Judaísmo

judaismoPrimeira religião monoteísta da humanidade. Cronologicamente é a primeira das três religiões originárias de Abraão (as outras são o cristianismo e o islamismo). Tem origem no pacto que teria sido firmado entre Deus e os hebreus, fazendo destes o povo escolhido. Possui forte característica étnica, na qual nação e religião se mesclam. Existem atualmente cerca de 13,5 milhões de judeus no mundo, dos quais 4 milhões em Israel. No Brasil, segundo o IBGE, havia cerca de 86 mil em 1991. A Federação Israelita do Estado de São Paulo estima que hoje esse número chegue a 110 mil.

Reinos de Israel e de Judá – Segundo a Bíblia, Abraão recebe uma revelação de Deus e abandona o politeísmo. Conduz seus descendentes para Canaã, atual Palestina. Em 1700 a.C., os hebreus vão para o Egito, onde são escravizados por 400 anos. Fogem por volta de 1300 a.C., liderados por Moisés, descendente de Abraão, que recebe as tábuas com os Dez Mandamentos no monte Sinai. Chegam a Canaã após 40 anos no deserto. O rei Davi transforma Jerusalém em centro religioso, onde seu filho, Salomão, constrói um templo. Depois de Salomão, as tribos dividem-se em dois Reinos, o de Israel, na Samaria, e o de Judá, com capital em Jerusalém. Com a divisão surge a crença na vinda de um messias (o enviado de Deus para restaurar a unidade do povo judeu e a soberania divina sobre o mundo), que persiste até hoje. O Reino de Israel é devastado em 721 a.C. pelos assírios. Em 586 a.C., o imperador babilônico Nabucodonosor II invade o Reino de Judá, destrói o Templo de Jerusalém e deporta a maioria dos habitantes para a Babilônia, iniciando a diáspora judaica.

Os judeus começam a voltar à Palestina em 539 a.C. Reconstroem o templo e vivem breves períodos de independência, interrompidos por invasões estrangeiras. No ano 6, a região torna-se província de Roma. Em 70, os romanos invadem Jerusalém e destroem o segundo Templo. Em 135 arrasam a cidade, dando início ao segundo momento da diáspora. Espalhados por todos os continentes, os judeus mantêm a unidade cultural e religiosa. A diáspora termina em 1948 com a criação do Estado de Israel.

Livros sagrados – O texto da Bíblia judaica é fixado no final do século I. Divide-se em três livros: Torá, a escritura sagrada , Os Profetas (Neviim) e Os Escritos (Ketuvim). A Torá, ou Pentateuco, reúne o Gênese, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. Ela e Os Profetas são escritos antes do exílio na Babilônia; os textos de Os Escritos, depois. No início da Era Cristã, as tradições orais são registradas no Talmude, dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários.

Manuscritos do mar Morto – Entre 1947 e 1956 são descobertos nas cavernas de Qumrân, no mar Morto, os mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica, escondidos pela tribo judaica dos essênios no século I. Nos 800 pergaminhos escritos entre 250 a.C. e 100 d.C. aparecem comentários teológicos e descrições da vida religiosa dos essênios, revelando aspectos até então considerados exclusivos do cristianismo. Alguns textos são muito semelhantes aos Evangelhos do Novo Testamento e se referem a práticas que lembram a Santa Ceia, o Sermão da Montanha e a cerimônia do batismo. São considerados um dos principais achados arqueológicos da história .

Práticas e festas religiosas – Os rabinos são pessoas habilitadas a comentar textos sagrados e a presidir cerimônias religiosas, que acontecem nas sinagogas. O símbolo do judaísmo é o menorá, candelabro sagrado com sete braços.

As festas religiosas são definidas pelo calendário lunar e, por isso, têm datas móveis. As principais são Purim, Pessach, Shavuót, Rosh Hashaná, Yom Kipur, Sucót, Chanucá e Simchat Torá. No Purim comemora-se a salvação de um massacre planejado pelo rei persa Assucro. A Páscoa (Pessach) celebra a libertação da escravidão egípcia, em 1300 a.C. Shavuót homenageia a revelação da Torá ao povo de Israel, em aproximadamente 1300 a.C. Rosh Hashaná é o Ano-Novo dos judeus. O ano judaico é contado de setembro a setembro, e o atual – até setembro de 1998 – é o 5.758º da criação do mundo. A partir de Rosh Hashaná começam os Dias Temerosos, em que se faz um balanço do ano terminado. Eles culminam no Yom Kipur, dia do perdão, quando os judeus fazem um jejum de 25 horas para purificar o espírito. Sucót rememora a peregrinação pelo deserto, após a saída do Egito. Chanucá homenageia a vitória contra o domínio assírio e a restauração do Templo de Jerusalém, no século V a.C. O Simchat Torá comemora a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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