O caos na educação pública

Todos sabemos que o Brasil é um dos melhores países do mundo em termos de recursos materiais, clima, água, etc. Não nos falta nada que dependa do Criador. No entanto, é um dos piores países naquilo que é mais importante: a educação do povo; por isso muitos jovens se perdem no mundo das drogas, do crime, da vadiagem, dos vícios e outras tristezas.

Um povo sem educação, sem boas escolas, sem bons professores, é hoje um rebanho sem pastor, sem luz, sem destino, sem futuro.

Os jornais noticiam que o desenvolvimento do país, que acontece em boa hora, quando o mundo econômico está em crise, está ameaçado por falta absoluta de profissionais minimamente preparados para o mercado de trabalho da indústria e outras áreas. Que tristeza! Por outro lado há jovens demais no mundo do crime, da droga e da vadiagem, por falta de obrigatoriedade de que estivessem nas escolas desde crianças.

Se em nosso país houvesse a seriedade educacional que existe, por exemplo, no Japão, Coréia do Sul, Inglaterra, França, etc., o Brasil já teria superado em muito os seus problemas sociais. Alguém disse que o Brasil nunca irá para o abismo, porque não existe abismo que o comporte.

Basta dar um exemplo: o Japão tem 330 pessoas por quilômetro quadrado, o Brasil tem 20 apenas. O Japão não tem petróleo, não tem minérios, não tem rios como nós, e, no entanto não tem a nossa miséria; 60% dos jovens tem curso superior. Qual o segredo: EDUCAÇÃO.

Agora tomamos conhecimento que “entre as 50 melhores escolas no ENEM 2011, apenas 3 são públicas”, isto é, apenas 6%; segundo publicou o jornal Folha de São Paulo em 23/11/2012. Isto é um dado inequívoco da triste situação do ensino público brasileiro, que pouco ensina de física, química, matemática, inglês, português, etc., mas que está repleto de “perfumarias” ideológicas. Um fracasso!

Esta notícia mostra com clareza que, com raríssimas exceções, só existe bom ensino nas escolas particulares, onde os alunos precisam pagar para estudar. Não seria então, o caso do governo, ao menos como paliativo, dar bolsas, para os alunos que desejarem estudar nessas escolas, e reconhecer de vez que o ensino público é um fracasso? É comum se ouvir que na maioria das escolas públicas “o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende”. As universidades públicas são exceção porque nelas há um rigoroso vestibular, agora enfraquecido com as tais “cotas”, que substitui o mérito pela cor e outras diferenças.

O fracasso no ensino público começa pelos professores, muitos sem preparo adequado, mal remunerados, sem instrumentos adequados de trabalho, e sem recursos financeiros para adquirir livros, equipamentos de laboratório, etc. É preciso dar menos regalias ao ensino universitário e mais recursos para o secundário. Em todo mundo evoluído o aluno paga para estudar em faculdade pública, mas no Brasil, carente de recursos, ninguém paga, nem mesmo os filhos de milionários. Um absurdo, uma injustiça social!

Já é hora do Brasil acordar e cobrar de todas as autoridades (municipais, estaduais e federais), mais respeito com o cidadão; cuidando de sua educação. Essa pérola preciosa que é a inteligência, que Deus deu de graça a cada um de nós, não pode ser jogada na lama. Não se dá pérolas aos porcos, disse Jesus Cristo. Cuidar da educação é também um item da evangelização, por isso  a Igreja em todos os tempos, desde a queda do império romano em 476, foi sempre a maior estimuladora do estudo, do ensino. Foi ela que fundou as primeiras universidades do mundo ocidental: Bolonha, Sorbone, Oxford, Cambridge, La Sapienza, Valladolid, Madrid, Compostela, Montpellier, etc.

Já é hora do povo brasileiro cobrar que os governos sejam sérios, que eliminem a corrupção para que o dinheiro da escola e da educação não vá parar nos bolsos dos corruptos e corruptores. Só a exigência dos pais e professores pode mudar esse caos educacional em nosso país, sem violência, sem gritos histéricos, mas com cobranças sérias, organizadas e maduras.

Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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