Levantar a voz

A comunicação hoje é exuberante em termos de quantidade. Mas só convence quando for de real qualidade. Sua aceitação depende da credibilidade de quem a emite e com tonalidade ética reveladora de sua autenticidade. As palavras convincentes são efeito da qualidade moral de quem as profere, respaldado por seu procedimento costumeiramente veraz. O conteúdo da comunicação pode causar impacto, polêmica e não aceitação a partir de  quem se esconde em seu comportamento contrário à verdade do que é comunicado. Pode provocar reação de oposição a quem a emite. É o caso claro da oposição a Jesus por Ele ter denunciado o erro de determinadas pessoas falsas e pronunciado a verdade para eles reverem suas más atitudes.

Neste tempo de preparação para a celebração do Natal de Jesus, palavras proféticas nos ajudam a compreender os motivos pelos quais Deus chama atenção do povo para ouvir a quem Ele manda comunicar a boa-nova da salvação: “Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa-nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa-nova a Jerusalém; ergue a voz, não temas” (Isaías 40,9). A aceitação da palavra de Deus prepara o ser humano para ter nova atitude. Quem anda por caminhos do orgulho, da ambição, da injustiça, da imoralidade e  da centralização de tudo no próprio egoísmo é chamado a mudar de vida, se quiser assumir uma caminhada de sentido e de realização plena de si mesmo. O próprio Jesus lembra que sua proposta de vida nova exige conversão. Seu caminho é mais exigente, mas somente através dele há a possibilidade de conquista do Reino definitivo e plenamente realizador já aqui na terra. O caminho da perdição é bem largo. Basta a pessoa seguir os caprichos dos próprios instintos animalescos. Fora a corrupção, a lesão do bem comum, a má política, a desvalorização da família, a discriminação, a falta de compromisso com os deixados de lado no convívio social e humano!…

João Batista levanta a voz para indicar o caminho novo a ser traçado por Aquele a quem ele anuncia: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas’!” (Marcos 1,2.3).

Na convivência social, em muito ensurdecedora, às vezes não ouvimos as vozes proféticas de quem nos fala a verdade. Muitas vezes se prefere estar atento aos ruídos da proposta de vida sem rumo, sem ideal, sem valores maiores. Somos chamados por Deus a desenvolver nosso potencial para amar, dar de nós em bem da promoção da vida digna para tantos que não são amados e vivem a mercê de suas fragilidades materiais, morais e espirituais. Neste tempo de Advento temos oportunidade de melhor pararmos para ouvir o que Deus nos propõe. A mudança de atitude nos leva a termos coragem de superar o que nos faz ser egoístas e desobedientes ao projeto de Deus. A oração, a reflexão na Palavra de Deus, a vida mais voltada ao bem do semelhante e a causas de melhor serviço ao bem comum  nos ajudarão mais a aceitar a boa-nova do Deus da vida acolhida em nossos corações.

A novena do Natal em família é um meio muito oportuno para nossa preparação à aceitação do nascimento do Menino-Deus em nós. Nossa oferta generosa no terceiro domingo do Advento  é um gesto concreto  de nossa preparação ao Natal para a evangelização.

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Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros – MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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