“O Brasil precisa de santos. Muitos santos!”

“PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
Estevão Bettencourt – osb
N º 358 – Março de 1992 – p. 144

(João Paulo II)

Esta afirmação do Papa João Paulo II em Florianópolis (18/10/91) poderá parecer alienante (…) Ela ressoa precisamente numa época em que se dirá que o Brasil necessita de soluções sócio-econômico-políticas; estas têm sido o objeto imperioso das preocupações de todos os brasileiros.
Na verdade, não têm faltado pacotes econômicos, amadurecidos na séria reflexão de peritos; não têm faltado estratégias políticas para resolver a crise do momento. E, apesar de todo esse empenho dos técnicos, o país não se reergue, a população continua a sofrer.
Por quê? Porque faltam precisamente as qualidades éticas que perfazem os santos. O (a) santo (a) não é uma pessoa alienada ou excepcional, mas, ao contrário, é alguém que se realiza plenamente como pessoa, como gente, e não apenas como técnico, bom conhecedor deste ou daquele ramo do saber. Pode alguém ser perito em determinada ciência ou atividade, mas revelar-se totalmente imperito ou fracassado como pessoa, como gente. Ora os sinais dos tempos no Brasil estão a nos lembrar que de nada servem os planos econômicos se não há, em todos os nossos concidadãos, autêntica conversão, do egoísmo, da cobiça de interesses particulares, para o amor ao próximo e a capacidade de renunciar a si, a fim de ajudar e salvar os irmãos. Por sua vez, este amor ao próximo não é possível se não inspirado por profundo amor a Deus (amor efetivo, prático e concreto, embora nem sempre afetivo). É o que diz o S. Padre em outro trecho da mesma homilia:
“A santidade, que faz que cada cristão deva ser Cristo presente entre os homens, Lembra-nos, como foi dito em Puebla, que existe ‘um povo que nasce apenas de Deus, e se orienta para Ele; .– os cidadãos deste povo devem caminhar na terra, mas como cidadãos do céu, com o coração enraizado em Deus através da oração e da contemplação’. Esta atitude não significa fuga do terreno, mas sim condição para uma entrega fecunda aos homens. Porque quem não aprendeu a adorar a vontade do Pai no silêncio da oração, difícil é te conseguirá fazê-lo quando sua condição de irmão lhe pedir renúncia, dor ou humilhação’ (nº 2505)”.
Ao cristão, como sal da terra (cf. Mt 5,13), toca especial dever de aprofundar e vivenciar tais verdades, pois nelas se encontra um dos componentes essenciais da solução de nossa crise nacional. A Quaresma, como tempo oportuno, em que a graça de Deus mais copiosa é oferecida a todos os cristãos, seja ocasião para revisão da escala de valores e retificação da rota em demanda de uma vida sempre mais fiel a Cristo e santa!

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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