O laboratório litúrgico de Ione Buyst, OSB

Tendo em vista a ampla divulgação e distribuição das obras da referida “especialista litúrgica” por uma das principais livrarias ditas católicas do nosso país, publicamos abaixo trechos do livro “A Missa – Memória de Jesus no Coração da Vida” (São Paulo: Paulinas, 2004), de autoria de Ivone Buist.

“Da teologia medieval herdamos a insistência da presença real de Jesus na Eucaristia. Era uma época em que o padre ficava de costas para o povo, fazia a oração eucarística em latim e em silêncio.”

 “A eucaristia acabou sendo entendida como uma coisa sagrada, algo para se ver e adorar.”

“O Concílio Vaticano II quis reatar com a teologia dos primeiros séculos, e reencontrou a dimensão pascal da eucaristia. Diz que o Cristo Ressuscitado está realmente presente em todos os momentos da missa (e não somente na chamada “consagração”).Recoloca a oração eucarística como sendo toda ela de ação de graças, oblação, consagração. e manda proclamá-la em voz alta e na língua do povo. Diz que não há missa sem comunhão eucarística. Insiste em que todo o povo coma e beba do pão e do vinho, como participação na morte-ressurreição do Senhor. Não se pode ficar só olhando e adorando a hóstia. A eucaristia volta a ser entendida como ação, para se fazer o que Jesus fez; dar graças, partir e repartir, comer e beber.

Essas duas linhas teológicas misturam-se dentro da missa e complicam nossa maneira de celebrar o momento da narrativa da instituição. A primeira nos manda ajoelhar, olhar para a hóstia, abaixar a cabeça, adorar em silêncio, prestar atenção toda especial a esse momento da celebração. Requer uma profunda devoção individual.

 Algumas das obras de Ione Buist, OSB. Pelos títulos e fotos, já se pode imaginar o seu conteúdo.

A segunda nos ensina a ficar de pé (sinal de ressurreição) de preferência ao redor da mesa, olhar para a mesa onde estão o pão e o vinho, ouvir atentamente e acolher as palavras de Jesus na última ceia (que o presidente lembra, falando com o Pai), aclamar juntos (cantando “Anunciamos, Senhor, a vossa morte.”) e continuar prestando a mesma atenção às partes seguintes, que são tão importantes quanto à narrativa da instituição. Requer uma participação comunitária, ativa e consciente, de todo o povo sacerdotal, na ação eucarística, pascal, feito por Cristo Ressuscitado.”

“Na prática, é difícil romper com séculos de devocionismo eucarístico e suas expressões características da missa. Quem sabe possamos aprofundar a nova teologia da eucaristia em pequenos grupos e comunidades, e aí encontrar uma maneira diferente de celebrar?” (p. 120-122)

Fonte: Salvem a Liturgia

http://fratresinunum.com/2011/04/16/o-laboratorio-liturgico-de-ione-buyst-osb/

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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