Moral: Catecismo da Igreja Católica (Parte 1)

§1697 – Como deve ser a
Catequese

Importa, na catequese, revelar
com toda clareza a alegria e as exigências do caminho de Cristo (Cf. CT 29). A
catequese da “vida nova” (Rm 6,4) em Cristo será:

1- uma catequese do Espírito
Santo, Mestre interior da vida segundo  
Cristo, doce hóspede e amigo que inspira, conduz retifica e fortifica
esta vida;

2- uma catequese da graça, pois
é pela graça que somos salvos, e é pela graça que nossas obras podem produzir
frutos para a vida eterna;

3- uma catequese das
bem-aventuranças, pois o caminho de Cristo se resume às bem-aventuranças, único
caminho para a felicidade eterna, à qual o coração do homem aspira;

4- uma catequese do pecado e
do perdão, pois, sem reconhecer-se pecador, o homem não pode conhecer a verdade
sobre si mesmo, condição do reto agir, e sem a oferta do perdão não poderia
suportar essa verdade;

5- uma catequese das
virtudes humanas,  que faz abraçar a
beleza e a atração das retas disposições em vista do bem;

6- uma catequese das virtudes
cristãs  da fé, esperança e caridade, que
se inspira com prodigalidade no exemplo dos santos;

7- uma catequese do duplo
mandamento da caridade desenvolvido no Decálogo;

8- uma catequese eclesial, pois
é nos múltiplos intercâmbios dos “bem espirituais” na “comunhão dos santos” que
a vida cristã pode crescer, desenvolver-se e comunicar-se.

A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

§1700

A dignidade da pessoa humana
se fundamenta em sua criação à imagem e semelhança de Deus;

1 – realiza-se em sua
vocação à bem-aventurança divina.

2 –  Cabe ao ser humano a livre iniciativa de sua
realização. Por seus atos deliberados, a pessoa humana se conforma ou não ao
bem prometido por Deus e atestado por sua consciência moral.

3 – As pessoas humanas se
edificam e crescem interiormente: fazem de toda sua vida sensível e espiritual
matéria de crescimento.

4 – Com a ajuda da graça,
crescem na virtude, evitam o pecado e, se o tiverem cometido, voltam, como o
filho pródigo (Cf. Lc 15, 11-31), para a misericórdia de nosso Pai dos Céus.
Chegam, assim, à perfeição da caridade.

§1710

“Cristo manifesta plenamente
o homem ao próprio homem e lhe descobre sua altíssima vocação.”( GS 22, 1)

1711

Dotada de alma espiritual,
inteligência e vontade, a pessoa humana, desde sua concepção, é ordenada para
Deus e destinada à bem-aventurança eterna. Busca sua perfeição na “procura e no
amor da verdade e do bem”( Gs 15, 2)

1712

A verdadeira liberdade é no
homem “sinal eminente da imagem de Deus”( GS 17).

1713

O homem é obrigado a seguir a
lei moral que o chama a “fazer o bem e evitar o mal” (Gs 16). Esta lei ressoa
em sua consciência.

1714

O homem, ferido em sua
natureza pelo pecado original, está sujeito ao erro e inclinado ao qual no
exercício de sua liberdade.

1715

Quem crê em Cristo tem a
vida nova no Espírito Santo. A vida moral, desenvolvida e amadurecida na graça,
deve completar-se na glória do céu.

AS BEM-AVENTURANÇAS

1725

As bem-aventuranças retomam
e completam as promessas de Deus desde Abraão, ordenando-as para o Reino dos Céus.
Respondem ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração do homem.

1726

As bem-aventuranças nos ensinam o fim último ao qual Deus
nos chama: o Reino, a visão de Deus, a participação na natureza divina, a vida
eterna, a filiação divina, o repouso em Deus.

1727

A bem-aventurança da vida eterna é um dom gratuito de
Deus. ela é sobrenatural como a graça que a ela conduz.

1728

As bem-aventuranças nos deixam diante de escolhas
decisivas com relação aos bens terrenos; purificam nosso coração para que
aprendamos a amar a Deus sobre todas as coisas.

1729

A bem-aventurança do Céu determina os critérios de
discernimento no uso dos bens terrestres, de acordo com a Lei de Deus.

1743

“Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão”
(Eco 15, 14), para que pudesse livremente aderir a seu Criador e chegar, assim,
à feliz perfeição ( GS 17, 1).

1744

 A liberdade é o poder de agir ou não agir, praticando,
então, a pessoa atos deliberados. Ela alcança a perfeição de seu ato quanto
está ordenada para Deus, o sumo Bem.

1745A liberdade caracteriza os atos propriamente humanos.
Torna o ser humano responsável pelos atos dos quais é voluntariamente autor.
Seu agir deliberado é algo propriamente seu.

