Meditação Transcendental: O que é? – EB

A meditação transcendental previne ataques cardíacosEm síntese: A Meditação Transcendental é uma prática indiana que consiste em que a pessoa se esvazie de qualquer reminiscência e afeto, para se tornar consciente da sua natureza divina; assim libertar-se-á da carne e da corporeidade, a fim de poder entrar no nirvana, onde há a plena identificação com a Divindade.  Caso esta condição de absoluta liberdade interior não se realize numa só encarnação, é proposta a reencarnação em vista de pleno êxito. – Tal concepção, panteísta como é, não se concilia com a fé católica.  Geralmente os mestres de Meditação Transcendental transmitem aos seus discípulos não somente técnicas de distensão e relax, mas também a filosofia panteísta.

As correntes de pensamento e vivência orientais têm penetrado o Ocidente, conseguindo atrair muitos adeptos.  Entre outras está a Escola de Meditação Transcendental, que promete plena identificação do ser humano com a Divindade.  Mas também tem causado decepções e frustrações como se dirá a seguir:

1.  Meditação Transcendental: em que consiste?

A Meditação Transcendental (MT) é um dos exercícios que os indianos praticam desde remotas épocas a fim de conseguir paz e felicidade interior.  Consiste numa técnica mental que leva a pessoa, primeiramente, a procurar colocar-se em estado de “relax” ou de distensão interior, nessas condições o indivíduo tenta esquecer todas as realidades sensíveis e esvaziar a mente de todas as imagens materiais que habitualmente a distraem, cria-se assim um estado de “percepção vazia”; esta acarreta a cessação de emoções, sentimentos e afetos.  Em conseqüência, a pessoa aprofunda-se em sua consciência, o que lhe permite descobrir a realidade mais íntima do seu próprio ser.  Nos sucessivos níveis de profundidade da mente, dizem os indianos, o indivíduo se torna sempre mais consciente da sua natureza divina.  Este estado final é denominado “pura percepção”.

Tal técnica é habitualmente realizada em casa, sem ritual preparatório e sem posturas próprias, bastando um lugar em que o interessado se possa sentir confortavelmente sentado.  Há quem pratique a MT duas vezes por dia, ou seja, de manhã, antes do café, e à noite, antes do jantar.  Todavia mesmo em viagem ou fora de casa as pessoas podem realizar a sua MT, valendo-se do ambiente de uma sala de espera, de um ônibus, de um trem, de um avião etc.

Os adeptos da MT elogiam os benefícios que este exercício traz a quem o pratica, principalmente em nossos agitados dias, nos quais as pessoas estão sujeitas a esgotamento físico e nervoso.  Afirmam que não se trata de exercício religioso nem de aprendizagem filosófica, mas tão somente de higiene mental e aprimoramento das faculdades perceptivas.  Nos Estados Unidos a MT foi introduzida em 1959 pelo mestre indiano Maharishi Mahesh Yogi, cujos livros estão difundidos também no Brasil.

Par aprender a MT, deve o candidato dirigir-se a um mestre comprovado; ela não pode ser aprendida através de livros ou de praticantes amadores.  Cada candidato é solicitado a levar ao seu mestre algumas flores frescas, frutas frescas e um lenço novo; estes são usados pelo professor numa cerimônia tradicional que antecede a primeira sessão de aprendizagem.  O som é muito importante para provocar e facilitar a MT, contribuindo para desligar a mente das suas preocupações cotidianas e suscitar a paz.  A MT dá o nome de mantras aos sons aptos a produzir tais efeitos.  Cada pessoa, dizem os indianos, vibra especialmente com determinados sons ou mantras; daí requerer-se a particular habilidade de um mestre para que descubra qual o mantra mais adequado para cada indivíduo e o faça funcionar.

2.  A filosofia subjacente

Embora adeptos da MT afirmem que esta nada tem a ver com religião ou filosofia, na verdade a MT está associada à filosofia religiosa dos mestres indianos, isto é, ao panteísmo.  Isto quer dizer: a Divindade se identifica com o íntimo do homem e com o âmago de todos os seres visíveis (a palavra grega pan significa tudo e théos designa Deus; panteísmo, portanto, é o sistema que identifica Deus com tudo e com o próprio homem; este traz no seu íntimo uma centelha da Divindade).  Tal concepção é tradicional no hinduísmo, mas nem sempre os discípulos das escolas orientais tomam consciência de que estas professam o panteísmo.

Mais: para a MT, o mundo visível não é propriamente real, mas também não é irreal; é um fenômeno ou aparência.  Consta de um conjunto de realidades que estão sempre em mudança e caminham para a sua destruição.  Essas realidades visíveis são facetas imperfeitas da Divindade; devem ser ultrapassadas para que o homem possa fazer a experiência pura e direta da Divindade, libertando-se de tudo o que ainda o prende à matéria.  É porque o homem deve ultrapassar ou transcender as coisas sensíveis para se identificar plenamente com a Divindade, que tal método é dito transcendental.

