Noticiando impactos

É incontestável a força impactante das notícias veiculadas diariamente, das mais variadas formas e tipos. Há uma imensa demanda por novidades que são consumidas como um verdadeiro alimento de cada dia. O ato de divulgar uma informação quase toma o lugar importante da reflexão e da contemplação.

Cada vez mais é decisivo ser bem informado. O mundo desafiador da informação, obviamente, alavanca avanços, tem lugar determinante nas análises e pode indicar horizontes novos. É fácil concluir, no entanto, que a notícia é mais do que a produção de impactos, o alcance de metas planejadas e buscadas a todo preço ou a simples alimentação comum da necessidade contemporânea de apropriar-se da informação mais nova. A busca apenas daquilo que é impactante resulta numa avalanche de informações não assimiladas, mal localizadas, que impõe superficialidades e passa por cima, não raras vezes, de pessoas, instituições e horizontes intocáveis da sociedade.

Quando uma direção é considerada importante ou se quer fazer crescer a cotação deste, daquele ou daquilo, a informação produzida, de variados modos, se torna uma força avassaladora que convence, derruba adversários e produz vítimas. Muitas vezes, faz valer perspectivas e convicções de quem tem o poder de impor certos interesses. Não raro neste quadro, vê-se produzir um jogo perverso, com a absolvição de quem é merecedor de penas, a projeção de quem nem tanto é fonte de referência, com riscos de dar lugar largo à mesquinhez. Assim, impede a indispensável e permanente configuração da consciência ética e moral.

Não se pode tomar como princípio que a notícia boa é a notícia ruim, que causa impactos. Noticiar a verdade deve ser a meta principal, um importante caminho para elucidar a vida como ela é. Trata-se de um serviço comprometido com a justiça, o bem e a paz. De modo especial, a notícia tem força e tarefa de não apenas produzir emaranhados de compreensão, de juízos e pareceres, dispensando o discernimento, a capacidade de escolha e a competência humanística para posicionar-se, a partir do compromisso com o bem da sociedade.

Neste tempo de preparação para o Natal, que seja escutado um anúncio antigo, mas cheio de novidade, feito pelo profeta Isaías.  Ao noticiar que uma virgem conceberia um filho e lhe colocaria o nome de Emanuel, o profeta possibilitou ao povo ver uma grande luz que resplandece e muda o rumo da vida de quem habita nas sombras da morte. O anúncio do nascimento de um menino, o filho que foi dado, é a notícia que gera um novo tempo.

A novidade do profeta causa impacto. Poeticamente ele convida ao entendimento de que um broto vai surgir do tronco de Jessé. O Natal é genuinamente o anúncio de um acontecimento que não se esgota numa novidade momentânea. Produz nova compreensão, com a consequente abertura de um novo tempo. O Natal é a notícia de que Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem para a salvação de todos, convida à consciência do amor vivificador de Deus n’Ele, oferecido abundantemente. Quem escuta e acolhe esta notícia experimenta a sua força transformadora. Abre-se à possibilidade de não se perder por outras “novidades”. O anúncio do nascimento de Cristo suscita permanentemente o desejo de buscar a fonte da vida. É uma notícia que dialoga com a liberdade de cada um, sem massacrá-la ou cegá-la.

A partir de Jesus nasce o gosto por uma vida diferente. Ele, Cristo, não tira nada e dá tudo. Noticiá-lo, o grande propósito do Natal, é colocar-se a serviço da vida, promovendo a compreensão de que a fraternidade solidária, em todas as circunstâncias, é a mais alta expressão de Jesus. Esta é uma informação que permite elevar a condição humana, caminho para desenvolver plenitude na dimensão pessoal, familiar, social e cultural. Trata-se de um verdadeiro antídoto ao consumismo hedonista e individualista, preservando a vida de ser reduzida ao prazer imediato e sem limites, antídoto para a insensibilidade diante das condições de muitos abandonados, ignorados em sua miséria e dor. Boa e justa é a notícia que gera dignidade e fraternidade universal.

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Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte – MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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