O pequeno sublime mundo dos círios

Grandes círios ou pequenas velas, não importa o tamanho, a forma ou a cor, cada qual tem sua aplicação e significado na piedade cristã, autênticas herdeiras das velas do “Menorá” dos Hebreus.

Desde aquelas pequenas velinhas de várias cores, postas nos candelabros dos templos em diferentes níveis, em um móvel que a Igreja concebeu diante dos altares dos santos, até o solene círio pascal robusto e sério, passando pelos círios das missas, os dos velórios de defuntos, os das Primeiras Comunhões, os que adornam a mesa para a ceia de Natal, os que iluminam a véspera da festa da Imaculada Conceição em muitas ruas, calçadas, janelas e varandas de algumas cidades colombianas, todas significam esperar com alegria ou com imbatível confiança.

Um pavio longo no centro de um cilindro maciço prensado cheio de cera, gordura animal ou parafina que serve de combustível, pode ser que tenha sido invenção dos tempos do baixo império romano salpicado com o sangue dos primeiros mártires cristãos, mas o que agora usamos em nossas procissões e atos litúrgicos, inclusive temperados com certo suave aroma de mel quando o círio é de autêntica cera de abelhas, é uma bela inovação católica de comprovadíssima originalidade. A força de significado das velas acesas está hoje em dia lamentavelmente deturpada, mas isto também nos serve de prova para deixar em plena evidência que não foi nada equivocado o costume cristão de usar as velas com fé.

Dar a ela simplesmente o nome de “vela”, enobrece ainda mais o significado deste objeto para a piedade e a devoção: velar diante ao Santíssimo Sacramento, velar as armas da legendária cavalaria, passar a noite velando, são expressões que nos falam de vigília ao pé de algo ou alguém, esperando obter com isso uma graça ou um favor. Com tudo, é inegável que foi a Cristandade a que lhe deu o mais alto simbolismo ao uso das velas acesas, ao ponto que não há nestes tempos, cerimoniais mais marcados pela presença de círios e de velas que os que faz a Igreja Católica.

Ainda é mais admirável a arte, que ao utilizar as velas e os círios desenvolveu nossa civilização, inspirando a fabricação e uso de candeeiros e candelabros profanos ou litúrgicos das mais variadas formas e tamanhos, em metais preciosos ou não, todo um universo destes elegantes e sagrados suportes móveis ou fixos de onde a vela ou o círio ardem placidamente, fazendo guarda, iluminando, acompanhando ou rendendo homenagem. E para completar, aqueles capitéis de castiçais feitos para que a cera se derreta uniformemente sem deixar estragos sobre o linho dos altares ou ainda os pequenos abafadores para para apagar os círios, que o cuidadoso coroinha deve saber aplicar bem sobre o pavio, para não causar um dano, afogando a chamazinha com certa solenidade. Peças de uso litúrgico que foram sendo reveladas ao engenho humano pela fé e a piedade para a glória de Deus e aperfeiçoamento de nossa cultura.

O que seria a sociedade temporal de hoje e o uso de coisas terrenas, com o mesmo espírito criativo que desenvolveu o pequeno mundo das velas e dos círios?

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Por Antônio Borda
Gaudium Press

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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