Novos discriminados: crianças adotadas por homossexuais

Fala Ingrid Tapia,
especialista em direitos humanos

Por Omar
Árcega

QUERÉTARO, terça-feira, 18
de janeiro de 2011 (ZENIT.orgEl Observador) –
Ingrid Tapia, advogada, especialista em direito constitucional e direitos
humanos, professora decana de direito romano no Instituto Tecnológico Autônomo
do México (ITAM), “dedicada à família, às causas de gênero e às crianças
desde que estão na barriga de suas mães”, fala com ZENIT-El Observador
sobre o “casamento homossexual”, aprovado recentemente na região do Distrito
Federal do México, por exemplo.

ZENIT: Era necessário criar o “casamento
homossexual”?

Ingrid Tapia: Todas as
pessoas de um país devem ser reconhecidas pelo Estado, todos nós devemos fazer
um esforço por incluir e não discriminar as pessoas por sua preferência sexual
ou crença religiosa. Estar comprometidos com a não-discriminação não significa
que as leis das maiorias devem ser criadas segundo o capricho das minorias. É
uma pena que no país não exista o reconhecimento que ofereça segurança jurídica
às pessoas com uma preferência sexual homo, mas é uma pena também que degradem
a instituição do casamento.

ZENIT: Por que se
degrada o casamento?

Ingrid Tapia:  Porque,
ao permitir o “casamento” homossexual, fazem acreditar que o
casamento serve para regulamentar a relação de um casal e essa não é sua
função; os casais adultos não precisam de nenhuma lei para amar-se, estar
juntos ou se separar; o casamento foi criado para proteger a família, e não o
casal; e, ao reduzir o casamento a uma mera regulamentação da vida do casal,
ele acaba sendo degradado. O casamento é para formar uma família, essa é a
grande perda.

Da relação heterossexual
(homem e mulher) surgem os filhos, e o casamento foi feito para regulamentar a
existência dessas pessoas, garantir sua subsistência. Os relacionamentos
homossexuais nunca se enquadrarão neste caso; o casamento é como um vestido
“tamanho 40” que estão tentando colocar nos relacionamentos
“tamanho 10”: ficam grandes demais.

ZENIT: O que dizer com
relação às adoções por parte de homossexuais?

Ingrid Tapia:  Isso é
o cúmulo. Na França, Inglaterra e em 46 estados da União Americana, a adoção
homoparental é proibida. O que a corte fez é um ultraje; as crianças são
concebidas como objetos de satisfação, e não como sujeitos.  Acredita-se
que é obrigação entregar as crianças e que existe o direito de adotá-las, mas o
que existe é o direito de ser adotado.

ZENIT: Quais foram os
critérios adotados em outros países?

Ingrid Tapia:  Sempre
que se recusou a adoção homoparental, o argumento foi: enquanto não saibamos se
causa dano ou não crescer com duas pessoas do mesmo sexo, não podemos dar para
adoção, porque não podemos fazer experimentos com essas crianças. No México,
nos debates do Tribunal, uma ministra, em poucas palavras, disse: “Então
vamos dar as crianças em adoção e ver o que acontece”.

ZENIT: Silenciam as
vozes que são contra…

Ingrid Tapia:  Sai
todo o mundo falando sobre o estado leigo, que não quer ouvir o que dizem os
padres, religiosos e leigos comprometidos, mas a maior responsável por creches
e orfanatos é a Igreja. O mínimo que se pode fazer quando você vai decidir
sobre a vida de uma criança é pedir a opinião de quem cuida dela.

ZENIT: Quais são os
problemas enfrentados pelos filhos adotados por casais homossexuais?

Ingrid Tapia: A criança em
adoção seria destinatária de desprezo devido às decisões de seus pais. Explico:
em um programa de rádio na Cidade do México, fizeram uma pergunta aos ouvintes:
“Você deixaria seu filho brincar na casa de um amigo que tivesse dois pais
ou duas ‘mães’?”. Mais de 80% das pessoas disseram que não permitiriam que
seus filhos frequentassem uma casa com dois “pais”, mas deixariam, se
fosse uma casa com duas “mães”. E depois dizem que não existe
discriminação.

ZENIT: Diante das
determinações legais, é possível fazer alguma coisa?

Ingrid Tapia: Um ato
aprovado em um Estado
é válido em toda a República, e esse é o argumento dos casais homossexuais. Mas
não podemos esquecer de que esta é essencialmente uma batalha cultural;
certamente irão a cada Estado da República para promover esta visão distorcida.
Os grupos da sociedade civil e as maiorias devem reagir, para ter leis de
acordo com seu pensamento. O espírito democrático é que a lei reflita os
sentimentos e pensamentos das maiorias, sem ferir as minorias. Há uma diferença
abismal entre não discriminar os que são diferentes e ser refém deles.

Essa minoria também é
organizada para nos refutar na mídia alternativa e formal; não é que os
mexicanos são a favor do aborto, mas se aqueles que dirigem os noticiários
importantes o são, damos a impressão de que todos são a favor também.
Precisamos formar melhor nossos líderes de opinião, falta ter uma base de
resposta, ser mais proativos como sociedade.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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