Mais de 200 mártires espanhóis do século XX serão beatificados no ano da Fé

Mais de 200 mártires do século XX, que podem, inclusive, chegar a 300, serão beatificados em uma cerimônia conjunta em outubro de 2013, por ocasião da conclusão do Ano da Fé, segundo pronunciamento do porta-voz e secretário geral da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), Dom. Juan Antonio Martínez Camino. (Fonte: 05 de julho de 2012, Gaudium Press)

Esses mártires do século XX, na Espanha, são “um testemunho muito valioso para uma profissão de Fé íntegra e valorosa”, dentro do Ano da Fé. Eles foram barbaramente martirizados na perseguição à Igreja em 1936/9 em toda a Espanha por um regime político anticatólico. Muitos deles já foram beatificados antes pelo Papa beato João Paulo II.

Segundo os testemunhos da época, os informes forenses e as descrições de testemunhos presenciais, a maioria dos mártires morreu por disparos de bala ou apunhaladas e, em muitos casos, foram torturados antes de sua morte.

Os expedientes da época provam que um dos assassinados foi enterrado vivo, a outros arrancaram os olhos, cortaram as orelhas ou arrastaram pela cidade, como aconteceu com o pároco de Carmen, Sotero González Lerma, a quem também penduraram na entrada do templo e queimaram.

Algo semelhante aconteceu no México, na mesma época (1926). Uma horrível perseguição sem precedentes, contra a Igreja e os católicos, fez centenas de vítimas. Esta terrível guerra na Espanha aconteceu como um reflexo da revolução comunista na Rússia em 1917, que se desenrolava na Rússia com Lênin, Stalin, etc. Em 1931 houve eleições no país e os republicanos, de linha comunista (marxistas, ateus), além dos anarquistas revolucionários, obtiveram a  maioria nos Conselhos das grandes cidades, embora tivessem perdido em todo o país,  e o rei  Afonso XIII renunciou ao trono. Os republicanos odiavam a Deus e a Igreja, nos moldes comunistas. Foi então proclamada a Republica e extinta a monarquia.

Logo começou a perseguição contra a Igreja e os católicos. Em 1931 a Espanha tinha cerca de 30.000 sacerdotes diocesanos, 40.000 religiosos (6000 sacerdotes entre eles). e cerca de 40.000 religiosas e monjas.  No mesmo ano, por incitação do governo comunista, dezenas de igrejas e conventos foram saqueados e incendiados. (“Historia Total de España”, Ricardo de la Cierva, Editorial Fênix, Madrid, 2001; pág. 854).

A perseguição religiosa continou: nos quatro meses que precederam a guerra civil houve 160 igrejas incendiadas. Entre os milhares de civis mortos pelos comunsitas, anarquistas e socialistas, estão pelo menos 6 mil padres, freiras e monges, além de 12 bispos, muitos foram queimados vivos e outros foram enterrados ainda com vida. O ministro da guerra, Manuel Azaña, em um de seus muitos discursos, disse que preferia ver todas as igrejas de Espanha incendiadas a ver uma só cabeça republicana ferida. (cf. www.wikipedia.org)

O governo comunista elaborou uma nova Constituição, que negava os direitos da Igreja e estabeleceu a reforma; crescia o ódio contra a Igreja. Hugh Thomas, em “A Guerra Civil Espanhola” (Ed. Civilização Brasileira, 2vol. 1964), disse que nunca se viu na Europa e no mundo um ódio tão apaixonado contra a religião. Mais de cem sacerdotes da diocese de Barbastro foram fuzilados. Os mártires eram torturados terrivelmente antes de serem mortos. Uns eram espancados, outros tinham os olhos vazados, sofriam queimaduras, choques elétricos, as monjas sofriam abusos sexuais, etc. Fruto do ódio marxista contra a religião. Os horrores foram piores que os dos tempos bárbaros.

Tornou-se muito conhecido o caso do Irmão Fernando Saperas, que depois de muita tortura, foi  fuzilado, morrendo com essas palavras nos lábios: “Viva  Cristo Rei!”

As imagens de Nossa Senhora e do Sagrado Coração de Jesus foram profanadas em público, chutadas e quebradas, e muitas igrejas e sacrários foram profanados. Todo o ódio marxista contra Deus e a Igreja foi derramado na Espanha.

Teve fim a guerra com a consequência da morte de mais de 400 mil espanhóis e uma queda enorme na economia, como a morte de mais da metade do gado, a queima de campos e milhões de moradias destruidas. Um abalo financeiro e queda do PIB que demorou quase 30 anos para se normalizar. Outras fontes ressaltam a dificuldade em quantificar o número de mortos por causa da guerra originada pelo chamado “Movimiento Nacional”.

Tudo isto aconteceu há apenas 80 anos, mas infelizmente muitos não tomaram conhecimento desta barbaridade cometida contra os cristãos da Espanha e México. Por isso a maioria da juventude não sabe o perigo da ideologia marxista, especialmente porque nas universidades ainda se cultiva com afã o sonho do paraiso socialista a ser implantado na terra. Não dá para falar da fé católica sem citar os mártires, pois, como disse Tertuliano (?220) ao imperador romano Marco Aurélio: “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.

Professor Felipe Aquino 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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