O Papa comenta o Evangelho sobre o fim do mundo

O Papa Bento XVI falou aos fiéis e peregrinos na Praça de São Pedro, na recitação da oração mariana do Angelus

O Papa comentou o Evangelho da missa de domingo, 18 de novembro, a narração de São Marcos, uma parte do discurso de Jesus sobre os últimos tempos (cfr. Mc 13, 24-32). O Papa disse que “este discurso encontra-se, com algumas variações, também em Mateus e Lucas, e é provavelmente o texto mais difícil dos Evangelhos. Tal dificuldade deriva tanto do conteúdo quanto da linguagem: fala de um acontecimento que supera as nossas categorias, e por isso Jesus utiliza imagens e palavras tiradas do Antigo Testamento, mas, sobretudo, insere um novo centro, que é Ele mesmo, o mistério da sua pessoa e da sua morte e ressurreição. A passagem de hoje também começa com algumas imagens cósmicas de gênero apocalíptico: “o sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor; cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas” (v.24-25); mas este elemento está relacionado ao seguinte: “Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória” (v.26). O “Filho do homem” é o próprio Jesus, que liga o presente ao futuro; as antigas palavras dos profetas encontraram finalmente um centro na pessoa do Messias nazareno: é Ele o verdadeiro acontecimento que, em meio aos abalos do mundo, permanece como o ponto firme e estável”.

“A confirmar isto está outra expressão do Evangelho de hoje. Jesus afirma: “Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (v.31). Na verdade, sabemos que na Bíblia a Palavra de Deus está na origem da criação: todas as criaturas, a partir dos elementos cósmicos – sol, lua, firmamento – obedecem à Palavra de Deus, existem enquanto “chamados” por ela. Esta potência criadora da Palavra divina concentrou-se em Jesus Cristo, Verbo feito carne, e passa também através de suas palavras humanas, que são o verdadeiro “firmamento” que orienta o pensamento e o caminho do homem sobre a terra. Por isso Jesus não descreve o fim do mundo, e quando usa imagens apocalípticas, não se comporta como um “vidente”. Ao contrário, Ele quer tirar os seus discípulos de todos os tempos da curiosidade por datas, previsões, e quer ao invés dar-lhes uma chave de leitura profunda, essencial e sobretudo indicar o caminho certo a seguir, hoje e amanhã, para entrar na vida eterna. Tudo passa – recorda-nos o Senhor – mas a Palavra de Deus não muda, e perante essa cada um de nós é responsável pelo próprio comportamento. Em base à este seremos julgados”.

“Queridos amigos, também em nosso tempo não faltam calamidades naturais, e infelizmente, nem mesmo guerras e violência. Também hoje precisamos de um fundamento estável para a nossa vida e para a nossa esperança, ainda mais por causa do relativismo em que estamos imersos. Que a Virgem Maria nos ajude a acolher este centro na Pessoa de Cristo e na sua Palavra”.

Vemos que o Papa não fala em data e nem em época marcada para o fim do mundo, e quer que os fiéis não se deixem levar por essas curiosidades.

Fonte: http://www.zenit.org/article-31776?l=portuguese

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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