O cuidado devido aos mortos – Santo Agostinho (Parte 1)

Parte I-Introdução e Argumentos Religiosos para o Sepultamento Digno
capítulos I à VI

Parte
II – Argumentos Naturais para o Sepultamento Digno
– capítulos VII à IX

Parte
III – Formas de Aparições dos Mortos aos Vivos
– capítulos X à XII

Parte
IV – Intervenção dos Mortos no Mundo dos Vivos
– capítulos XIII à XVII

Parte
V – Conclusão e Encaminhamento
– capítulo XVIII

O tratado “De Cura pro
Mortuis Gerenda” (O Cuidado Devido aos Mortos) foi escrito por Santo
Agostinho em 421, como resposta a uma consulta feita pelo bispo Paulino de Nola,
a respeito da vantagem de se sepultar um cristão junto ao túmulo de um santo.

Embora a pergunta fosse, de
certa forma, simples, Santo Agostinho aborda uma série de fatos importantes e
interessantes a respeito dos mortos, que até hoje são conservados e respeitados
pela Igreja. Entre outras coisas, fala da utilidade da oração pelos mortos
(antiquíssimo testemunho do Purgatório, ainda que tal palavra não apareça), a
possibilidade da aparição dos mortos aos vivos (através do ministério dos anjos
ou por permissão direta de Deus), a oração dos santos falecidos a nosso favor,
o dia que a Igreja dedica a todos os falecidos (Dia de Finados), etc.

É obrigatória a leitura
desta obra por todos os cristãos de boa vontade; podemos crer que, se Lutero e
Calvino – grandes admiradores de Santo Agostinho – tivessem lido este tratado
com o cuidado que merece (se é que tiveram acesso a ele), certamente o
protestantismo não teria se afastado tanto da belíssima doutrina da Comunhão
dos Santos, verdade bíblica conservada desde o princípio pela Igreja de Cristo.
Contudo, podemos louvar a Deus pelo fato de algumas igrejas cristãs –
principalmente entre os luteranos, anglicanos e reformados – estarem, aos
poucos, resgatando essa verdade, como podemos depreeender das recentes declarações
conjuntas a respeito de Maria e a Comunhão
dos Santos
.

CAPÍTULO I

Caríssimo Paulino, meu irmão
no Episcopado: há muito devo-te uma resposta… Devo-a desde que me enviaste
uma carta – através dos familiares da nossa piedosíssima irmã, Flora – onde me
perguntavas se o cristão lucra algo para si se for sepultado próximo à
sepultura de algum santo. Essa questão fora-te feita pela própria viúva que
acabo de citar, em razão do seu falecido filho, enterrado em alguma parte da
sua capela. Para a consolar, disseste que tal voto já havia se concretizado
para o seu jovem filho, Cinérgio, em razão do carinho que a mãe nutre para com
seu filho, pois fora ele sepultado na Basílica do bem-aventurado Félix,
confessor da fé.

Tendo os mensageiros trazido
a carta de resposta a Flora, aproveitaste para me interrogar por escrito sobre
tal prática, pedindo o meu parecer sem esconder o que sentes.

Como me dizes, achais que
não é coisa vã o sentimento que leva pessoas fiéis e religiosas a tomarem tal
cuidados com os seus falecidos. Adiantas, ainda, que não é sem motivo que a
Igreja universal mantém o costume de orar pelos mortos. Assim, pode-se concluir
que é útil para o homem, após sua morte, ter uma sepultura desse gênero,
providenciada pela piedade [de seus familiares], onde possa contar a proteção
dos santos.

Caro Paulino: consideras
que, caso a opinião que diz ser útil sepultar os entes queridos junto à
sepulturas de santos seja verdadeira, então existe uma controvérsia com relação
às palavras do Apóstolo que diz: “Todos nós certamente nos apresentaremos
diante do tribunal de Cristo, para recebermos a retribuição de acordo com
aquilo que fizemos durante nossa vida corporal, seja para o bem ou para o
mal”1

De fato, a sentença do
Apóstolo exorta-nos que é antes da morte que podemos fazer o que seja útil para
depois dela e não depois que ela ocorre, quando recolhemos os frutos que
praticamos durante a vida.

