O Pecado Original, uma verdade de fé

(evolução)O Catecismo da Igreja diz que “O pecado original é uma verdade essencial da fé”. (§388); isto é, é dogma de fé.

“O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem.” (§397).

“A doutrina do pecado original é, por assim dizer, “o reverso” da Boa Notícia de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a todos graças a Cristo. A Igreja, que tem o senso de Cristo, sabe perfeitamente que não se pode atentar contra a revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo” (§389).

O Papa Bento XVI queria escrever um livro sobre o pecado original; e creio que possa até estar fazendo isso, porque ele disse o seguinte em 1985:

“Se um dia a Providência me livrar destes meus encargos, gostaria de me dedicar exatamente a escrever um livro sobre o ‘pecado original’ e sobre a necessidade de se redescobrir a sua realidade autêntica. Com efeito, se não se compreende mais que o homem vive em um estado de alienação não apenas econômica e social, uma alienação, pois, que não se soluciona apenas com seus próprios esforços, não se compreende mais a necessidade do Cristo redentor. Toda a estrutura da fé é, dessa forma, ameaçada. A incapacidade de compreender e apresentar o ‘pecado original’ é realmente um dos problemas mais graves da teologia e da pastoral atuais” (Messori, A fé em crise?, São Paulo: EPU, 1985. Pg. 55-57).

Infelizmente há hoje teólogos católicos que põem em dúvida, perigosamente, este dogma, ou relativizam a sua realidade. Dom Estevão Bettencourt, em sua revista PERGUNTE E RESPONDEREMOS (PR,  285/1986; 418/1997; 380/1994; 476/2002 ), apontou erros em muitos livros de teólogos sobre o assunto. Sentimos que volta disfarçadamente um neo-pelagianismo que nega o pecado original, ou o relativiza; despreza o batismo e o mistério de Cristo e da Redenção da humanidade por sua morte e ressurreição. O Pelagianismo foi a heresia de Pelágio, um monge que negava o pecado original, e que foi combatido por Santo Agostinho e considerado heresia pelo papa da época.

Muitos pais hoje já não batizam seus filhos e se esquecem que é por este Sacramento que recuperamos a vida divina em nossas almas. Por ele nos tornamos filhos de Deus, enxertados no Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Passamos a ser templos da Santíssima Trindade. Tudo isso tem sido muito esquecido e desprezado.

Por tudo isso, acabei de publicar pela Editora Cléofas o livro PECADO ORIGINAL, O QUE A IGREJA ENSINA, baseado nos documentos da Igreja, Encíclicas, Catecismo, Discursos dos Papas, etc. Se não fosse o pecado original Cristo não precisaria ter sofrido tanto e morrido na cruz por nós.

No livro “Luz do mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos”, na conversa com o jornalista alemão Peter Seewald (2010), o Papa Bento XVI explica o laicismo atual, arrogante e prepotente, inimigo de tudo que leva o nome de Deus, de Cristo e da Igreja, e o correlaciona com o pecado original: “A verdade do pecado original, confirma-se.  Recorrentemente, o homem renega a fé, quer ser só ele, torna-se laico no sentido mais profundo da palavra”. (p. 64-65)

Prof. Felipe Aquino

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.