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  • João Paulo II e a Divina Misericórdia

    Categoria: Entrevistas



    Fala Ma. Ángeles Manglano, autora de um livro sobre a mensagem de Santa Faustina

    VALÊNCIA, domingo, 15 de maio de 2011 (ZENIT.org) – A vida terrena do Papa João Paulo II foi coroada com a mensagem central de seu pontificado, a da Misericórdia Divina. Isso é o que afirma a espanhola Mª Angeles Manglano, autora do livro “Orar com a Divina Misericórdia” (Cobel Edições, 2010).

    No livro, a autora recolheu as chaves das revelações de Cristo à santa polonesa, para fazer chegar a um público amplo a mensagem da Divina Misericórdia. Nesta entrevista a ZENIT, ela explica a relação de João Paulo II e seu pontificado com esta mensagem.

    ZENIT: Qual é a mensagem da Divina Misericórdia?

    Mª Angeles Manglano: A mensagem da Divina Misericórdia é o conjunto de revelações que a Irmã Faustina recebeu dos lábios de nosso Senhor Jesus Cristo, entre 22 de fevereiro de 1931 e sua morte, em 1938. Temos como herança o seu diário, que contém tudo o que aconteceu.

    Talvez o termo central do Diário seja a palavra “confiança”. Deus ama a todos, não importa quão grande sejam as nossas faltas: sua misericórdia é maior do que todos os nossos pecados. Ele quer que nos aproximemos d’Ele com confiança e arrependimento, porque quanto mais confiamos n’Ele, mais recebemos. O próprio Jesus reconheceu que “eu não posso castigar nem mesmo o maior pecador, se ele suplicar a minha compaixão”. Poderíamos dizer que Jesus sofre duplamente quando vê a desesperança do pecador, porque este acrescenta ao seu pecado a desconfiança no perdão de Deus: “A desconfiança das almas rasga o meu coração”, disse Jesus a Santa Faustina. Ao contrário, Ele nunca deixa de desejar “a confiança das minhas criaturas. (…) Não tenha medo de aproximar-se de mim a alma fraca, pecadora, e mesmo que tivesse mais pecados do que grãos de areia na terra, tudo vai cair no abismo da minha misericórdia”.

    Esta mensagem, por si só impressionante, adquire todo o seu contraste quando colocada no contexto histórico: um século que viu duas guerras mundiais, o genocídio nazista, o comunismo totalitário e as tragédias menos dramáticas, mas mais devastadoras, como a eugenia e o aborto. Também cabe aplicá-lo às circunstâncias atuais, do fundamentalismo terrorista até o ataque à família e à maternidade. O pensamento ocidental está em crise: A Europa nega suas raízes cristãs e é considerada uma sociedade adulta, que já não precisa de Deus. O homem transfere sua fé à ciência e prefere viver como se Deus não existisse. No entanto, verificamos que, ainda que do ponto de vista material vivamos muito melhor, nem sempre somos mais felizes. O pecado, mais do que nunca, nos tira a paz e corrói a nossa felicidade. Neste contexto, Jesus nos lembra que, quando a Ele recorrerem “os pecadores empedernidos, encherei suas almas com a paz e a hora da sua morte será feliz”.

    ZENIT: Como a mensagem da Divina Misericórdia influenciou o magistério de João Paulo II?

    Mª Angeles Manglano: O próprio João Paulo II definiu a mensagem da Divina Misericórdia como a chave privilegiada para compreender seu magistério petrino. Além disso, o Papa polonês estava convencido de que “fora da misericórdia de Deus, não existe nenhuma outra fonte de esperança para o homem”. Essa convicção o levou a promover a santidade de Faustina Kowalska, a quem ele mesmo canonizou, e a estabelecer a festa do Domingo da Divina Misericórdia (2º Domingo da Páscoa), em 2000.

    A mensagem da divina misericórdia influenciou sua pregação e sua própria vida. A respeito de sua pregação, Bento XVI o resumiu assim: “Seu longo e multifacetado pontificado encontra aqui seu núcleo; toda a sua obra a serviço da verdade sobre Deus e sobre o homem e da paz no mundo se resume neste anúncio”. Isto pode ser visto, por exemplo, em uma de suas primeiras encíclicas, Dives in misericordia, de 1980, que estabelece que a Divina Misericórdia é a força que transforma o mundo.