A questão então é resolvida
da seguinte maneira: enquanto vivemos neste corpo mortal, há uma certa forma de
viver que permite, após a morte, obter certo alívio através das obras pias
feitas em seu sufrágio. Porém, tal ajuda será proporcional ao bem que cada um
de nós fizemos durante a vida.

Para alguns, tais auxílios
são totalmente inúteis, pois a conduta destes durante a vida foi tão má que
simplesmente se tornaram indignos de os aproveitarem. Também existem outros que
viveram de forma tão irrepreensível que não têm necessidade desses socorros.
Assim, é através do modo de vida que cada um levou durante a existência
corpórea, que se determina a utilidade ou inutilidade desses auxílios que lhes
são piedosamente dedicados após a morte. Se o mérito da proveitosidade foi nula
durante a vida, permanecerá estéril também após a morte.

Contudo, isso não significa
que a Igreja e os fiéis perdem seu tempo, ao inspirar, pela religião, o piedoso
cuidado aos defuntos – ainda que seja verdade que cada um receberá de acordo
com o que praticou de bom ou de mau durante a sua vida, já que o Senhor
retribui a cada um conforme as suas obras; logo, para que o cuidado tomado em
relação a um ente querido seja-lhe útil após sua morte, é necessário que essa
pessoa tenha adquirido a faculdade de torná-lo útil ainda durante o tempo em
que viveu no seu corpo.

Esta resposta seria
suficiente para a pergunta que me fizeste, mas creio que ela acaba gerando
outras questões que preciso também abordar. Peço-te, assim, atenção! Lemos, no
livro dos Macabeus2, que foi oferecido um sacrifício pelos mortos. Ainda que
não encontremos em qualquer outra parte do Antigo Testamento uma outra
referência a esse respeito, não podemos substimar a autoridade da Igreja
universal, que manifesta esse costume, pois, nas preces que o sacerdote dirige
ao Senhor Deus junto ao altar, existe espaço especialmente reservado para a
encomendação dos falecidos.

CAPÍTULO II

Convém examinar se o lugar
onde alguém foi sepultado exerce alguma influência sobre a alma. Mas, primeiro,
vejamos se existe algum efeito o fato de deixar um corpo sem sepultura, seja
para o início ou para o aumento das penas no além. Julguemos, pois, esta
questão fundamentando-se nas Sagradas Escrituras da nossa religião e não
conforme a crendice popular.

Não devemos crer, como lemos
em Virgílio, que os mortos insepultos não podem navegar nem atravessar na barca
do rio do Hades, confome esta passagem da Eneida: “Não lhes é permitido
passar para além dessas horríveis margens e desse rio de ruído assustador, até
que seus ossos não recebam uma morada tranquila”3.

Que inteligência cristã
poderia crer em tais fábulas e ficções se o próprio Senhor Jesus, ao
tranquilizar os cristãos que viriam a cair nas mãos e poder de seus inimigos,
afirmou que nenhum só fio de cabelo de sua cabeça se perderá4 e os exortou a
não temer aqueles que matam o corpo e nada mais podem fazer [contra a alma]5?

Já falei muito sobre isso no
primeiro livro da minha obra “A Cidade de Deus”6, para calar a boca
dos pagãos que nos acusam, como cristãos que somos, como responsáveis pelas
devastações promovidas pelos bárbaros, especialmente aquelas sofridas por Roma,
e alegam que Cristo não nos socorreu nessa ocasião. Ao explicarmos que Cristo
acolheu as almas dos fiéis conforme o mérito de sua fé, eles nos insultam dizendo
que muitos cadáveres ficaram sem sepultura. Eis o que trato a esse respeito –
quanto ao lugar do sepultamento – na citada obra:

