O porquê do Natal ser comemorado no dia 25 de dezembro

Natalis
solis invicti: com este nome, o Imperador de Roma, Aureliano oficializava a
tradicional comemoração do sol nascente e invencível. Todos os anos, no dia 25
de dezembro, sucedia algo de muito curioso (…). Devido à inclinação natural do
planeta, no hemisfério norte transcorria o dia mais curto e, consequentemente,
a noite mais prolongada do ano. O paganismo dos romanos atribuía a esse fato o
significado de ser uma ameaça dos deuses, pois notavam, ao longo das estações,
a processiva diminuição das horas solares, até chegar no clímax que se dava
nessa ocasião. Amedrontados, ofertavam-lhes desagravos e, por meio de
prolongados rituais e celebrações, julgavam atrair o beneplácito dos deuses,
evitando assim o desaparecimento da luz.

Com o
advento do Cristianismo, os romanos recém-convertidos guardavam saudades das
festas realizadas por ocasião do Natalis Solis Invicti. Por esta razão, a Santa
Igreja encontrou um sapiencial meio de direcionar para o bem essa arraigada
tradição: comemorar, nesse mesmo dia, o nascimento do “Sol da Justiça que
traz a salvação em seus raios” (Ml 3, 20). E apoiada em passagens da
Sagrada Escritura, nas quais o Messias é apresentado como a “Luz para
iluminar as nações” (Lc 2, 32) (cf. Jo 1, 9), empreendeu a cristianização
desse velho costume pagão. Um antiquíssimo mosaico do século III, encontrado na
cripta vaticana e conhecido como o Mausoléu dos Iulii, conjuga grandiosamente
as imagens de Cristo e do Sol, sobre uma carruagem triunfante.

Com base
nisto, atribui-se ao Imperador Constantino, construtor da Basílica Vaticana,
ser um dos primeiros a instituir, nessa data, a celebração do Natal. O primeiro
calendário a constatar esse fato foi editado por um personagem conhecido como
Filocalos (354). Contudo, a declaração oficial da Santa Igreja foi proferida
pelo Papa Júlio I (337-352).

Como ensina
a Doutrina Católica, as festas do ano litúrgico nos fazem participar das mesmas
graças dispensadas por Deus no próprio episódio comemorado1. Tendo, pois, a
Cátedra infalível de Pedro ligado essa determinação na terra, foi ligada também
no Céu (cf. Mt 16, 19), atraindo desta maneira bênçãos copiosíssimas para o dia
25 de Dezembro, Natal do Senhor!

Sebastián
Correa Velásquez

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1 cf.
Mediator Dei. II Ciclo dos Mistérios; Tertio Millenio. II. O Jubileu do ano 2000.

 Autor: Gaudium Press

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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