Moral: Catecismo da Igreja Católica (Parte 5)

O Dia da Ressurreição: A
Nova Criação

2174

Jesus ressuscitou dentre os mortos “no primeiro dia da
semana” (Mc 16,2)385. Enquanto “primeiro dia”, o dia da Ressurreição de Cristo
lembra a primeira criação. Enquanto “oitavo dia”, que segue ao Sábado386,
significa a nova criação inaugurada com a Ressurreição de Cristo. Para os
cristãos, ele se tornou o primeiro de todos os dias, a primeira de todas as
festas, o dia do Senhor (“Hé kyriaké hemera”, “dies dominica”). O “Domingo”:

Reunimo-nos todos no dia do
sol, porque é o primeiro dia (após o Sábado dos judeus, mas também o primeiro
dia) em que Deus, extraindo a matéria das trevas, criou o mundo e, nesse mesmo
dia, Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos387.

385 Cf. Mt 28,1; Lc 24,1; Jo
20,1.

386 Cf. Mc 16,1; Mt 28,1.

387 S. Justino, Apol. 1,67.

O Domingo – Plenitude do
Sábado

2175

 O Domingo se distingue expressamente do Sábado, ao qual
sucede cronologicamente, a cada semana, e cuja prescrição ritual substitui,
para os cristãos. Leva à plenitude, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual
do Sábado judeu e anuncia o repouso eterno do homem em Deus. Pois o culto da
lei preparava o mistério de Cristo e o que nele se praticava prefigurava, de
alguma forma, algum aspecto de Cristo388:

Aqueles que viviam segundo a
ordem antiga das coisas voltaram-se para a nova esperança não mais observando o
Sábado, mas sim o dia do Senhor, no qual a nossa vida é abençoada por Ele e por
sua morte389.

388 Cf. 1Cor 10,11

389 Sto. Inácio de
Antioquia, Magn. 9,1.

A Eucaristia Dominical

2177

A celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor
está no coração da vida da Igreja. “O Domingo, dia em que por tradição
apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja
como dia de festa de preceito por excelência.”391

 “Devem ser guardados igualmente o dia do Natal de Nosso
Senhor Jesus Cristo, da Epifania, da Ascensão e do Santíssimo Corpo e Sangue de
Cristo, de Santa Maria, Mãe de Deus, de sua Imaculada Conceição e Assunção, de
São José, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e, por fim, de Todos os
Santos.”392

391 CIC, cân 1246, 1.

392 CIC, cân. 1246,1, cf. n.
2043, após a nota 252.

A Obrigação do Domingo

2180O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do
Senhor: “Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a
obrigação de participar da missa”398. “Satisfaz ao preceito de participar da
missa quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de
festa ou à tarde do dia anterior.”399

398 CIC, cân 1247.

399 CIC, cân. 1248, 1.

2181

A Eucaristia do Domingo fundamenta e sanciona toda a
prática cristã. Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos
dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença,
cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor400. Aqueles que
deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave.

400 Cf. CIC, cân. 1245.

2183

“Por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave,
se a participação na celebração eucarística se tornar impossível, recomenda-se
vivamente que os fiéis participem da liturgia da Palavra, se houver, na igreja
paroquial ou em outro lugar sagrado, celebrada segundo as prescrições do Bispo
diocesano, ou então se dediquem à oração durante um tempo conveniente, a sós ou
em família, ou em grupos de famílias, de acordo com a oportunidade.”401

401 CIC, cân 1248, 2.

Dia de  Graça e de interrupção do trabalho

2184

Como Deus “descansou no sétimo dia, depois de toda a obra
que fizera” (Gn 2,2), a vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso.
A  instituição do dia do Senhor contribui
para que todos desfrutem do tempo de repouso e de lazer suficiente que lhes
permita cultivar sua vida familiar, cultural, social e religiosa402.

402 Cf. Gs 67, 3.

2185

Durante o Domingo e os outros dias de festa de preceito,
os fiéis se absterão de se entregar aos trabalhos ou atividades que impedem o
culto devido a Deus, a alegria própria ao dia do Senhor, a prática das obras de
misericórdia e o descanso conveniente do espírito e do corpo403. As
necessidades familiares ou uma grande utilidade social são motivos legítimos
para dispensa do preceito do repouso dominical. Os fiéis cuidarão para que
dispensas legítimas não acabem introduzindo hábitos prejudiciais à religião, à
vida familiar e à saúde.

O amor da verdade busca o
santo ócio, a necessidade do amor acolhe o trabalho justo404.

403 Cf. CIC, cân. 1247.

404 Sto. Agostinho, De civ.
Dei, 19,19.

2187

Santificar os domingos e dias de festa exige um esforço
comum. Cada cristão deve evitar impor sem necessidades a outrem o que o
impediria de guardar o dia do Senhor. Quando os costumes (esporte, restaurantes
etc.) e as necessidades sociais (serviços públicos etc.) exigem de alguns um
trabalho dominical, cada um assuma a responsabilidade de encontrar um tempo
suficiente de lazer. Os fiéis cuidarão, com temperança e caridade, de evitar os
excessos e as violências causadas às vezes pelas diversões de massa. Apesar das
limitações econômicas, os poderes públicos cuidarão de assegurar aos cidadãos
um tempo destinado ao repouso e ao culto divino. Os patrões têm uma obrigação
análoga com respeito a seus empregados.

2189

“Guardarás o dia de Sábado para santificá-lo” (Dt 5,12).
“No sétimo dia se fará repouso absoluto em honra do Senhor” (Ex 31, 15).