“Naquela espantosa
quantidade de cadáveres, quantos fiéis devem ter ficado sem sepultura? Contudo,
tal infortúnio é pouco temido pela fé viva, que tem por certa que os animais
nada podem fazer contra a ressurreição dos corpos de suas vítimas e delas não
perecerá um só fio de cabelo da cabeça7. A Verdade afirmaria: ‘Não temais
aquele que mata o corpo e não pode matar a alma’8, se a engenhosa crueldade dos
assassinos pudesse eliminar nos corpos dos inimigos a semente da vida futura?
Haveria alguém tão insensato que acreditasse que os inimigos não devem ser
temidos antes da morte, mas apenas depois, por privá-lo de uma sepultura? Se
fosse possível fazer tal mal aos cadáveres, então as palavras de Cristo: ‘não
temais aquele que mata o corpo e não pode matar a alma’ seriam falsas. O quê?
As palavras da Verdade falsas? Que se afaste de nós tamanha blasfêmia! Está
escrito que os assassinos dispõem de tal poder no momento de matarem porque o
corpo é sensível ao golpe da morte, mas, em seguida, nada mais podem fazer pois
o cadáver é desprovido de qualquer sensibilidade. É verdade que a terra não
recebeu o corpo de grande quantidade de cristãos, mas, mesmo assim, ninguém
separou a terra do céu, pois ela está cheia da presença d’Aquele que sabe de
onde chamar à vida para aquilo que criou. Bem diz certo Salmo: ‘Deram os corpos
de teus servos como pasto para as aves do céus e as carnes dos teus santos aos
animais da terra. Derramaram o sangue deles como água à roda de Jerusalém e não
havia quem os sepultasse’9. Mas o Salmista diz isso mais para exagerar a
crueldade dos carrascos do que para lamentar o infortúnio das vítimas. ‘É
preciosa aos olhos do Senhor a morte dos seus santos’10. Assim, as providências
quanto ao funeral, a escolha da sepultura, a pompa do enterro, etc., é mais
consolo para os vivos do que alívio para os mortos. O quê? Poderiam os ímpios
se aproveitarem das honras fúnebres? Se sim, realmente seria um infortúnio para
o justo possuir uma sepultura pobre ou até mesmo não a possuir. Se para os
olhos dos homens grande número de escravos realiza magnífico cortejo fúnebre
para o rico impiedoso11, brilham muito mais para os olhos de Deus as exéquias
que o ministério de anjos ofereceram ao pobre Lázaro, todo coberto de úlceras.
Para seus restos mortais, não foi erguido um túmulo de mármore, mesmo assim,
foi levado para o seio de Abraão. Vejo rindo aqueles contra quem defendo a
Cidade de Deus… Contudo, até mesmo seus próprios filósofos menosprezaram a
preocupação com o sepultamento e, muitas vezes, exércitos inteiros pouco se
preocuparam com o lugar onde seus corpos haveriam de jazer – ao morrerem por
sua pátria -, mesmo sabendo que os animais se alimentariam deles. Desta forma,
puderam os poetas dizer, com aplausos: ‘A quem faltou o sepulcro, o céu serve
de proteção’12. Portanto, que loucura é essa de ultrajar os cristãos por terem
deixado corpos insepultos, se aos fiéis foi prometido que a carne e os membros
– deixados sobre a terra ou dispersos pelo interior de outros elementos – hão
de retornar à vida, num piscar de olhos, sendo restituídos à anterior
integridade, como foi prometido por Deus?13”.

CAPÍTULO III

Mesmo assim, isso não é justificativa
para abandonar sem cuidados os despojos dos falecidos, principalmente dos
justos e fiéis, que são órgãos e instrumentos do espírito para toda boa obra.
Se a roupa, o anel ou qualquer outro objeto pertencente ao pai é precioso para
os filhos, muito mais terna é a piedade filial. Acaso o corpo não merece mais
cuidados por estar muito mais intimamente ligado a nós do que a roupa, seja ela
qual for? Logo, o corpo não é mero ornamento exterior do homem, mas parte de
sua natureza humana. Este é o verdadeiro motivo dos deveres de piedade
solenemente prestados aos antigos justos, a pompa de suas exéquias, os cuidados
com suas sepulturas e as ordens que eles mesmos, quando vivos, davam a seus
filhos, para sepultá-los ou transladá-los uma vez mortos14.

