique pensando em você
enquanto o outro fala, pense nele.

Há um escrito que diz assim:

As cinco palavras mais importantes são:

“Estou muito satisfeito com você”

As quatro palavras mais importantes:

“Qual a sua opinião?”

As três palavras mais importantes:

“Faça o favor”.

As duas palavras mais importantes:

“Muito obrigado”

A palavra menos importante: “EU”!

Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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