O grande São Anchieta

Veja o que São João Paulo II falou sobre Anchieta em sua beatificação, em 1980:

“Terá vindo o Padre Anchieta como um soldado em busca de glória, um conquistador em busca de terras, ou um comerciante em busca de bons negócios e dinheiro? Não! Veio como missionário, para anunciar Jesus Cristo, para difundir o Evangelho. Veio com o único objetivo de conduzir os homens a Cristo, transmitindo-lhes a vida de filhos de Deus, destinados à vida eterna. Veio sem exigir nada para si; pelo contrário, disposto a dar a sua vida por eles. Uma vez missionário, José de Anchieta viveu o espírito do Apóstolo dos Gentios, que em suas epístolas falava das peripécias, dificuldades e perigos enfrentados, por carregar no coração como preocupação de todos os dias a solicitude por todas as Igrejas” (2Cor 11, 26-28).

Numa carta de 1° de junho de 1560, revelando a sua ânsia de conduzir ao Senhor os povos deste país, Pe. Anchieta escrevia textualmente:

“Por este motivo, sem nos deixar intimidar pelas calmarias, tempestades, chuvas, correntezas espumantes e impetuosas dos rios, procuramos sem descanso visitar todas as aldeias e vilas, quer dos índios, quer dos portugueses; e mesmo de noite acorremos aos doentes, atravessando florestas tenebrosas, a custo de grandes fadigas, tanto pela aspereza dos caminhos como pelo mau tempo” (J. de Anchieta, Carta ao P. Tiago Laynez, Prepósito-General da Companhia de Jesus, 1° de junho de 1560). E descrevendo ainda mais abertamente as condições daqueles que, com ele e como ele, dedicavam-se aos “brasís” – como os costumava chamar -, revela ainda mais profundamente a grandeza do Seu amor e do seu espírito de sacrifício e, sobretudo, a finalidade de sua existência: “Mas nada é difícil para aqueles que acalentam no coração e têm como fim único a glória de Deus e a salvação das almas, pelas quais não hesitam em der a sua vida” (Idem).

“Salvar as almas para a glória de Deus: este era o objetivo de sua vida. Isto explica a prodigiosa atividade de Anchieta, ao buscar novas formas de atuação apostólica, que o levavam finalmente a fazer-se tudo para todos, pelo Evangelho; a “fazer-se servo de todos a fim de ganhar o maior número possível para Cristo” (1Cor 9, 19-22)”.

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“Não recusou nenhum esforço, para compreender os seus “brasís” e compartilhar-lhes a vida. Se aprendeu a difícil língua deles – e tão bem, a ponto de ser o primeiro a compor uma gramática dessa língua – isto se deve a seu amor, que o impelia a encarnar-se entre eles, mas para falar-lhes de Jesus, transmitir-lhes a Boa-Nova. Desta forma, tornou-se exímio catequista que – seguindo o exemplo de Cristo Senhor, Deus feito homem para revelar o Pai -, vivendo entre os homens, falava-lhes de maneira simples, acomodando-se a suas categorias mentais e aos seus costumes”.

“Com esta mesma finalidade, levando em consideração os dotes e qualidades naturais dos índios, a sua sede de saber a sua generosidade, hospitalidade e o seu senso comunitário, promoveu e desenvolveu as “aldeias”, centros onde a vida cada um se fundia com a dos outros, de maneira adequada no trabalho, na solidariedade, na cooperação. O coração de cada um desses centros era sempre a Casa de Deus, onde o Sacrifício Eucarístico era celebrado regularmente e onde o Senhor Sacramentado permanecia presente. Sim, porque um grupo social que não é animado pela caridade que só Deus sabe infundir nos corações (cf. Rm 5,5), não pode durar, nem pode oferecer aquilo que o coração de homem e a humanidade inteira buscam com ansiedade”.

“Apreciando a sede de saber dos “brasis” (os indígenas), o seu acentuado talento para a música, a sua habilidade e outros dotes, criou para eles centros de formação cultural e artesanal que, pouco a pouco, contribuíram para elevar o nível geral das gerações futuras: São Paulo, Olinda, Bahia, Porto Seguro, Rio de Janeiro, Reritiba – onde morreu”.

“Mas, em todo este ingente esforço dispendido por ele, com a ajuda de tantos coirmãos, desconhecidos por muitos, mas igualmente admiráveis, havia uma visão e um espírito: a visão integral do homem resgatado pelo sangue de Cristo; o espírito do missionário que tudo fez para que os seres humanos dos quais se aproxima para ajudar, apoiar e educar, atinjam a plenitude da vida cristã”.

“Padre Anchieta multiplicou-se incansavelmente, através de tantas atividades, até mesmo o estudo da fauna e da flora, da medicina, da música e da literatura, mas tudo isso ele orientava para o bem verdadeiro do homem, destinado e chamado a ser e viver como filho de Deus”.

“De onde Padre Anchieta hauriu a força para realizar tantas obras em uma vida toda consumida em prol dos outros, até morrer, extenuado, quando ainda em plena atividade? Talvez hauriu sua força dos seus talentos e dotes humanos? Em parte, sim; mas isto não explica tudo. Somente com esta afirmação não se chega à verdadeira raiz. O segredo deste homem era a sua fé: José de Anchieta era um homem de Deus. Como São Paulo, podia dizer: “Sei em Quem acreditei… e estou seguro de que Ele tem o poder de guardar o meu depósito até aquele dia” (2Tm 1,12).

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“Desde o momento em que, na catedral de Coimbra, falara com Deus e com a Virgem Maria, Mãe de Cristo e nossa, desde aquele momento até ao último suspiro, a vida de José de Anchieta foi de uma linear clareza: servir o Senhor, estar à disposição da Igreja, prodigalizar-se por aqueles que eram e deviam ser filhos do Pai que está nos céus”.

“Por certo não lhe faltaram dores e penas, decepções e insucessos; também ele teve sua parte no pão de cada dia de todo apóstolo de Cristo, de todo sacerdote do Senhor. Mas em meio à sua incansável atividade e contínuo sofrimento, jamais faltou a calma, serena e viril certeza alicerçada no Senhor Jesus Cristo, com quem se encontrava e a quem se unia no mistério eucarístico; a quem se entregava constantemente para deixar-se plasmar pelo seu Espírito. A união com Deus, profunda e ardente; o apego vivo e afetuoso a Cristo crucificado e ressuscitado, presente na Eucaristia; o terno amor a Maria: aí está a fonte de onde jorra a riqueza da vida e da atividade de Anchieta, autêntico missionário, verdadeiro sacerdote”.

Retirado do livro: “São José de Anchieta – O Apóstolo do Brasil -“. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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