Mil líderes carismáticos de todo o mundo se reúnem em torno à santidade

CASTEL GANDOLFO, 19 de setembro de 2003 (ZENIT.org).- O pregador da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, pregará de 20 a 25 de setembro um retiro espiritual sobre a santidade –segundo a Encíclica de João Paulo II «Novo Millennio Ineunte»– a mil responsáveis pela Renovação Carismática Católica procedentes de 72 países dos cinco continentes que desde esta quinta-feira se encontram na localidade italiana de Castel Gandolfo.

A Renovação se difundiu rapidamente por todo o mundo através de um forte redescobrimento da fé e da ação do Espírito Santo na vida dos cristãos. Reconhecida pelo Conselho Pontifício para os Leigos, atualmente cerca de 120 milhões de católicos participam de sua espiritualidade.

O encontro contará com a participação do cardeal James Stafford, presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, e do bispo Stanislaw Rylko, secretário deste dicastério.

Espera-se contar igualmente com o testemunho de convidados de outros movimentos, como Chiara Lubich –fundadora do movimento dos Focolares– e de Andrea Ricardi –fundador da Comunidade de Santo Egídio–, assim como com a presença de membros de outras Igrejas cristãs.

Nestes «Doze dias de bençãos» está programada peregrinação que, até o dia 30 de setembro, percorrerá alguns dos santuários mais célebres da Itália, como São Giovanni Rotonto, onde vivia o padre Pio de Pietrelcina.

Sobre os desafios que enfrenta a Renovação Carismática Católica falou esta quinta-feira ante os microfones da Rádio Vaticana Oreste Pesare, diretor do escritório dos «Serviços Internacionais da Renovação Carismática Católica» (ICRSS, por suas siglas em inglês), com sede no Vaticano.

–Diz-se há muito tempo que para a Renovação Carismática chegou o momento de enfrentar o desafio do amadurecimento eclesial. Há quem tenha medo que uma certa institucionalização do movimento possa apagar ou redimensionar o carisma. Que opinião tem a este respeito?

–Oreste Pesare: Que possivelmente nos últimos tempos houve também uma incorreta compreensão das indicações e desejos do Santo Padre. Amadurecimento eclesial não quer dizer por si que tenha que se encaminhar para uma institucionalização. O Santo Padre, falando de maturação eclesial, recorda que quer que os leigos, e portanto a Renovação Carismática entre eles, tenham frutos de unidade e de compromisso. Não fala em absoluto de estruturas. Que as estruturas, a institucionalização, sejam um fruto necessário do crescimento de um movimento, isto sim; mas não devem certamente prejudicar o chamado principal de um movimento ou, como em nosso caso, de uma corrente de graça.

A Renovação Carismática, de fato, diferentemente dos demais movimentos, não é estritamente um movimento uniforme, mas a Renovação Carismática –como nos ensina o cardeal Leo Jozef Suenens e na atualidade nos ensina o padre Raniero Cantalamessa– é uma graça para toda a Igreja católica. É uma corrente de graça, é uma obra do Espírito Santo que depois se concretiza –e diria que pode inclusive institucionalizar-se– em diferentes associações, organizações, comunidades que por si mesmas não defendem completamente aquela que é a graça da Renovação Carismática, que continua sendo uma graça para toda a Igreja católica.

O ICCRS se põe a serviço de toda esta variedade de carismas, de realidades, de associações, de organizações, de comunidades espalhadas no mundo. Não considero que exista um risco de institucionalizar a Renovação Carismática. Podemos institucionalizar algumas expressões que formam parte da Renovação Carismática.

–Nos ensinamentos do Papa se alude com freqüência à «espiritualidade de comunhão». Há lugar na Renovação Carismática para este tema, para esta exigência da vida eclesial?

–Oreste Pesare: Considero que este é o carisma principal. Claramente isso não esgota todo o potencial da Renovação Carismática, mas a comunhão, a unidade é o carisma principal de toda a Renovação Carismática. De fato, a Renovação Carismática quer expressar no mundo de hoje a visão paulina do corpo de Cristo, segundo a qual na Igreja, esposa de Cristo, existe diversidade de carisma, diversidade de chamados, diversidade de expressões, diversidade de hábitos, mas todas vão parar no mesmo Jesus Cristo e todas se reúnem no poder do Espírito Santo.

Nós, que somos definidos como carismáticos –se bem que toda a Igreja é carismática–, estamos chamados em primeiro lugar a testemunhar que é possível viver a unidade e a comunhão na diversidade de expressões. Este, portanto, é o primeiro chamado à que nos sentimos impulsionados, convidados também pelo Santo Padre.

O que está sucedendo entre os distintos movimentos eclesiais é algo que nos entusiasma, nos situa entre os primeiros protagonistas. Nós queremos continuar nosso compromisso de construir uma Igreja católica unida na diversidade. Talvez –e vou um pouco mais longe– isto quer ser também um testemunho concreto para o futuro próximo da Igreja, para que também a unidade com as demais Igrejas possa estar eventualmente baseada neste princípio de unidade na diversidade, e portanto queremos ser não só um testemunho para o mundo de hoje, mas queremos converter-nos em um testemunho de unidade inclusive no ecumenismo, para que a esposa de Jesus seja uma.

–Como resumiria a mensagem carismática para quem não conhece ou desejaria conhecer melhor esta corrente espiritual?

–Oreste Pesare: A ação do Espírito Santo leva à vida pessoal de cada homem e mulher e à ressurreição de Jesus. Ele morreu uma vez por todos para que o mundo se salve; cada homem, passando por uma experiência verdadeira e concreta da vida no Espírito Santo, experimenta a salvação satisfeita por Jesus. Recebemos os sacramentos do batismo, da confirmação, do matrimônio; cada sacramento aporta uma novidade do Espírito Santo e aporta a plenitude do Espírito Santo. Mas algumas vezes o Espírito Santo está um pouco frustrado em nosso interior, lhe renegamos em nosso coração. Aceitar o senhorio de Jesus Cristo e a efusão do Espírito Santo em nossa vida pessoal. Nossa vida muda. Entramos verdadeiramente em uma vida nova onde antes de tudo nos encontramos no coração com Nosso Senhor Jesus Cristo e modificamos nosso modo de ser, de pensar, nossa mentalidade.

É uma experiência espiritual que não tem nada a ver com os esforços e com o dever ser: é uma relação pessoal, um encontro com Jesus, é deixar espaço à Trindade para que venha habitar em nós, como diz o Apocalipse, cear conosco. Esta é a experiência dela que somos testemunhas. E desejo que quem ouve esta entrevista tenha interesse em pedir ao Espírito Santo hoje mesmo, ajoelhando-se em sua própria casa, que venha visitar-lhe. Esta experiência é para todos. Foi satisfeita por Jesus na cruz, e como mudou a nossa vida, pode mudar a vida do mundo.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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