Movimento de Schönstatt

1. Histórico
Aos 18 de outubro de 1914, o Pe. José Kentenich manifesta a um grupo de jovens Congregados Marianos sua ”secreta ideia predileta”: transformar a Capela da Congregação Mariana, situada no vale de Schönstatt, em Vallendar, junto ao Reno, capela de São Miguel, um Tabor a partir do qual se manifestem as glórias de Maria. Não poderia deixar herança maior do que levar N.Sra. do Rosário a estabelecer, nesta capela, seu trono e distribuir tesouros e milagres da graça. Era plano ‘fazer suave violência’ a Nossa Senhora através de orações e sacrifícios, e tornar a Capela São Miguel ponto de partida e centro de um movimento de educação e renovação religiosa e moral.

Surgiram diversos movimentos:
A União apostólica é a primeira de suas comunidades apostólicas laicais.
Em 1920 nasce a ”iga” que compreende sacerdotes, homens e mulheres de diversas idades e, profissões, agrupados em vários ramos.
Em 1926 surge a fundação dos Institutos Seculares de Schönstatt.
Em 1924, a Congregação Mariana do Seminário de Schönstatt transformou-se no Movimento Apostólico de Schönstatt.
Hoje a Obra de Schönstatt compreende: Institutos, Uniões, Liga e Movimento Popular de Peregrinos. Os santuários, que se constroem no mundo, são reproduções fiéis do Santuário de Schönstatt.

Linhas Doutrinais
A fé convicta do Pe. Kentenich era de que a missão e atuação da Mãe de Deus continua até o fim dos tempos, como ´companheira e colaboradora´ oficial e permanente de Cristo em toda a obra da redenção. Mesmo após a assunção ao céu desenvolve sua atuação, de preferência nos lugares de graças que ela mesma escolhe, e por meio de pessoas que se colocam à sua disposição. Numa peregrinação a Pompéia, na Itália, surgiu-lhe esta ideia: Por que Pompeia sim, e Schönstatt não?

Os Congregados Marianos resolveram colocar-se a serviço de Nossa Senhora. Esta consagração tomou o nome de ‘Aliança de Amor’ e as palavras proferidas, neste 18 de outubro de 1914, denominaram-se mais tarde ‘Documento de Fundação’. Eles tomaram conhecimento da Congregação Mariana que floresceu no século XVI em Ingolstadt, e dela tomaram o título ”Mãe Três Vezes Admirável” para a imagem de Maria da Capelinha de São Miguel. Em Schönstatt recebe-se tríplice graça: a graça do abrigo espiritual, a graça da transformação interior, e a graça da missão e fecundidade apostólica.
O elemento determinante é a Aliança de Amor com a Mãe Três Vezes Admirável. Em si não é outra coisa que a aliança feita com Deus no batismo. Por que Mãe Três Vezes Admirável? Porque Deus fez um Aliança de Amor com a Criação através do homem e com a mediação da Ssma. Virgem. Nesta aliança pessoal, os contraentes se pertencem mutuamente: a realeza de Maria nos fica entregue, com a sua segurança. A Aliança é local, vivida integralmente na Capelinha, pois ali recebe-se graça específica. Na Capelinha a aliança encontra sua materialização e seu símbolo. Como conseqüência há necessidade de se vincular estreitamente ao lugar e fazer dele o lar espiritual. A Aliança de Amor se vive se houver contato de fé com a Capelinha.
O típico de Schönstatt é pretender realizar a missão por meio de Maria, isto é, mostrar ao mundo a posição, a dignidade e a missão da Ssma. Virgem, que assegurará a transformação do mundo em Cristo. O Movimento aspira, como missão, converter´se numa epifania mariana. Schönstatt quer formar um Capital de Graças a ser oferecido na Capelinha, dentro do Corpo Místico. Para fundamentar isso lembra a liberdade humana e a generosidade divina.
O Movimento cumpre sua missão pelo Espírito Santo, que age na Capelinha por meio de Maria. É Ele quem renova todas as coisas. Outra arma é uma forte autoridade: poucas leis, mas uma autoridade firme e forte.
O espírito do Movimento apostólico de Schönstatt pode ser sintetizado nestes pontos:

Piedade mariana
Maria é a mais perfeita realização do homem novo, da nova criação, objetivo da salvação realizado por Jesus Cristo.

Piedade da Aliança
Deve-se decidir livremente com Maria e como Maria: ”Unidos com Maria na Aliança do Amor, chegaremos a Cristo Jesus, e por Cristo, no Espírito Santo, ao Pai”.

Piedade de instrumento
A Família Schönstatt cultiva a consciência de ser um instrumento totalmente dependente de Deus e da sua graça. Há o cuidado de se orientar na vontade de Deus, à luz da fé na Providência, e estar em total disponibilidade.

Santidade de vida diária
Trata-se de santificar o mundo em todos os seus âmbitos. A ideia da santidade de todos os dias teve papel decisivo na constituição dos Institutos Seculares.

Espírito de magnanimidade
Vínculos que obrigam sob pecado, só os necessários; liberdade que aspira ao mais alto grau de amor e cultivo da vida espiritual para atingir este grau.

Nos Institutos se faz a consagração-contrato em lugar dos votos
É uma consagração-contrato que vincula pela força do direito natural. Os contraentes são cada um de seus membros e a comunidade. Com esta consagração ascética à Mãe Três Vezes Admirável o contrato é elevado ao caráter de ato religioso e de entrega total a Deus.
Espírito de família. O princípio teológico de que a graça deve unir´se à natureza é básico
Procura imitar a família, para que o povo de Deus se torne família de Deus. Por isso os membros vêem em Schönstatt o lugar de seu nascimento espiritual. Olham o Fundador como pai espiritual, em cuja pessoa transparece o Pai eterno, do qual vem toda a paternidade no céu e na terra.

3. Avaliação
Aspectos positivos
Nota-se o desejo do Pe. Kentenich de prestar um culto especial à Mãe de Deus e a busca de uma vida de transformação. Elaborou o sentido de uma espiritualidade que seja testemunho com linhas ascéticas bem definidas.
Outro aspecto positivo é também o fato de santificar a vida diária e de colocar o sentido da fé na cotidianidade. O Movimento teve ampla difusão entre o povo, sobretudo pelas Capelinhas da Visitação, em que as casas recebem a imagem de Maria e rezam diante dela.

Aspectos negativos
Deve-se observar a vinculação demais materializada ao Santuário como se fosse um absoluto, sem o qual não há uma experiência mais profunda de Deus em outras formas.
Parece colocar Maria numa posição quase independente. Sua vinculação com Cristo parece tênue. Tem-se a impressão de que o primeiro lugar é de Maria.
A própria Aliança de Amor poderia destacar mais os aspectos de Aliança tão fortes na Bíblia, e destacar menos esta vinculação com a Capelinha.
O sentido de autoridade também se manifesta de modo muito duro, fazendo com que a obediência se torne mais um ato material, do que uma disponibilidade mais plena e abrangente da vontade de Deus.
Pode-se questionar a consagração-contrato, como vinculação pelo direito natural, mesmo colocada no plano religioso. É posta como algo que vincula mais pelo contrato e o direito do que pela consagração e entrega generosa a Deus.
A figura do Fundador assume uma posição de destaque, que deve ser sempre considerado como algo fundamental, até mesmo se comparando com a paternidade de Deus.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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