Muita confusão e um único sacerdote: “Legado” do Bispo removido por negar doutrina católica

TOOWOOMBA, 13 Mai. 11 (ACI/EWTN Noticias) .- Muita confusão e uma única vocação sacerdotal tardia. Essa é a herança de Dom William Morris, quem fora Bispo da Toowoomba (Austrália) desde 1993 até 2 de maio de 2011, data em que o Papa ordenou sua remoção devido ao seu persistente apoio à ordenação sacerdotal de mulheres e casados, à absolvição geral na confissão e ao desterro total da vestimenta clerical.

Em declarações à agência ACI Prensa, um ancião sacerdote australiano que pediu não ser identificado denunciou que -depois do passo do Bispo Morris que durante anos desobedeceu ao Papa e a diversas autoridades do Vaticano que lhe exigiram apresentar sua renuncia- o que resta é muita confusão e o que falta são jovens.

“Olhem sua página Web, sua ‘pastoral para jovens’ não tem gente porque não há jovens. Todos são anciãos e a maioria de seus sacerdotes são maiores de 65 anos. O mais jovem de todos tem quase 50!”

Este presbítero não é o único que recorda a “herança” de Dom William Morris. Norm e Mavis Power se mudaram a Toowoomba em 1959 com a esperança de ter um bom lugar para sua família e um espaço adequado para crescer em sua fé católica.

“Nesse tempo -declaram à ACI Prensa- havia um monastério justo ao centro da cidade dirigido por sacerdotes do Santíssimo Sacramento. Era um centro de oração e atividade. De fato todas as igrejas da cidade estavam cheias. A vida da Igreja era muito vibrante”.

“Agora, entretanto, o monastério está fechado e as mesmas igrejas estão vazias. É muito, muito triste”, acrescentam.

Com as dramáticas mudanças que impulsionou Morris como o desterro da vestimenta clerical e sua substituição pelo terno e gravata, e com a imposição de práticas como a absolvição geral de pecados, comenta Mavis, “o Bispo dizia às pessoas o que eles queria escutar, não o que a Igreja Católica ensina”.

Norm recorda que “em vez de confissões individuais, as pessoas tinham que ficar em fila, escrever seus pecados em um papel e pô-los em uma jarra. Além disso, promovia-se uma inadequada participação laical em todos os lugares”.

“Assim, se um domingo um sacerdote não estava presente, já não se buscava um outro próximo, mas sim pedia a algum leigo que dirigisse o serviço e desse a comunhão alegando que ‘queriam conservar a comunidade unida'”.

Mavis Power assegura que “foi muito difícil. Realmente complicado, e cada vez que escrevíamos ao Bispo sobre alguma destas coisas sempre nos dizia que erámos nós os que estávamos no engano”.

A posição contrária de William Morris à doutrina católica fez que o Vaticano solicitasse sua presença em distintas ocasiões entre 2005 e 2007 em Roma. Ante sua negação para dar razão de suas ações, a Santa Sé realizou em 2007 uma visita apostólica (investigação), depois da qual exigiu pacientemente, em repetidas ocasiões e durante vários anos, que apresentasse sua renúncia ao cargo.

A este pedido sempre respondeu que não, apesar do fato de que o mesmo Papa Bento XVI exigiu sua renúncia em uma reunião em Roma realizada em junho de 2009, ao qual também se negou.

William Morris declarou em diversos meios de rádio e televisão australianos que “negou a justiça natural” no Vaticano e que a reunião com o Papa foi “como a Inquisição. Ele era imutável. Não houve diálogo”.

Para a colunista Kate Edwards da ABC, “a realidade é que se o Bispo Morris da Toowoomba tivesse estado trabalhando para uma organização civil regida pelas leis comerciais, certamente tivesse sido culpado no cargo de falsa representatividade. Ele se apresentava como alguém que ensinava a fé católica, mas de fato não o estava fazendo!”

Em opinião de Christopher Pearson do The Australian, “a remoção do Morris envia uma clara mensagem aos bispos, na Austrália e em todo mundo. A paciência da Santa Sé não é, como parece ser, ilimitada”.

“Os bispos mais liberais podem ir dizendo adeus às suas fantasias dos anos 90 de ordenar freiras ou ao menos terão que reservá-las para si próprios apenas”, acrescenta.

Enquanto isso, o trabalho de reconstrução da diocese já foi iniciado sob o mando do Administrador Apostólico e Bispo de Brisbane, Dom Brian Finnegan, quem recebe o cargo, pelo momento, de velar por 66 000 pessoas divididas em 35 paróquias.

Norm e Mavis Power, agora com 13 netos, comentam que esperam poder ajudá-los em seu crescimento na fé e afirmam que seguirão rezando para ter um bom Bispo. Asseguram ademais que não deixarão de rezar pelo que acaba de deixar o cargo.

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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