O escândalo de Jesus em Nazaré

jesusCom a mesma maestria de sempre, de quem é doutor em Sagrada Escritura, o Papa analisa em poucas e profundas palavras o episódio paradoxal sobre a sinagoga de Nazaré, onde Jesus foi criado. A princípio Jesus foi bem recebido, todos conhecem a ele e à sua família. Depois de um período de ausência, diz o Papa, Ele voltou diferente: durante a liturgia do sábado (03 de fevereiro de 2013), o Evangelho narrou que Jesus lê uma profecia de Isaías sobre o Messias e anuncia o seu cumprimento, dando a entender que aquela palavra se refere a Ele, que Isaías falou dele. Os nazarenos ficaram impressionados com essas palavras: “todos estavam maravilhados das palavras cheias de graça que saiam da sua boca” (Lc 4,22); “De onde lhe vêm estas coisas? E que sabedoria é essa que lhe foi dada?” (6,2).

Por outro lado, no entanto, as poucas pessoas de Nazaré o conheciam muito bem: logo, as palavras de Jesus lhe pareciam de alguém pretencioso; por isso, começam a dizer: “Não é este o filho de José?” (Lc 4, 22), como se dissessem: um carpinteiro de Nazaré, que aspirações pode ter?

Bento XVI explica que Jesus, em nome da verdade que Ele não pode trair, não recua e dirige às pessoas na sinagoga, palavras que soam como provocação. Cita dois milagres realizados pelos profetas Elias e Eliseu em favor de pessoas não israelitas, para demonstrar que às vezes existe mais fé fora de Israel. Então, os seus concidadãos ficaram furiosos e quiseram matá-lo empurrando abismo abaixo, mas Jesus passou soberanamente por meio deles e foi embora, porque ainda não era a sua hora.

E o Papa pergunta: “Por que Jesus quis provocar esta ruptura? A princípio as pessoas estavam admiradas por ele, e talvez poderia ter conseguido certo consenso… Mas, o ponto está justamente aqui: Jesus não veio para procurar o consenso dos homens, mas – como dirá no final à Pilatos – para “dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37)”.

cpa_jesus_cristo_e_deus_cleofasMais uma vez o Papa insiste na necessidade de viver segundo a verdade, de dar testemunho da verdade, diante do relativismo religioso e moral que hoje atinge também a Igreja e alguns padres e teólogos. Sem dúvida, o Papa pensa e deseja refutar o que desde a sua eleição papal ele chama de “ditadura do relativismo” que ameaça destruir os pilares da civilização cristã. Bento XVI não perde uma oportunidade sequer de falar disso e de mostrar o perigo da negação da verdade. Ele é o paladino da Verdade, sobretudo a verdade religiosa.

Nesta homilia ele diz que “O verdadeiro profeta só obedece a Deus, e se coloca à serviço da verdade, pronto para pagar pessoalmente. É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor tem a sua verdade. Na verdade, amor e verdade são dois nomes da mesma realidade, dois nomes de Deus”.

E o Papa fecha sua reflexão mostrando que a Virgem Maria jamais se escandalizou de Jesus. “Quem melhor do que ela teve a familiaridade com a humanidade de Jesus? Mas nunca se chocou como os moradores de Nazaré. Ela guardava no seu coração o mistério e soube acolhê-lo sempre mais e sempre de novo, no caminho da fé, até a noite da Cruz e à plena luz da Ressurreição”.

É preciso destacar o que disse o Papa: “Jesus não veio para procurar o consenso dos homens, mas – como dirá no final à Pilatos – para “dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37)”. Isto custou a sua vida, mas ele teve de sacrificá-la porque é a verdade que liberta e salva. O nosso Catecismo diz no parágrafo 851 que “a salvação está na verdade”; na verdade que Jesus veio nos trazer, na verdade que a Igreja ensina, pois, como disse São Paulo “a Igreja é a coluna e o alicerce da verdade” (1Tm 3,15).  E “Deus quer que todos se salvem”, mas para isso é preciso “chegar ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4).

O mundo está dividido em dois segmentos distintos: os que seguem a verdade do Espírito Santo e a mentira do demônio; cada um deve escolher onde ficar.

Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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