Menino da gruta

Quem acreditaria que uma criança nascida num lugar de refúgio de animais e colocada no coxo de alimentação poderia ser Deus e viria trazer um novo tipo de reino na terra? A convicção de que Ele quer habitar na gruta do coração de cada ser humano faz as pessoas dessa fé  agilizar-se para tornar o fato aceito por todos! Não é possível conter a alegria da mãe desse menino, dos anjos e de quem sabe ver a ligação entre tal nascimento e a ressurreição do Cristo salvador da humanidade! Sabemos da importância e da divindade do Emanuel, justamente com sua vitória sobre o enigma da morte! Jesus veio trazer vida abundante para todo ser humano. Vale a pena contemplarmos seu Natal entre nós e aceitá-lo com todo entusiasmo!

Muitos não enxergam a natureza do Verbo feito carne, ou seja,  a comunicação de Deus com sua presença em nossa história, assumindo nossa realidade humana, porque não são capazes de olhar se não para si mesmos. A luminosidade do amor do Deus-menino faz a pessoa humana perceber  os próprios limites sendo superados pelo amor da criança nascida na gruta de Belém! Aceitar o nascimento de Jesus na própria vida é essencial para a pessoa ter certeza de que a vida vale a pena para amar, conforme o feito e ensinado por Ele. Olhar para fora de si é a solução para uma convivência promotora da vida de sentido para todos. A vida é dom de Deus para a desenvolvermos em comunhão de fraternidade, respeitando o ser do outro e da natureza.

O Menino da gruta, Deus-conosco, veio para entrar na gruta de cada ser humano, dando vida e sentido à mesma. Aceitando-O a pessoa percebe que, na transitoriedade da existência na terra, vale a pena fazer a caminhada boa para todos. Por que há concentração de riquezas e outras possibilidades nas mãos de minorias insaciáveis em querer  sempre  mais sem promover a justiça social? Por que alguns se detêm na religiosidade intimista, buscando seus interesses na busca de soluções de problemas pessoais, sem compromisso com a evangelização dos outros e a promoção da vida digna e de real cidadania para todos? Por que o uso da religião para massacrar minorias e desfocalizar o sentido da solidariedade e fraternidade entre todos? Por que o uso da política para lesar o bem comum?

Quando o nascimento de Jesus acontecer em cada pessoa, família e organização humana, teremos sua luz a fazer-nos enxergar a missão humana de construir mais solidariedade e religiosidade, que levem a promover a vida plena e de sentido para todos. Teremos mais diálogo, construção de família com a grande missão de formar base adequada à formação realmente humana de cada um. Afinal, aceitamos ser a gruta do Menino-Deus, que nos faz ser criaturas novas! Realiza-se, então, o que o profeta anunciou: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença…” (Isaías 9, 1-2).

O Natal de Jesus ainda não acontece para muitos. Os que o deixam nascer em si mesmos são convidados a bater na porta do coração dos outros para apresentar-lhes a alegria de tê-lo dentro de si!

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Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros – MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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