Manchetes de Natal

Pelas manchetes dos grandes jornais, ficamos sabendo das notícias importantes do dia. Assim ao menos parece. E se não for verdade, a própria manchete vira notícia. Vira verdade, porque divulgada pelos grandes meios de comunicação. A versão do fato vira o fato.

Quais serão as manchetes dos grandes jornais no Natal deste ano? Ou dizendo de outra maneira, o que convém divulgar no Natal, para que se torne notícia importante?

Que Jesus nasceu em Belém, parece manchete já desgastada. Ao menos já não ajuda para causar impacto positivo no mercado.

Mas não deixa de ser interessante a diferença de critérios para classificar a importância das notícias. Pois o “Evangelho”, como “Boa Notícia”, continua produzindo manchetes. E quais seriam estas manchetes, para termos neste Natal um noticiário consistente?

O próprio Jesus nos dá as dicas.

Tomemos o relato de Lucas, o “repórter” que melhor descreveu os acontecimentos relativos ao nascimento de Jesus em Belém de Judá. Segundo ele, a maior notícia do mundo tinha passado despercebida aos olhos dos escribas e sacerdotes de Jerusalém, e também dos habitantes de Belém.

Todos estes tinham dormindo tranquilos na noite de Belém. Perderam a maior manchete, de validade permanente em todos os tempos. E assim deixaram de ser protagonistas da maior notícia que o mundo até hoje pode receber, formulada de tantas maneiras, mas todas elas contendo esta verdade tão importante: “De tal modo Deus amou o mundo, que enviou o seu Filho Unigênito, não para condenar o mundo, mas para salvar o mundo!”.

Pois bem, quais são as manchetes sugeridas pelo próprio Jesus, ele mesmo vítima do silêncio da grande imprensa?

Segundo a reportagem de Lucas, João Batista, intrigado com a falta de notícias a respeito daquele que ele mesmo tinha apontado como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, mandou dois dos seus discípulos para perguntar a Jesus: “És tu aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?”

Percebemos como a falta de notícias tinha produzido uma angústia tão grande em João, que entrou em crise de fé.

Ainda de acordo com Lucas (Lc 7, 19-23), Jesus não desfez a crise de João. Só deu pistas para ele próprio sair da crise. E aí encontramos as verdadeiras manchetes sugeridas por Jesus. Lucas insiste em dizer que, “nesta hora, Jesus curou de doenças e de enfermidades a muitas pessoas, e fez muitos cegos recuperarem a vista”.

Depois, em cima dos fatos, propôs as manchetes a serem levadas a João: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os surdos ouvem, os paralíticos andam, os leprosos são limpos, os mortos ressuscitam, e a Boa Notícia é anunciada aos pobres. E feliz quem não se escandaliza de mim”.

Pois bem, que salvador é este que perde tempo com os estropiados da vida?

Na verdade, as pequenas ações, sinais verdadeiros da chegada do Reino de Deus, ainda continuam fora das manchetes oficiais.

Mas com certeza, se fizermos pequenos gestos de bondade e de misericórdia, mesmo que não sejam divulgados, estaremos também participando do maior evento da história, e com Jesus seremos protagonistas do seu reino, que não vem de forma ostensiva, mas se mostra por pequenos sinais, que estão ao nosso alcance.

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Dom Luiz Demétrio Valentini
Bispo de Jales – SP

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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