Minha Fé – EB

A minha Fé“Minha Fé”

(Joaquim Nabuco)

A história está marcada, em todos os tempos, pela presença de grandes homens que se debruçaram seriamente sobre a questão do sentido da vida, questão fundamental para que alguém possa fazer sua escala de valores e dar rumo aos seus atos. Entre esses vultos, está o de Joaquim Nabuco (1849-1910), parlamentar abolicionista e escritor notável, que deixou  consignado o itinerário do seu pensamento na obra “Minha Fé”.¹

Filho de família pernambucana católica, Nabuco se deixou impregnar pelas idéias de Ernesto Renan. Este escreveu uma “Vida de Jesus” num encantador estilo, mas em perspectiva racionalista e romântica – o que levou Nabuco, estudante de nível superior, a perder a fé na Divindade de Jesus. Depois o jovem passou a leituras de evolucionismo, que lhe empalideceram a idéia do próprio Deus. Aos poucos, porém, Nabuco foi repensando o que lera, e percebeu a necessidade de admitir o Criador do Universo. Mais: refletindo sobre si mesmo, dotado de profundas aspirações, Nabuco chegou à certeza de que estas só acham resposta naquele que é a Sabedoria e a Perfeição infinitas; e, visto que nesta existência terrestre, o homem não encontra a plena satisfação para os seus mais genuínos anseios, o pensador passou a professar, sem hesitação, a realidade da vida póstuma.

O seu caminhar foi progredindo… Nascido dentro do Catolicismo, pôs-se a comparar a fé católica com outras mensagens religiosas, acabando por averiguar o que ele chama “a superioridade do Cristianismo” (p. 83). Mereceu-lhe especial atenção o problema do mal, que ele finalmente conseguiu conciliar com a fé em Deus Santo e Misericordiosos; sim, o mal tem suas raízes na liberdade de arbítrio, da  qual o homem abusa; mas Deus oferece resgate à criatura infeliz pagando o preço do seu sangue; Jesus, Deus feito homem, assume Nabuco: “Deus, uma vez aceito, é uma contradição absurda pretender criticar-lhe a obra” (p. 66).

Assim procedendo, Nabuco chegou ao âmago do Catolicismo abraçado convictamente: o sacramento da Reconciliação, a  veneração da Virgem Maria, a vida mística… passaram a integrar o conjunto de valores da sua vida.

“O cativeiro dos negros foi a sua apoteose da liberdade ofendida e exaltada. Já nos últimos anos de vida, meditando sobre o destino do homem e o seu drama religioso, chegou à conclusão de que há um cativeiro que é liberdade: o da fé. E fez-se servo de Deus, como na mocidade fora servo dos servos” (Nilo Pereira, p. 154).

História dos antepassados, escola de vida para os pósteros!…

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 325 – Ano 1989 – p. 241

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¹ Editora Massangana, Recife 1985. Tradução, de Ainda Batista do Val, do original francês Fooi Voulue.

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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