É por causa destas premissas filosóficas que os mestres hinduístas ensinam a MT.  Mediante esta técnica, pretendem abstrair dos fenômenos ou das coisas sensíveis que enchem a mente, e proporcionar aos seus discípulos a consciência da sua identidade com o infinito ou o Absoluto ou com a Divindade.

Caso o homem não consiga esta plena identificação numa só existência terrestre ou encarnação, é-lhe oferecida, segundo a lei do Karma, nova chance em outra(s) encarnação(ções); é preciso que, aos poucos e finalmente, o homem se liberte de todos os vínculos que o prendam às coisas sensíveis…  Esta é a doutrina da reencarnação, da qual falam discretamente os textos da MT, mas que é tese capital do hinduísmo e do panteísmo (segundo este, é o próprio homem quem se salva; se não o consegue numa só passagem sobre a terra, deve dispor de outras passagens ou encarnações para conseguí-lo).

Uma vez obtida a plena emancipação em relação aos valores sensíveis, o ser humano se torna livre da cadeia das encarnações e está apto a entrar no nirvana ou estado de absoluta identificação com a Divindade, no qual não há mais nem o eu humano nem o Tu divino.  A palavra nirvana vem do sânscrito nirvana, que significa extinção (da chamada vital); designa ausência total de qualquer desejo e, por isto, também … de qualquer sofrimento.

3.  Que dizer?

A Meditação Transcendental não se concilia com a mensagem cristã, como não se concilia o panteísmo com o monoteísmo.  Na verdade, para os cristãos, Deus é essencialmente distinto do mundo e das realidades visíveis, sim, Ele é absoluto e eterno, ao passo que as criaturas sensíveis são relativas, transitórias e temporárias; ora o Infinito não resulta das realidades finitas postas em evolução, nem se deve imaginar que o Eterno seja a soma de numerosíssimas parcelas de tempo.  Por conseguinte, não é lógico identificar o homem – transitório e volúvel como ele é – com a própria Divindade, que por definição é o contrário do transitório e volúvel.  Esta afirmação, porém, não impede os cristãos de dizer que Deus quis tornar os homens seus filhos, fazendo-os participar da sua vida mediante o Dom da graça comunicada pelos sacramentos (principalmente pelo Batismo e a Eucaristia).  Deus não é um ser frio e amedrontador, mas, ao contrário, é o Pai que chama os homens ao consórcio da sua vida (sem que haja fusão ou identificação).  Santo Agostinho exprimia muito bem esta verdade ao exclamar: “Deus é mais elevado do que o que tenho de mais elevado, e mais íntimo do que o que tenho que mais íntimo”.

Quanto à reencarnação, é doutrina para a qual não existem provas.  Ver a respeito PR 360/1992, pp. 215s e 361/1992, pp. 278s.

4.  A desilusão

Via Internet a Redação de PR recebeu a seguinte notícia:

“Durante anos o tema da Meditação Transcendental mereceu muita atenção; os seguidores das diversas técnicas da MT obtiveram bastante êxito.  Todavia Michael Durham, num artigo publicado em The Times (10/3/00), refere que não vê com bons olhos a transformação ocorrida nessa Escola.  Com efeito, Durham menciona que em 1972 recebeu sua iniciação na MT pelo custo de apenas oito libras esterlinas.  Em nossos dias, tendo voltado ao Centro de Aprendizagem para ser instruído nas técnicas de meditação, teve que pagar 490 libras.

Durham esclarece que aprendeu a MT há tempos e, praticando-a, conseguiu viver em maior tranqüilidade. Com o tempo, porém, deixou de a praticar.  Quando retornou ao Centro ultimamente, descobriu que Maharishi Mahesh Yogi continua a ensinar tal método de concentração, mas num clima muito mudado.  O centro de Londres está cheio de folhetos que propagam as atividades e os produtos de Maharishi Mahesh Yogi: por exemplo, um impresso devido ao Mestre anunciava uma conjugação especial de planetas para maio deste ano 2000, da qual poderiam resultar problemas para a humanidade; o texto acrescentava que, em troca de um donativo de mil dólares, Maharishi poderia afastar os perigos; apenas, dizia-se ainda, faltam muitos donativos de tal quantia para que o processo planejado pelo Mestre possa funcionar!

Além do mais, existe uma coleção de 17 CDs gravados com cantos de Maharishi, fitas com dizeres do Mestre, tudo obviamente disponível por preços assaz elevados.  Ao averiguar isso tudo, refere Durham, ele (Durham) tomou consciência de que toda essa montagem da Meditação Transcendental era uma fraude.

Após tal experiência, Durham descreve como colheu informações sobre as consequências nocivas da MT para a saúde psicológica.  O repórter Duncan Campbell, colega de Hurham especializado em pesquisas, lhe disse que a MT deveria ser considerada como culto de personalidade e que, se alguém quer aprender a medita, o melhor alvitre será comprar um livro que ensine as respectivas técnicas.

Outra personalidade consultada por Hurham, a Dra. Susan Blackmore, do Departamento de Psicologia da Universidade do Oeste da Inglaterra, comentou os fatos afirmando que, por trás da MT, existe uma enorme hierarquia que consegue angariar grandes quantias de dinheiro.

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 458 – Ano : 2000 – p. 322

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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