1746

A imputabilidade ou responsabilidade de uma ação pode ser
diminuída ou suprimida pela ignorância, violência, medo e outros fatores
psíquicos ou sociais.

1747

O direito ao exercício da liberdade é uma exigência
inseparável da dignidade do homem, sobretudo em matéria religiosa e moral. Mas
o exercício da liberdade não implica o suposto direito de tudo dizer e fazer.

1748

 “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

1757

O objetivo, a intenção e as circunstâncias constituem as
três “fontes” da moralidade dos atos humanos.

1758

O objetivo escolhido especifica moralmente o ato do
querer, conforme a razão o reconheça e julgue bom ou mau.

1759

 “Não se pode justificar uma ação má, embora feita com boa
intenção.” (Sto. Tomás de Aquino, Decem. Praec. 6) O fim não justifica os
meios

1760

O ato moralmente bom supõe, ao mesmo tempo, a bondade do
objeto, da finalidade e das circunstâncias.

1761Existem comportamentos concretos cuja escolha é sempre
errônea, porque escolhê-los significa uma desordem da vontade, isto é, um sinal
moral. Não é permitido fazer o mal para que daí resulte um bem.

1771

 O termo “paixões” designa as afeições ou os sentimentos.
Por meio de suas emoções, o homem pressente o bem e suspeita da presença do
mal.

1772

As principais paixões são o amor, o ódio, o desejo, o medo,
a alegria, a tristeza e a cólera.

1773

Nas paixões, como movimentos da sensibilidade, não há bem
ou mal moral. Mas, enquanto dependem da razão e da vontade, há nelas bem ou mal
moral.

1774

As emoções e os sentimentos podem ser assumidos em
virtudes ou pervertidos em vícios.

 

1775

A perfeição do bem moral consiste em que o homem não seja
movido ao bem exclusivamente pela vontade, mas também pelo “coração”.

1795

“A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do
homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz”(GS 16). 

1796

A consciência moral é um julgamento da razão pelo qual a
pessoa humana reconhece a qualidade moral de um concreto.

1797Para o homem que cometeu o mal, o veredicto de sua
consciência permanece um penhor de conversão e de esperança.

1798

Uma consciência bem formada é reta e verídica. Formula
seus julgamentos seguindo a razão, de acordo com o bem verdadeiro querido pela
sabedoria do Criador. Cada qual deve usar os meios adequados para formar sua
consciência.

1799Colocada diante de uma escolha moral, a consciência pode
emitir um julgamento correto de acordo com a razão e a lei divina ou, ao
contrário, um julgamento errôneo, que se afasta da razão e da lei divina ou, ao
contrário, um julgamento errôneo, que se afasta da razão e da lei divina.

1800

O ser humano deve obedecer sempre ao julgamento certo de
sua consciência.

1801

A consciência moral pode estar na ignorância ou fazer
julgamentos errôneos. Essa ignorância e esses erros nem sempre são isentos de culpa.

1802

A Palavra de Deus é luz para nossos passos. É preciso que
a assimilemos na fé e na oração e a coloquemos em prática. Assim se forma a
consciência moral.

1833

A virtude é uma disposição habitual e firme de fazer o
bem.

1834

As virtudes humanas são disposições estáveis da
inteligência e da vontade que regulam são disposições estáveis da inteligência
e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos
segundo a razão e a fé. Podem ser agrupadas em torno de quatro virtudes
cardeais: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.

1835

A prudência dispõe prática a discernir, em qualquer
circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para
realizá-lo.

1836

A justiça consiste na vontade constante e firme de dar a
Deus e ao próximo o que lhes é devido.

1837A fortaleza garante, nas dificuldades, a firmeza e a
constância na busca do bem.

1838

A temperança modera a atração dos prazeres sensíveis e
procura o equilíbrio no uso dos bens criados.

1839

As virtudes morais crescem pela educação, pelos atos
deliberados e pela perseverança no esforço. A graça divina as purifica e os
eleva.

1840

As virtudes teologais dispõem os cristãos a viver em
relação com a Santíssima Trindade. Têm a Deus por origem, motivo e objeto, Deus
conhecido pela fé, esperado e amado por causa de si mesmo.

1841

Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a
caridade ( Cf. 1Cor 13,13).

1842

Pela fé, nós cremos em Deus e em tudo o que Ele nos
revelou e que a Santa Igreja nos propõe para crer.

1843Pela esperança, desejamos e aguardamos de Deus, com firme
confiança, a vida eterna e as graças para merecê-la.

1844

Pela caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e a
nosso próximo como a nós mesmos por amor a Deus. Ela é o “vínculo da perfeição”
(Cl 3, 14) e a forma de todas as virtudes.

1845

Os sete dons do Espírito Santo concedidos ao cristão são
sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.

1870

“Deus encerrou todos na desobediência, para a todos fazer
misericórdia” (Rm 11,32).

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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