Livro desmente acusações contra o Papa Pio XII

Gordon Thomas publicou recentemente o livro “Os Judeus do Papa, O plano secreto do Vaticano que salvou milhares de judeus no Holocausto” (Casa das Letras, 2012). Trata-se de uma reportagem altamente documentada sobre a tentativa de caluniar os esforços de Pio XII para salvar os judeus da perseguição nazista, entre 1939 e 1945.

Quando acabou a II Guerra Mundial, uma maldosa propaganda fez surgir os ataques a Pio XII: “que não enfrentou Hitler, que trabalhou em segredo com Mussolini, que se calou durante o Holocausto, que odiava os judeus, que não publicou qualquer condenação do Holocausto”, etc.

Apareceu também o livro tal como o livro escandaloso “O Papa de Hitler”, de John Cornwell, e a peça O Vigário, de Rolf Hochhuth, que apresentava o Papa como ganancioso e omisso diante do Holocausto. No bojo desses ataques incriminavam a Igreja Católica dirigida por um Papa antissemita. Outros historiadores apresentaram provas contra essas acusações.

No livro de Gordon Thomas encontramos muitos testemunhos de judeus famosos em defesa de Pio XII. Vejamos alguns casos:

1 – Golda Meir, a ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, em 1958, quando faleceu  Pio XII,  fez o seguinte elogio do Papa na Assembleia Geral das Nações Unidas: “Quando chegou o martírio terrível do nosso povo, na década do terror nazi, o Papa Pio XII elevou a sua voz pelas vítimas. A vida dos tempos que vivemos foi enriquecida por uma voz que se erguia, com grandes verdades morais, acima do tumultuo do conflito diário. Choramos um grande servo da paz”.

2 – Pinchas Lapide, um diplomata israelita escreveu num dos seus livros que durante o pontificado de Pio XII, “a Igreja contribuiu para salvar pelo menos 700 000, mas provavelmente 860 000 judeus de uma morte certa às mãos dos nazis”.

3 – Michael Tagliacozzo, a maior autoridade sobre os judeus romanos durante o holocausto disse: “Calúnias sobre Pio XII. Sem ele, muitos membros do nosso povo não estariam vivos”.

4 – Chaim Weizmann, que viria a ser o primeiro presidente de Israel, escreveu em 1943: “A Santa Sé está a dar a sua poderosa ajuda, onde pode, para mitigar o destino dos meus correligionários perseguidos”.

5 – Isaac Herzog, principal rabi de Jerusalém, enviou uma mensagem ao Papa: “O povo de Israel nunca esquecerá o que Sua Santidade e os seus ilustres representantes, inspirados pelos princípios eternos da religião que são os pilares da verdadeira civilização, fizeram pelos nossos infelizes irmãos e irmãs no momento mais trágico da nossa história”.

O livro mostra a grande personalidade de Eugenio Pacelli, que foi  cardeal camerlengo do Papa Pio XI, que era radicalmente contra o  antissemitismo, o fascismo italiano e o nazismo. A Santa Sé começou a acolher os judeus de Roma, e os edifícios pontifícios eram ocupados pelas famílias dos judeus. Mostra o relacionamento entre a comunidade judaica de Roma e Pio XII, revela os nomes dos dignatários da Cúria que foram encarregados de acolher esta comunidade e de lhe prestar todo o auxílio. O primeiro discurso de Pio XII recuperou uma passagem na encíclica que ele tinha escrito para Pio XI intitulada “Com profunda preocupação”: “Aquele que exalta a raça, ou o povo, ou o Estado, ou uma forma particular de Estado, ou os detentores do poder, ou qualquer outro valor fundamental da comunidade humana – por mais necessária e honrosa que seja a sua função nas coisas terrenas –, quem quer que eleve essas noções acima do seu valor normal e as divinize alçando-as a um nível idolatra, distorce e perverte uma ordem do mundo planeada e criada por Deus; está longe da verdadeira fé em Deus e do conceito de vida conforme com ela?”.

A reportagem nos dá conta de que a partir de 1943, a política pontifícia foi a de acolher na medida das suas possibilidades os judeus que iriam ser transferidos para os campos de concentração, isto enquanto em todos os países, e por ordem do Papa, os diplomatas da Santa Sé emitiam passaportes ou pagavam viagens para os judeus fugirem. Nos momentos críticos em que os alemães vão buscar os judeus no gueto de Roma, os serviços do Vaticano se desdobraram no seu acolhimento. Muitos prisioneiros de guerra aliados caminhavam para Roma quando os exércitos do marechal Kesselring receberam instruções para usar de mão de ferro em Roma. Ficou esclarecido que Hitler pretendeu raptar Pio XII; ele acreditava que este rapto convenceria a Grã-Bretanha e os Estados Unidos a mudarem de lado na guerra e juntar-se à Alemanha e derrotar a URSS. O plano era o general Wolff, em Setembro de 1943, raptar o Papa e saquear o Vaticano, tomar os tesouros do museu Vaticano. O plano foi rejeitado porque os alemães temeram a reação do povo italiano que logo a sua resistência deu provas de ser firme contra os alemães. Mas os alemães, um tanto perdidos, invadiram o território do Vaticano e a Cúria reagiu. Foi o “sábado negro” que mostrou a determinação do Papa.

Em 20 de Novembro de 1945, com o fim da Guerra, Pio XII recebeu em audiência 80 representantes libertados de vários campos de concentração alemães que lhe vieram agradecer a sua ajuda; foi o primeiro de muitos tributos comoventes que recebeu nos anos do pós-guerra. Em 1952 encontrou-se com Moshe Sharett, primeiro ministro de Israel, que lhe disse: “O meu primeiro dever é agradecer-vos e, através de vós, à Igreja Católica, em nome de todo o povo judeu, tudo o que fizestes em vários países para salvar os judeus”.

Nunca existiu, pois, o “Papa de Hitler”, mas sim aquele que mais perto esteve dos judeus e contribuiu para salvar centenas de milhares deles. A mentira da propaganda comunista tem pernas curtas.

O site forumlibertas.com, publicou em 16 de abril de 2007, declarações 13 grandes líderes judeus em defesa do grande Papa Pio XII, acusado injustamente por muitos de ter sido omisso na defesa dos judeus diante de Hitler. Na verdade a Igreja, por orientação do Papa, agindo de maneira diplomática, conseguiu salvar cerca de 800 mil judeus de serem mortos pelos nazistas.

Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/tag/judeus

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.