    ZENIT: Que influência teve na vida do Papa polonês?

    Mª Ángeles Manglano: No olhar de João Paulo II para o mundo, um fato salta à vista: sua confiança na misericórdia divina, que o ajudou a confrontar de uma maneira heroica as forças do mal presentes no mundo. Um primeiro aspecto é sua experiência com o nazismo e o comunismo na Polônia, como ele mesmo reconheceu em 1997: “Sempre apreciei e senti próxima a mensagem da Divina Misericórdia. É como se a história a tivesse inscrito na trágica experiência da 2ª Guerra Mundial. Nesses anos difíceis, foi um apoio particular e uma fonte inesgotável de esperança, não só para os habitantes de Cracóvia, mas também para toda nação. Essa foi também minha experiência pessoal, que levei comigo para a Sé de Pedro e que, de certo modo, forma a imagem deste pontificado. Agradeço a divina Providência porque me concedeu contribuir pessoalmente para o cumprimento da vontade de Cristo, mediante a instituição da festa da Divina Misericórdia”.

    Em segundo lugar, cabe considerar a importância desta mensagem à raiz do atentado que esteve a ponto de lhe tirar a vida, no dia 13 de maio de 1981. As imagens de sua visita a Ali na prisão constituem talvez o exemplo mais gráfico do modo como o Papa assumiu o perdão e a misericórdia divina como modelo e esperança de sua própria vida.

    Finalmente, não posso deixar de me referir ao falecimento de João Paulo II, que constitui talvez a prova mais clara da misericórdia divina com o seu servo bom e fiel. A passagem do Papa polonês para a vida eterna esteve imediatamente precedida pela Celebração Eucarística do Domingo da Divina Misericórdia. O ato redentor de Deus tomava nesse dia um tom talvez mais misericordioso, ao estar revestido da liturgia da festa que o próprio apóstolo da misericórdia tinha mandado instituir. Sua vida terrena era assim coroada com a mensagem central de seu pontificado.

    ZENIT: Existe uma relação entre a mensagem da Divina Misericórdia e a mensagem de Fátima?

    Mª Angeles Manglano: Tanto a mensagem de Fátima como a da Divina Misericórdia aconteceram entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, e seu conteúdo tem um fio condutor comum: em Fátima, Nossa Senhora pede orações para aplacar a justiça de Deus e obter sua misericórdia, enquanto em Cracóvia, o próprio Cristo pede aos pecadores que recorram à sua misericórdia. Mais ainda: na primeira se faz uma referência à Rússia como origem de certos males que atingiriam o mundo, incluindo de modo especial a Polônia; e na segunda se faz referência à própria Polônia, como berço de uma nova mensagem de esperança diante desse mal tremendo. Novamente, vem à mente o papel central de João Paulo II na queda do comunismo.
    Por outro lado, ambas as revelações contêm elementos proféticos que poderiam ter João Paulo II como vínculo comum. Como é bem conhecido hoje, o terceiro segredo de Fátima aponta de maneira profética e misteriosa o atentado ao Papa. Mas também Santa Faustina recebeu a revelação, diretamente de Jesus Cristo, de que da Polônia “sairá uma faísca que preparará o mundo para a minha última vinda”. Não obstante, o próprio Papa João Paulo II, durante sua Consagração do Mundo à Divina Misericórdia, em Cracóvia, interpretou estas palavras não em referência à sua pessoa, mas ao convite à misericórdia que tanto ele como Santa Faustina propagaram ao mundo inteiro: “Tomara que se cumpra a firme promessa do Senhor Jesus: daqui deve sair ‘uma faísca que preparará o mundo para a minha última vinda’. É preciso acender essa faísca da graça de Deus; é preciso transmitir ao mundo esse fogo da misericórdia. Na misericórdia de Deus, o mundo encontrará a paz e o homem, a felicidade”.


    Prof. Felipe Aquino

    assessoria@cleofas.com.br

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.