2190

O sábado, que representava o término da primeira criação,
é substituído pelo Domingo, que lembra a criação nova, inaugurada com a
Ressurreição de Cristo.

2191A Igreja celebra o dia da Ressurreição de Cristo no
oitavo dia, que é corretamente chamado dia do Senhor, ou Domingo405.

405 Cf. SC 106.

2192

“O Domingo (…) deve ser guardado em toda a Igreja como
o dia de festa de preceito por excelência.”406 “No Domingo e em outros dias de
festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da missa.”407

406 CIC, cân. 1246, 1.

407 CIC, cân. 1247.

2193

“No Domingo e nos outros dias de festa de preceito, os
fiéis se absterão das atividades e negócios que impeçam, o culto a ser prestado
a Deus, a alegria própria do dia do Senhor e o devido descanso da mente e do
corpo.”408

408 CIC, cân 1247.

2194

A instituição do Domingo contribui para que “todos tenham
tempo de repouso e de lazer suficiente para lhes permitir cultivar sua vida
familiar, cultural, social e religiosa409.

409 GS 67, 3.

2195Todo cristão deve evitar impor sem necessidade aos outros
aquilo que os impediria de guardar o dia do Senhor.

2197

 O quarto mandamento encabeça a segunda tábua. Indica a
ordem da caridade. Deus quis que, depois dele mesmo, honrássemos nossos pais, a
quem devemos a vida e que nos transmitiram o conhecimento de Deus. Devemos
honrar e respeitar todos aqueles que Deus, para o nosso bem, revestiu de sua
autoridade.

2200

A observância do quarto mandamento acarreta sua
recompensa: “Honra teu pai e tua mãe para teres uma longa vida na terra, que o
Senhor Deus te dá” (Ex 20,12)412. O respeito a esse mandamento alcança,
juntamente com os frutos espirituais, frutos temporais de paz e de
prosperidade. Ao contrário, a não-observância desse mandamento acarreta grandes
danos para as comunidades e para as pessoas.

412 Cf. Dt 5, 16.

2202Um homem e uma mulher unidos em casamento formam com seus
filhos uma família. Esta disposição precede todo reconhecimento por parte da
autoridade pública; impõe-se a ela (isto é, não depende da autoridade civil
para se constituir) e deve ser considerada como a referência normal, em função
da qual devem ser avaliadas as diversas formas de parentesco.

2205A família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e
imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade
procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai. Ela é chamada a
partilhar da oração e do sacrifício de Cristo. A oração cotidiana e a leitura
da Palavra de Deus fortificam nela a caridade. A família cristã é
evangelizadora e missionária.

II. A família e a sociedade

2207

 A família é a célula originária da vida social. É a
sociedade natural na qual o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor
e no Dom da vida. A autoridade, a estabilidade e a vida de relações dentro dela
constituem os fundamentos da liberdade, da segurança e da fraternidade no
conjunto social. A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem
assimilar os valores morais, tais como honrar a Deus e usar corretamente a
liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade.

2211
A comunidade política tem o dever de
honrar a família, de assisti-la, de lhe garantir sobretudo:

o direito de se constituir,
de ter filhos e de educá-los de acordo com  
suas próprias convicções morais e religiosas;

a proteção da estabilidade
do vínculo conjugal e da instituição familiar;

a liberdade de professar a
própria fé, de transmití-la, de educar nela os filhos, com os meios e as
instituições necessárias;

o direito à propriedade
privada, à liberdade de empreendimento, ao trabalho, à moradia, à emigração;

de acordo com as
instituições dos países, o direito à assistência médica, à assistência aos
idosos, aos abonos familiares;

a proteção da segurança e da
saúde, sobretudo em relação aos perigos, como drogas, pornografia, alcoolismo
etc.;

a liberdade de formar
associações com outras famílias e, assim, serem representadas junto às
autoridades civis418.

418 Cf. GS 47,1.

III. Deveres dos membros da
família

Deveres dos Filhos

2214

A paternidade divina é a fonte da paternidade humana419;
é o fundamento da honra devida aos pais. O respeito dos filhos, menores ou
adultos, pelo pai e pela mãe420 alimenta-se da afeição natural do vínculo que
os une e é exigido pelo preceito divino421.

419 Cf. Ef 3,15.

420 Cf. Pr 1,8; Tb 4,3-4.

421 Cf. Ex 20,12.

2216

O respeito filial se revela pela docilidade e pela
obediência verdadeiras. “Meu filho, guarda os preceitos de teu pai, não
rejeites a instrução de tua mãe… Quando caminhares, te guiarão; quando
descansares, te guardarão; quando despertares, te falarão” (Pr 6,20-22). “Um
filho sábio ama a correção do pai, e o zombador não escuta a reprimenda” (Pr
13,1).

2217

Quando crescerem, os filhos continuarão a respeitar seus
pais. Antecipar-se-ão aos desejos deles, solicitarão de bom grado seus
conselhos e aceitarão suas justas admoestações. A obediência aos pais cessa com
a emancipação dos filhos, mas o respeito, que sempre lhes é devido, não cessará
de modo algum, pois (tal respeito) tem sua raiz no temor de Deus, um dos dons
do Espírito Santo.

2220Os cristãos devem uma gratidão especial àqueles de quem
receberam o dom da fé, de outros membros da família, dos avós, dos pastores,
dos catequistas, de outros professores ou amigos. “Evoco a lembrança da fé sem
hipocrisia que há em ti, a mesma que habitou primeiramente em tua avó Lóide e
em tua mãe Eunice e que, estou convencido, reside também em ti” (2Tm 1,5).

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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