De acordo com o testemunho
do anjo, Tobias atrai sobre si as bênçãos de Deus devido a seu cuidado para com
os mortos15. O próprio Nosso Senhor, que ressuscitará no terceiro dia, divulga
a boa ação da santa mulher que lhe unge com precioso perfume, como que para
sepultá-lo antecipadamente16. Também o Evangelho recorda com louvores aqueles
que receberam piedosamente o Corpo, à descida da cruz, cobrindo-o com o sudário
e depositando-o no sepulcro17.

De forma alguma, tais
exemplos não provam que os cadáveres conservam algum tipo de sensibilidade. Mas
provam que a Providência de Deus vela os despojos dos falecidos e esses deveres
de piedade lhe são agradáveis, por demonstrarem a fé na ressurreição.

Além disso, existe salutar
ensinamento para nós: ainda que Deus retribua abundantemente as nossas esmolas
prestadas a criaturas vivas e dotadas de sensibilidade, também aos olhos de
Deus nada se perde pela nossa caridade prestada aos restos inanimados dos
homens.

É certo que os santos
patriarcas deixaram, por inspiração profética do Espírito, outras recomendações
sobre o sepultamento e a transladação de seus corpos, porém, não é oportuno
aprofundarmos em tais mistérios neste momento. Basta, então, o que acabamos de
dizer.

Se é verdade que a falta de
coisas necessárias para a manutenção da vida – como o alimento e o vestuário –
são provações cruéis, mas impotentes contra a corajosa paciência do homem
virtuoso, longe de afastar a piedade do seu coração, como poderia, então, que a
falta das solenidades fúnebres costumeiras, perturbasse o repouso de tal alma
na santa e bem-aventurada mansão? “E que os últimos deveres tenham faltado
aos cristãos na desolação de Roma ou de outras cidades, isto pouco importa: não
foi falta dos vivos, que nada puderam fazer; nem infortúnio para os mortos, que
nada puderam sentir”18.

Tal é a minha opinião sobre
a causa e a razão de ser das sepulturas. Se extraí essa passagem de algum dos
meus livros para colocá-la aqui, é porque me pareceu mais simples retomá-la do
que exprimir em outras palavras as mesmas idéias.

CAPÍTULO IV

Como esses princípios acima
elencados são justos, não deixa de ser marca dos bons sentimentos do coração
humano escolher para seus entes queridos que serão sepultados um lugar próximo
aos túmulos dos santos.

Já que o sepultamento é, por
si mesmo, uma obra religiosa, a escolha do local não poderia ser estranha ao
ato religioso. É consolo para os vivos, uma forma de testemunhar sua ternura
para com os familiares desaparecidos. Não enxergo, porém, como os mortos podem
encontrar aí alguma ajuda, a não ser quando o lugar onde descansam é visitado e
são encomendados, pela oração [dos visitantes], à proteção dos santos junto ao
Senhor. Contudo, isso pode ser feito ainda quando não é possível sepultá-los em
tais lugares santos…

Se é verdade que denominam
de “Memorial” ou “Monumento” aos sepulcros vistosamente
construídos, fazem-no, na verdade, para trazer à memória aqueles que, pela
morte, foram subtraídos aos olhos dos vivos. Isto é feito para que as pessoas continuem
a se lembrar deles, para que não aconteça de, tendo sido retirados da presença
dos vivos, também sejam retirados do coração pelo esquecimento. Aliás, o termo
“Memorial” indica claramente esse sentido de recordação, da mesma
forma como “Monumento” significa “o que traz à mente”, ou
seja, o que a faz recordar. Eis o motivo pelo qual os gregos chamam de
“mnemeion” ao que chamamos de “memoria” ou
“monumentum”. Na língua deles, “mnème” significa
“memória”, a faculdade com a qual recordamos.

Assim, quando o pensamento
de alguém se concentra sobre o lugar onde o corpo de um ente querido jaz e esse
local esteja consagrado pelo nome de um mártir venerável, então a afeição
amorosa recorda-se e reza, recomendando o falecido querido a esse mártir.

