O histórico calendário

Alguns acontecimentos históricos impressionam. Fascinante, por exemplo, é o fato de que certa vez um homem chamado Ugo disse ao mundo que após o dia 4 de outubro de 1582 não seria dia 5 mas dia 15 de outubro. Pegou!  Ou seja, o mundo aceitou a proposta de Ugo! Mas quem era este Ugo? Ugo era o nome de nascimento do Papa Gregório XIII que dirigiu a Igreja Católica entre 1572 e 1585. Através de uma bula pontifícia (documento papal) denominada “Inter gravissimas”, o Papa Gregório determinou a supressão de dez dias do calendário juliano então vigente. Nascia então o calendário gregoriano, adotado até hoje na maioria dos países.

O antigo calendário juliano fora implantado pelo imperador romano Julio Cesar no ano 46 a.C, mas devido à uma imprecisão, este calendário estava atrasando, com o passar dos séculos, a data da festa cristã da Páscoa. Diante deste problema, o Papa Gregório instituiu uma comissão formada por brilhantes matemáticos e astrônomos para estudar a questão. Liderava esta comissão um notável matemático e astrônomo jesuíta chamado Cristopher Clavius. Depois de cinco anos de estudos, o Papa então aprovou e instituiu o novo calendário. As nações católicas logo adotaram as mudanças. Depois, ao longo do tempo, as demais nações aceitaram o novo calendário que havia sido cientificamente elaborado numa sala astronômica do Vaticano. Contudo, alguns estudiosos (sobretudo do século XX) afirmaram que o calendário gregoriano, embora preciso, é imperfeito. Consequentemente, haveria necessidade de novas mudanças e correções. Sobre isso, a Igreja Católica assim se pronunciou em 1963 através do Concílio Vaticano II: O sagrado Concílio “declara não se opor às iniciativas para introduzir um calendário perpétuo na sociedade civil. Contudo, entre os vários sistemas em estudo para fixar um calendário perpétuo e introduzi-lo na sociedade civil, a Igreja só não se opõe àqueles que conservem a semana de sete dias e com o respectivo domingo. A Igreja deseja também manter intacta a sucessão hebdomadária, sem inserção de dias fora da semana, a não ser que surjam razões gravíssimas sobre as quais deverá pronunciar-se a Sé Apostólica” (Concílio Vaticano II em 04/12/1963). No ano jubilar de 2000, o Papa João Paulo II assim declarou: “Neste contexto, os dois mil anos do nascimento de Cristo (prescindindo da exatidão do cômputo cronológico) representam um Jubileu extraordinariamente grande não somente para os cristãos, mas indiretamente para a humanidade inteira, dado o papel de primeiro plano que o cristianismo exerceu nestes dois milênios. Significativamente a contagem da sucessão dos anos é feita, quase em todo o lado, a partir da vinda de Cristo ao mundo, a qual se torna assim o centro do calendário hoje mais utilizado. Não será este, porventura, também um sinal do incomparável contributo prestado à história universal pelo nascimento de Jesus de Nazaré?” (Carta Apostólica “Tertio millennio adveniente” nº 15).

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por Luís Eugênio Sanábio e Souza
Escritor

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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