Não se pode duvidar de que
essas súplicas, feitas pelos fiéis em nome dos seus caros defuntos, são úteis a
estes caso apenas tenham merecido – durante a vida – beneficiar-se após a
morte. Ainda que se suponha que alguma circunstância impediu o sepultamento ou
que não foi dada a autorização para sepultar num desses locais sagrados, não
será por isso que deveremos negligenciar as orações pelos falecidos.

A Igreja tomou para si o
encargo de orar por todos aqueles que morreram dentro da comunhão cristã e
católica. Ainda que não conheça todos os nomes [de seus fiéis defuntos], ela os
inclui numa comemoração geral19. Dessa forma, aqueles que não possuem mais
pais, filhos ou outros parentes e amigos para auxiliá-los, são amparados pelo
sufrágio dessa piedosa Mãe comum.

Julgo, porém, que caso esses
sufrágios pelos mortos sejam feitos sem verdadeira fé e piedade, de nada
valeria ao espírito deles que seus corpos sem vida se encontrassem sepultados
nos lugares mais santos.

CAPÍTULO V

Aquela mãe cristã de que me
falaste desejou que o corpo de seu filho fosse depositado na basílica de um
mártir por ter aquele expirado na fé. É que ela acreditava que a alma do finado
poderia ser ajudada pelos méritos desse mártir. Essa fé, a seu modo, já era uma
súplica; e súplica útil, se admitirmos isso, à medida em que voltar o seu
pensamento frequentemente em direção a esse túmulo e, cada vez mais, recomendar
o filho em suas orações… e é isto o que realmente será útil para a alma do
finado. O que vale não é o lugar onde o corpo está enterrado, mas a viva afeição
da mãe, revivificada pela lembrança desse lugar. A isso, devemos acrescentar
que o objeto de sua afeição e o pensamento do santo protetor contribuirão
bastante para tornar mais fecunda sua oração e piedade.

Ocorre que aqueles que oram
impõem a seus membros uma posição condizente com a oração: ajoelham-se,
estendem as mãos, prostram-se no chão e praticam outros gestos do gênero. É
certo que Deus conhece-lhes a verdade oculta e a intenção do coração, e não tem
a necessidade desses sinais sensíveis para penetrar no íntimo da consciência
humana. Entretanto, é por essas demonstrações que a pessoa estimula-se a si
mesma a orar e gemer com mais humildade e fervor. Ainda que os gestos corporais
não se produzam sem o movimento interior da alma, esses atos externos e
invisíveis aumentam – não sei como – o ato interior e invisível.

Ainda que estivesse impedido
ou impossibilitado de os realizar com seus próprios membros, isso não
imcapacitaria o homem interior de orar. Deus o vê, contrito e arrependido,
prostrar-se no santuário secreto do seu coração.

De forma análoga, podemos
dizer que o local de sepultamento é, por certo, de grande importância para
aquele que encomenda a Deus a alma do morto querido, desde que a oração seja
vivificada pelo espírito interior, já que foi o sentimento interno do coração
que escolheu com antecedência o lugar santificado para o sepultamento. E esse
local, após receber o corpo, renova e aumenta o sentimento interior, que foi o
princípio de tudo, pelas lembranças que suscita.

Contudo, se tão piedosa
pessoa não consegue sepultar aquele que ama no lugar onde desejaria por
inspiração cristã, ela não deve, por isso, suprimir as orações necessárias para
a encomendação do defunto. Pouco interessa se aqui ou ali está um corpo sem
vida: o essencial é que a alma encontre seu repouso. Deixando este mundo, ela
leva conscientemente consigo o tipo de sorte que lhe está reservada, se a
felicidade ou o infortúnio.

Não é da carne que a alma
espera ajuda para a sua vida futura. É ela que lhe comunicava a vida na terra.
Ao partir, ela retirou a vida; ao voltar20, a devolveria. É a alma que prepara
para a carne o que lhe será devido no momento da ressurreição, e o corpo ela o
fará revivificar, seja para o castigo ou para a glória.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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